"Poderíamos aqui meditar sobre como seria saudável também para a nossa sociedade atual se num dia as famílias permanecessem juntas, tornassem o lar como casa e como realização da comunhão no repouso de Deus" (Papa Bento XVI, Citação do livro Jesus de Nazaré, Trad. José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ, São Paulo: Ed. Planeta, 2007, p. 106)

domingo, 20 de março de 2011

O exemplo de São José



"O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa."

(Sua Santidade, Papa Bento XVI, Mensagem durante a oração do Ângelus, no dia 19 de abril de 2006, fonte: http://www.vatican.va/).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

«O homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só.»


"O que deves dizer à tua mulher? Diz-lhe com muita ternura:
«Escolhi-te, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. A existência presente nada é; por essa razão, as minhas orações, as minhas recomendações e todas as minhas ações destinam-se a fazer que nos seja dado passar esta vida de tal maneira, que voltemos a reunir-nos na vida futura sem qualquer receio de separação.

O tempo que vivemos é breve e frágil. Se nos for dado agradar a Deus durante esta vida, estaremos para sempre com Cristo e um com o outro, numa felicidade sem limites. O teu amor arrebata-me mais que tudo, e não conhecerei infelicidade tão insuportável como a de estar separado de ti.

Mesmo que tivesse de perder tudo, de ser pobre que nem um mendigo, de passar pelos maiores perigos e de sofrer fosse o que fosse, tudo isso mês seria suportável desde que o teu afecto por mim não diminuísse. Só com base neste amor desejo ter filhos.»

E convém que adeques o teu comportamento às palavras... Mostra à tua mulher que aprecias viver com ela e que, por causa dela, preferes estar em casa que na rua. Prefere-a a todos os teus amigos, e mesmo aos filhos que ela te deu; e que estes sejam amados por ti por causa dela... Fazei as vossas orações em comum. Ide à igreja e, ao regressar a casa, contai um ao outro o que foi dito e o que foi lido... Aprendei a temer a Deus, e tudo o resto decorrerá daqui, e a vossa casa encher-se-á de inúmeros bens. Aspiremos aos bens incorruptíveis, que os outros não nos faltarão. Procurai primeiro o Reino de Deus, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo, diz-nos o evangelho (Mt 6, 33)."

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja. Homilia 20 sobre a Carta aos Efésios, 4, 8, 9: PG 62, 140ss. (a partir da trad. Orval).

"O que Deus uniu, o homem não separe!” (Marcos 10,1-12)


Evangelho (Marcos 10,1-12)
"Naquele tempo, 1Jesus foi para o território da Judeia, do outro lado do rio Jordão. As multidões se reuniram de novo em torno de Jesus. E ele, como de costume, as ensinava. 2Alguns fari­seus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3Jesus perguntou:
“O que Moisés vos ordenou?”
4Os fari­seus responderam:
“Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”.
5Jesus então disse:
“Foi por causa da dureza do vosso coração que Moi­sés vos escreveu este mandamento. 6No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!”
10Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11Jesus respondeu:
“Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.

Reflexão
1 – Naturalmente que o tema do Evangelho de hoje é muito complexo e comprometedor. Toca profundamente na vida de muitas pessoas, inclusive, pessoas de nossa casa, de nossa família, amigos. Pode ser um tema espinhoso como também pode ser um tema que nos faz entender melhor a vida matrimonial sacramental. Quem tiver tempo para ler o que vou expor aqui, certamente não me desaprovará. Poderá ser muito útil para este momento da vida.

Antes de tudo valeria à pena discorrer demoradamente sobre a questão do “mistério” que envolve o matrimonio na perspectiva sacramental. Não é o caso de fazê-lo neste momento. Todavia, preciso dizer que o matrimonio tem um grande mistério, que a nossa cabeça humana, com toda a sua sabedoria, não consegue entender suficientemente. Qual é esse mistério? É esse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”. Ora, duas pessoas se transformarem numa só carne não pode ser um passe de mágica humano. Trata-se de uma ação divina. É precisamente Deus quem faz isso acontecer, exatamente porque é Ele quem o quer que assim seja. É Deus quem une. E aquilo que é por Ele unido, não pode ser por nós, a bel prazer, separado. Preciso deixar muito claro que não nos compete emitir nenhum juízo de valor sobre quem não conseguiu manter o vínculo sagrado do Matrimônio. Até porque não temos como saber se de verdade Deus uniu, ou melhor, abençoou certos casamentos. Muitos casamentos tiveram seu modo de proceder tudo certinho, mas não se tinha reta intenção ou maturidade suficiente para assumir o vínculo sagrado instituído por Deus. Existem várias condições que são necessárias para que haja, efetivamente, o matrimônio enquanto Sacramento. Basta que uma das partes não tenha total convicção do que realmente significa o Matrimônio Sacramental para que ele não tenha efeito perante Deus.


Infelizmente vivemos um momento fortemente pansexualista, ou seja, é sexo para todos os lados. O outro, imagem e semelhança de Deus, virou objeto de puro prazer hedonista momentâneo. É só ficar. E tem até pais medrosos, sem critérios e inseguros que permitem que a casa vire motel barato. É uso e abuso. Até as crianças já estão sendo contaminadas por este veneno. Salvem-se quem puder. Depois vêm os amargos frutos desse monstro pansexualista que criamos e não mais conseguimos matar: infidelidades, brigas, desentendimentos, separações, feridas incuráveis, crianças inseguras e frágeis, etc. E este monstro está dentro de nós todos. Se não tivermos critérios sólidos, bebidos em famílias realmente estruturadas, acabamos por virar objetos frágeis nas garras do sistema social vigente que empurra a todos para essa máquina ‘faminta’ de prazer irresponsável que não leva ninguém a lugar algum.


Sinto que se está brincando demais com o sentimento das pessoas. Falar hoje em abstenção sexual, continência e fidelidade, parece ser um crime. Aliás, seja honesto: você por acaso já escutou em alguma propaganda de algum laboratório farmacêutico ou nas campanhas do Governo, que a melhor maneira para não se contrair o HIV é sendo fiel ao marido e a esposa? Toda infidelidade tem seu preço: perante as pessoas e até perante Deus. Nós mesmos podemos concluir que se sexo resolvesse problemas, não teriam mais problemas para serem resolvidos. Permito-me perguntar, sem falso moralismo: não seria esse um grande problema a enfrentarmos com seriedade e, na ótica do sagrado? Como nos diz o próprio Evangelho: “Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.

2 – Matrimônio Sagrado: Na Igreja Católica o casamento é considerado, há mis de dois mil, como sendo "O pacto matrimonial, pelo qual um homem e uma mulher constituem entre si uma íntima comunidade de vida e de amor, fundado e dotado de suas leis próprias pelo Criador. Por sua natureza, é ordenado ao bem dos cônjuges, como também à geração e educação dos filhos. Entre batizados, foi elevado, por Cristo Senhor, à dignidade de sacramento." (Catecismo da Igreja Católica, n. 1660).

Preciso afirmar mais uma vez: O sacramento não é algo que se acrescenta ao Matrimônio: entre batizados o Matrimônio é sacramento em si e por si, não como algo que se lhe sobreponha, por isto é que todo Matrimônio válido entre batizados é sacramento. Cristo não só restabeleceu a ordenação inicial querida por Deus, mas deu também a graça para a vida matrimonial na dignidade sacramental.

3 - Nulidade: Para a Igreja Católica, o matrimônio é indissolúvel enquanto os casados viverem. A Igreja, segundo seu ensinamento, não pode dissolver um matrimônio válido. Assim, vige sempre a regra segundo a qual a única ruptura possível é o óbito de qualquer um dos dois. Se é bíblico que, “o que Deus uniu, o homem não separe”, não compete a ninguém da Igreja, nem ao Papa, desfazer um matrimônio válido. Todavia, existem situações em que o casamento de fato nunca existiu, ou seja, que nunca foi abençoado por Deus, nomeadamente em casos em que um dos dois casou não por vontade própria, mas por coerção ou por outras formas de intimidação ou engano. Através do competente tribunal eclesiástico, a Igreja julgará cada caso concreto, a fim de verificar se ocorreu as situações ou bases legais de nulidade do casamento. Se for verificado, baseado em provas suficientes, o tribunal eclesiástico declara a nulidade, ficando os cônjuges livres para contrair novo casamento. Quem sabe, muitas pessoas separadas nem sabem que a Igreja Católica pode reconhecer a nulidade de um casamento celebrado nestas condições.
Nos meus 19 anos de vida sacerdotal tive a oportunidade de acompanhar muitos casais. Percebi que muitos se separam e nunca deviam de se ter separado. Amavam-se de verdade. Porém, a infidelidade e a falta de perdão estragou tudo. Outros se separaram porque, realmente, nunca deviam de ter contraído casamento. O fizeram de forma equivocada.

4 – Participação na Sagrada Eucaristia. Muitas pessoas separadas matrimonialmente e que contraíram novas núpcias no civil, nos perguntam os motivos pelos quais não podem receber a Sagrada Eucaristia. Em primeiro lugar preciso dizer o seguinte: se o Matrimônio foi válido perante Deus, ele não termina pelo fato da separação física. O vínculo sagrado continuará válido até a morte de um dos dois: “o que Deus uniu, o homem não separe”.

Segundo: O Matrimônio para nós é Sacramento. Quem instituiu os Sacramentos foi Cristo. Romper com um dos 7 Sacramentos, é romper com o Autor dos Sacramentos.

Terceiro: A questão que se deve colocar não é o “não posso”, mas o “não devo” receber a Eucaristia se rompi com um dos sacramentos. Não posso é uma afirmação que agride por si só. Não devo, é uma afirmação que me faz refletir mais profundamente e ajuda a ser mais responsável com as próprias atitudes: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”. Ninguém deve brigar com o Papa, ou com o Bispo, ou com o Padre por não dever receber a Santa Eucaristia. Não fomos nós quem fizemos estas afirmações. Foi Cristo. Portanto, a Igreja não tem o poder de declarar inválido ou dissolver um casamento válido, realizado e consumado entre batizados. Sobretudo porque é Deus mesmo quem garante o Sacramento na vida do casal.

Quarto: Ninguém vai para o inferno por ser separado e por não dever se alimentar da Sagrada Eucaristia. Vai para o céu por ser obediente à Sagrada Escritura. E depois, a Igreja sempre garantiu o grande alimento da Palavra de Deus. Um casal de segunda união deve se alimentar bastante da Sagrada Escritura. A Palavra de Deus assumida e vivida, também tem o poder de salvação. Por outro lado, quem se separou e consegue viver na continência, pode receber sempre a Sagrada Eucaristia. O que realmente importa é o querer de Deus sobre nós e, não os nossos sobre Ele. A Igreja, por sua vez, sempre acolherá com muita humanidade, respeito e amor a todos os casais de segunda união. A Igreja sempre ensinou que devemos confiar na misericórdia divina. E também não nos cabe julgar casais que continuam casados, mas não vivem bem e, continuam assim mesmo a receber a Eucaristia. Neste caso, a Igreja sempre sugere o caminho de conversão.

Não é verdade que um casal de segunda união está excluído da vida da Igreja. Muito pelo contrário, são motivados a estarem bem presentes para serem acompanhados pastoralmente. A Igreja não poderá nunca deixar de ser fiel a Jesus Cristo e nem deixar de ter misericórdia para com seus filhos, gerados pelo santo Batismo.

Oração:
Senhor Jesus, fonte de toda graça para a vida matrimonial na dignidade sacramental. Dá-nos a graça maior de entendermos plenamente o mistério sagrado do matrimônio sacramental. Não permite, Jesus, que por falta de um entendimento suficiente da grandeza do matrimônio, por Ti instituído, venhamos a banalizá-lo ou depreciá-lo. Dá-nos, Jesus, a graça de entendermos que o que uniste não pode ser separado, porque é Sacramento sagrado. Ajuda-nos Senhor a não virarmos objetos frágeis nas garras do sistema social vigente que empurra a todos para essa máquina ‘faminta’ de prazer irresponsável e que não produz felicidade verdadeira. Abençoa, Jesus, as pessoas que contraíram o Sacramento do Matrimônio. Ajuda-os a viverem na graça do amor verdadeiro, na fidelidade e na harmonia do lar. Coloque-os a salvo de todas as ciladas do Maligno, que só quer destruir, incitando à infidelidade. Que os lares por Ti formados, possam contar também com a tenacidade, a força, o empenho e a persistência dos casais, para viverem em estado de graça, que garante a fidelidade sempre. Que os casais alimentem cada vez mais, um pelo outro, uma grande compaixão. Possa a verdade e retidão ser a base de relacionamentos afetivos e efetivos realmente sólidos e maduros. Abençoai Senhor, os casais, para que um veja no outro a Tua insubstituível presença. Que as famílias sejam cada vez mais um terreno fértil para o desenvolvimento da santidade do casal e dos filhos. Amém.

Desejo-te um final de semana cheio das bênçãos do alto.
Faça todo esforço para participar da Celebração Eucarística ou do Culto Dominical. Os casais de segunda união, na hora da distribuição da Eucaristia, recolham-se em silêncio e em oração interior. Deus, que tudo sabe, sabe do desejo que vocês têm de recebê-Lo na Sagrada Comunhão, mas que sendo obedientes à Sagrada Escritura, não a recebem materialmente, mas, espiritualmente no próprio coração."


Com muita estima,
Padre Renato dos Santos – Salesiano de Dom Bosco
Porto Alegre-RS
Lema Sacerdotal: "Ai de mim se não evangelizar" (1Cor. 9,16).

domingo, 20 de fevereiro de 2011

É o amor que humaniza a sexualidade

O amor torna humana a sexualidade e gera o comprometimento

Amor: somente ele pode, de fato, humanizar a sexualidade. No entanto, em nossos dias esse termo se encontra envolto em uma complexa confusão em seu sentido e compreensão. Muitos o têm reduzido apenas à dimensão do prazer, em sua especificidade erótica. É certo que essa palavra engloba também essa dimensão, contudo, ele não se encerra apenas em tal expressão.

O amor – em seu sentido agápico (grego: Agápe) – significa capacidade concreta de doação em favor de um outro, buscando a devida interação com a sua verdade. E isso também deve ser aplicado à concepção humano/erótica do amor, pois, este para ser autêntico não poderá ter o egoísmo como única força motriz.

O amor não se resume à utilização do outro como objeto de prazer sexual. Ele não poderá permitir a utilização momentânea e descartável de um “alguém humano” por meio de aventura descompromissada e irresponsável. O autêntico amor comporta o compromisso.

Estamos acostumados a ouvir os gritos de uma sociedade que elevou à máxima potência a necessidade de satisfazer os próprios desejos e instintos a qualquer custo, transmutando, assim, o valor da pessoa e o colocando em segundo plano. Dentro desse universo de compreensão, o que importa é satisfazer o desejo, não se importando se o outro é utilizado como um mero “brinquedo” por alguns instantes, sendo depois jogado nas mãos do destino.

É o amor/compromisso quem humaniza a sexualidade, do contrário ela se torna apenas egoísmo animalesco. A vivência sexual sem o amor deixa de ser humana e torna-se escravidão instintiva.

Quem verdadeiramente ama é capaz de assumir o outro integralmente, com todas as suas consequências, sem querer usá-lo apenas para uma satisfação superficial.

O amor torna humana a sexualidade e gera o comprometimento – que tem sua máxima expressão no matrimônio sacramental – e o bem necessário para que a devida interação aconteça, sinalizando o outro como fim e não como meio.

O ser humano possui uma dignidade inviolável, ele é pessoa e nunca deverá ser diminuído à categoria de objeto.

O amor traz cor e sabor à vida, ele inaugura uma primavera de sentido para toda e qualquer relação.

A virtude a que somos chamados consiste em contemplar pessoas e relacionamentos sob a ótica do autêntico amor. Assim a doação sincera em vista do bem inspirará nossas atitudes e nos permitirá elevar o ser à sua altíssima e verdadeira condição: a de filho amado, querido e respeitado por Deus.

Autor:Adriano Zandoná

Adriano Zandoná é Seminarista e Missionário da Comunidade Canção Nova. Reside na Missão de Cachoeira Paulista. É formado em Filosofia e em Teologia, e está preparando-se para a Ordenação Diaconal. Atualmente trabalha na Rádio Canção Nova, onde apresenta o programa “Viver Bem”. Acesse: blog.cancaonova.com/adrianozandona e acompanhe outros artigos do autor.

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OCDS - PROVÍNCIA SÃO JOSÉ: ENTREVISTA COM FREI FABIANO ALCIDES PEREIRA - NOVO...: "1. Fale um pouco sobre você, para que possamos conhecê-lo melhor.- Sou natural da cidade de Manhuaçu - MG e o segundo entre 4 irmãos, inclu..."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CNBB lança subsídio sobre a família

CNBB lança subsídio sobre a família
BRASÍLIA, terça-feira, 1° de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – A Comissão da CNBB para a Vida e a Família e a Pastoral Familiar lançaram o subsídio “Hora da Família” 2011. O tema deste ano é: “Família, Pessoa e Sociedade”. O subsídio apresenta reflexão sobre temas familiares para a Semana Nacional da Família, que este ano acontece de 14 de 20 de agosto.

Segundo informa a CNBB, a Semana Nacional da Família é um evento anual que faz parte do calendário das paróquias do Brasil e teve o início em 1992. O subsídio começou a ser editado desde a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil em 1994 e passou a ser publicado anualmente. Esta 15ª edição tem tiragem de 210.000 mil exemplares.

“A família vem enfrentando grandes desafios, inquietações e ataques de quem deveria defendê-la. Convocamos a sociedade a debater este ano sobre este tema”, afirma o assessor da Comissão para a Vida e a Família, padre Luiz Antonio Bento.

A publicação traz sugestões de celebrações e reflexões sobre o dia das Mães, dia dos Pais, dia do Catequista, dia do Nascituro, além de 10 encontros a serem realizados pelas famílias.

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Na internet: www.pastoralfamiliarcnbb.org.br

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dez Mandamentos do Casal.

Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou os Dez Mandamentos do Casal.

Gostaria de analisá-los aqui, já que trazem muita sabedoria para a vida e felicidade dos casais. É mais fácil aprender com o erro dos outros do que com os próprios.

1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo.

A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencermos de que na explosão nada será feito de bom. Todos sabemos bem quais são os frutos de uma explosão: apenas destroços, morte e tristeza. Portanto, jamais permitir que a explosão chegue a acontecer. D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…”

2. Nunca gritar um com o outro.
A não ser que a casa esteja pegando fogo.

Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Quanto mais alguém grita, menos é ouvido. Alguém me disse certa vez que se gritar resolvesse alguma coisa, porco nenhum morreria (…) Gritar é próprio daquele que é fraco moralmente, e precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.

3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro.

Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença”, para que mais rapidamente ela termine.

Discussão no casamento é sinônimo de “guerra” ; uma luta inglória. “A vitória na guerra deveria ser comemorada com um funeral”; dizia Lao Tsé. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes uma pequena discussão esconde por muitos dias o sol da alegria no lar.

4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor.

A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.

5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.

A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos.

Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isto que queremos para a pessoa amada. É preciso todo o cuidado para que isto não ocorra nos momentos de discussão. Nestas horas o melhor é manter a boca fechada. Aquele que estiver mais calmo, que for mais controlado, deve ficar quieto e deixar o outro falar até que se acalme. Não revidar em palavras, senão a discussão aumenta, e tudo de mau pode acontecer, em termos de ressentimentos, mágoas e dolorosas feridas.

Nos tempos horríveis da “guerra fria”, quando pairava sobre o mundo todo o perigo de uma guerra nuclear, como uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, o Papa Paulo VI avisou o mundo: “a paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”. Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo, “primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros”. E Paulo VI, ardoroso defensor da paz, dizia: “se a guerra é o outro nome da morte, a vida é o outro nome da paz.” Portanto, para haver vida no casamento, é preciso haver a paz; e ela tem um preço: a nossa maturidade.

6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.

Na vida a dois tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.

7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.

Se isso não acontecer, no dia seguinte o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução.

Já pensou se você usasse a mesma leiteira que já usou no dia anterior, para ferver o leite, sem antes lavá-la? O leite certamente azedaria. O mesmo acontece quando acordamos sem resolver os conflitos de ontem.

Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.

8. Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.

Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso dizer isto também com palavras. Especialmente para as mulheres, isto tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância.

Como são importantes essas expressões de carinho que fazem o outro crescer: “eu te amo”, “você é muito importante para mim”, “sem você eu não teria conseguido vencer este problema”, “a tua presença é importante para mim”; “tuas palavras me ajudam a viver”… Diga isto ao outro com toda sinceridade toda vez que experimentar o auxílio edificante dele.

9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.

Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro demonstra ser honesta, consigo mesma e com o outro. Quando erramos não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isto é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!

10. Quando um não quer, dois não brigam.

É a sabedoria popular que ensina isto. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar esta iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não por lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.

Todos nós temos a necessidade de um “bode expiatório” quando algo adverso nos ocorre. Quase que inconscientemente queremos, como se diz, “pegar alguém para Cristo”, a fim de desabafar as nossas mágoas e tensões. Isto é um mecanismo de compensação psicológica que age em todos nós nas horas amargas, mas é um grande perigo na vida familiar. Quantas e quantas vezes acabam “pagando o pato” as pessoas que nada têm a ver com o problema que nos afetou. Às vezes são os filhos que apanham do pai que chega em casa nervoso e cansado; outras vezes é a esposa ou o marido que recebe do outro uma enxurrada de lamentações, reclamações e ofensas, sem quase nada ter a ver com o problema em si.

Temos que nos vigiar e policiar nestas horas para não permitir que o sangue quente nas veias gere uma série de injustiças com os outros. E temos de tomar redobrada atenção com os familiares, pois, normalmente são eles que sofrem as consequências de nossos desatinos. No serviço, e fora de casa, respeitamos as pessoas, o chefe, a secretária, etc; mas, em casa, onde somos “familiares”, o desrespeito acaba acontecendo. Exatamente onde estão os nossos entes mais queridos, no lar, é ali que, injustamente, descarregamos as paixões e o nervosismo. É preciso toda a atenção e vigilância para que isto não aconteça. Os filhos, a esposa, o esposo, são aqueles que merecem o nosso primeiro amor e tudo de bom que trazemos no coração.Portanto, antes de entrarmos no recinto sagrado do lar, é preciso deixar lá fora as mágoas, os problemas e as tensões. Estas, até podem ser tratadas na família, buscando-se uma solução para os problemas, mas, com delicadeza, diálogo, fé e otimismo.

É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos. Na Encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II disse algo marcante:

“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente”. (RH,10)

Sem o amor a família nunca poderá atingir a sua identidade, isto é, ser uma comunidade de pessoas.

O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o Cântico dos Cânticos:

“…o amor é forte como a morte…
Suas centelhas são centelhas de fogo,
uma chama divina.
As torrentes não poderiam extinguir o amor,
nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)"

Autor: Erick Sávio
http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com

Encaminhando os filhos para o Céu...


"Teu pai´, Luís Martin, tinha gostos semelhantes aos meus, julgo mesmo que o nosso afeto recíproco tinha aumentado por isso. Os nossos sentimentos eram sempre em uníssono e serviu-me sempre de consolação e apoio.

Mas quando tivemos os filhos, as nossas idéias mudaram um pouco; não vivamos senão para eles, eram a nossa felicidade, nunca a encontramos em nós mas neles.

Enfim, nada nos causava pena; o mundo não era gravoso para nós; por isso desejava ter muitos filhos, para encaminhá-los para o céu".

Beata Zélia Guérin, esposa do Beato Luís Martin e mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Papa pede orações pelo respeito à família

Para este mês de fevereiro, o Papa pede aos fiéis que rezem para que se respeite a família e se reconheça seu papel na sociedade.

Essa é a proposta feita nas intenções de oração para o segundo mês do ano, contidas na carta pontifícia confiada ao Apostolado da Oração, iniciativa que envolve cerca de 50 milhões de pessoas nos cinco continentes:

“Para que a família seja respeitada por todos em sua identidade e seja reconhecida a sua insubstituível contribuição em favor de toda a sociedade”, diz a intenção geral.

Fonte: ZENIT.ORG

domingo, 12 de dezembro de 2010

No Silêncio da Casa de Nazaré...


"Àquele que, Filho do Altíssimo, esvaziado de si mesmo, fazendo-se homem e, protegido por José e Maria, no silêncio da casa de Nazaré, sem palavras nos ensinou a dignidade e os valores primordiais do matrimônio e da família, esperança da humanidade, na qual a vida recebe acolhida, desde o sua concepção, até o seu fim natural.

Ele nos ensinou também que toda a Igreja, escutando e colocando em prática a sua Palavra, se transforma na sua família. E, ainda mais, nos concedeu a missão de ser semente de fraternidade que, semeada em todos os corações, alimenta a esperança."

Mensagem de Sua Santidade, Papa Bento XVI, em sua visita à Espanha, no dia 07 de novembro de 2010. Tradução de Nicole Melhado - equipe CN Notícias:
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=278693

CATEQUESE SOBRE O CASAMENTO (muito interessante!)


CASAMENTO É FONTE DE VIDA
Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Gn. 1,26), chamando-o à existência por amor. Deus é amor (1 Jo. 4,8) e vive em si um mistério de comunhão pessoal de amor. O amor é, portanto, o fundamento e a vocação original de cada ser humano (FC 11).
O matrimônio é uma realidade criada por Deus num plano de amor. Criando o homem e a mulher à sua imagem, os quis capazes de um amor total, que no casamento é fonte de nova vida.
O Concílio Vaticano II ressalta como finalidade do matrimônio não só a procriação e educação dos filhos, mas o "pacto" ou "aliança" de amor entre os cônjuges, voltado para a comunhão de vida entre eles (GS 48). No entanto, o amor não se exaure no âmbito dos dois consortes, mas na máxima doação possível, tornam-se cooperadores com Deus pelo dom da vida a uma nova pessoa humana (FC 14).Sendo o amor vivido no matrimônio, participação do Deus-amor-aliança, torna-se também sinal desse mesmo Deus manifestado em Jesus Cristo. As alegrias e a ternura do amor conjugal tornam-se símbolo e vocação do amor que Deus tem para com a Comunidade.

MATRIMÔNIO: SACRAMENTO EM JESUS CRISTO
A comunhão entre Deus e os homens encontra seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo, o esposo que ama e se doa com o Salvador da humanidade (FC 13; EF 5,32 ss). Assim também o matrimônio torna-se em Jesus Cristo, sacramento, manifestação da comunhão entre Deus e a humanidade, entre Cristo e a Igreja. Essa nova aliança em Jesus Cristo torna a Igreja, seu corpo, sacramento de sua vida e esperança. Nos mistérios da Encarnação do Verbo e da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, essa revelação atinge a plenitude definitiva. Desta feita, o matrimônio torna-se em Jesus Cristo, sacramento, manifestação da comunhão em Deus e a humanidade, entre Jesus Cristo e a Igreja. É na comunhão de vida dos esposos que se expressa o grande mistério da união de amor de Jesus Cristo com sua Igreja. Desta maneira, o vínculo dos casais torna-se imagem e símbolo da aliança que une Deus e seu povo (FC 12, Os. 3). O amor de Deus, total e irreversível, funda a indissolubilidade do matrimônio cristão. Deus nunca faltará à sua palavra e ao seu compromisso. Ele não muda seu amor, mas o expressará sempre de novo. No casamento cristão, sacramento deste amor divino no humano e humano no divino, o amor é para sempre laço indissolúvel, por toda vida. Por conseguinte, o autêntico amor humano tem como exigência a perenidade do matrimônio. Como dom e aceitação recíproca, o amor conjugal se exige total, sem reservas e incondicionado. Estão em jogo o respeito profundo dos esposos, a felicidade dos filhos e o bem da Comunidade.

MATRIMÔNIO E A FAMÍLIA
O matrimônio e a família são tarefas permanentes, realidade a serem edificadas dia-a-dia, com a graça de Jesus Cristo e a vivência eclesial. Estão presentes na família a fraqueza humana e o pecado. O sacramento é a força libertadora e, ao mesmo tempo, graça para continuar edificando a vida a dois e viver as responsabilidades assumidas. Sobretudo, é do matrimônio e da família que nasce um complexo de relações inter-pessoais- as núpcias - a paternidade - a maternidade - filiação e fraternidade, mediante a qual cada pessoa humana é introduzida na família humana e na grande família do povo de Deus, a Igreja (FC 16). Torna-se assim, o matrimônio, sinal profético do amor-aliança e do amor pascal do Senhor.

MATRIMÔNIO E A DIMENSÃO SOCIAL
Não se pode esquecer a dimensão social do matrimônio. Mesmo quando são realizadas as tarefas mais específicas, necessita de outras famílias e oferece também ajuda na comunhão e participação da vida. Deve, ainda, estar inserida na Comunidade, com seu trabalho, testemunho e serviço. Não se compreende mais uma família fechada em si mesma. A celebração do matrimônio significa assumir o amor conjugal no contexto cristão, isto é, compromisso com a Comunidade humana. Significa também o compromisso para com os esposos (Diretório dos Sacramentos, Ed. Paulinas, p. 116).

PREPARAÇÃO REMOTA PARA O MATRIMÔNIO
01. "O fundamento da preparação remota é a própria vida de família, pois é nesta que a pessoa humana, desde os primeiros anos de existência, inicia o seu processo de personalização a partir da experiência básica de confiança na vida, que leva à descoberta do próprio eu e à abertura de doação aos outros" (Orientações Pastorais sobre o Matrimônio e CNBB, Doc 12, p. 5).
02. "A preparação remota para o Sacramento do Matrimônio deve inserir-se na pastoral mais ampla da vocação, dentro da qual a escolha da vida conjugal há de entender-se como uma vocação especial, a vocação dos chamados por Deus para servi-lo no matrimônio" (HV 25).
03. Essa preparação comporta a educação para o amor humano, educação esta que se deve cultivar em todas as etapas da vida e nas diversas linhas de pastoral.
04. O ambiente familiar, tarefa importante dos pais, propiciará essa educação para o amor humano, desenvolvendo a capacidade crítica diante da realidade e das idéias veiculadas pelos meios de comunicação acerca do matrimônio e da família.
05. "Quando as famílias não se desencumbem dessa missão de educar os filhos para o amor cristão, isto é, de filho de Deus, e na medida em que falham nela, começa a ser prejudicada, já desde a infância, a capacidade de assumir, como convém, o casamento. Por preparação remota para o matrimônio" (CNBB, Doc 12,1.8, p. 7).
06. A família, Igreja doméstica e a Comunidade cristã de base, comprometida com a realidade, irão dando no decorrer da vida o sentido cristão do matrimônio.
07. "Na escola, a educação para o amor cristão não deve ser exclusivamente limitada a informações isoladas, nem muito menos cingir-se simplesmente aos seus aspectos biológicos" (CNBB, Doc 12,1.10, p. 7).
08. "É todo um núcleo de valores que deve ser transmitido num processo educativo que, para ser válido, deverá respeitar a evolução natural da pessoa na sua realidade transcendente de filho de Deus e para o qual concorre, positiva ou negativamente, todo o ambiente escolar" (CNBB, Documento 12,1.11, p. 7 e 8).

PREPARAÇÃO PRÓXIMA PARA O MATRIMÔNIO
01. "O objetivo da preparação próxima para o matrimônio é propiciar aos noivos um aprofudamento na compreensão e vivência do amor bem como de sua celebração sacramental; conscientizá-los mais ainda a respeito das próprias responsabilidades; capacitá-los de fato para uma opção verdadeiramente adulta, consciente e livre, com que venham a assumir as exigências de um casamento feito perante a Igreja; torná-los conhecedores dos meios de que disporão para viver a vida matrimonial conforme o ideal evangélico" (CNBB, Documento 12,2.1, p. 10).
02. Sugere-se a formação de Equipes de Namorados e Noivos participantes da vida da Comunidade. O conteúdo dessas reuniões poderá ser organizado a partir dos objetivos propostos: partindo da Palavra de Deus, da vida e oração litúrgica, da participação nos Sacramentos, sobretudo na Penitência e Eucaristia e pela prática da caridade. Merecem especial preparação aos noivos não batizados ou que não fizeram a Primeira Eucaristia ou não receberam o Sacramento do Crisma (cf. Cân. 889 ss.). Essas reuniões poderão ser também feitas nas casas para se dar um cunho mais familiar. É oportuno salientar o item 2.14 do Documento 12 da CNBB, como parte importante da preparação próxima para o casamento, o processo de habilitação que favorece o encontro dos nubentes com o sacerdote. Esse encontro e diálogo esclarecedor é de grande importância, sobretudo para comprovar a liberdade dos noivos e o grau de instrução na doutrina católica.
03. Nas Paróquias ou Comunidades, onde se realizam os encontros preparatórios para o matrimônio, sejam organizadas EQUIPES DE AGENTES com devida formação para esse serviço. Esses agentes deverão, periodicamente, atualizar seus conhecimentos acerca do conteúdo dos Encontros. Entre os pontos essenciais que devem constar de uma catequese pré-matrimonial autêntica, ressaltamos os seguintes:
3.1. O matrimônio é uma sociedade entre dois filhos de Deus, destinada a realizá-los como filhos de Deus até a plenitude;
3.2. Pela vivência do amor-caridade como sinal e instrumento de amor fecundo de Cristo por sua Igreja.
3.3. Pela procriação e educação consciente e generosa dos filhos, como objetiva e concreta realização do amor conjugal, consagrado pela caridade fecunda de Cristo por sua Igreja.
3.4. É superação do dualismo que separa matéria/Espírito, corpo/alma; os jovens compreenderão que na vivência humana de seu amor é que se explicita e se realiza a dimensão sacramental do casamento.
3.5. É superação da superstição e da visão mágica do sacramento pelo entendimento de que sua eficácia depende da firmeza da disposição anterior e do esforço em vista do compromisso de amor assumido de forma adulta.
3.6. É a compreensão de que a fé implica compromisso ético para com a justiça e o amor do próximo, o qual deve ser vivido no matrimônio e transbordar para a Comunidade em que a família está inserida.
3.7. É a compreensão de que o amor humano é uma imagem do amor de Deus, que se caracteriza pela gratuidade.
3.8. É o entendimento de que o sacramento só deve ser assumido com prévia evangelização consciente, com opção de fé, de modo que por coerência e autenticidade, não devem os nubentes assumi-lo por simples imposição social (Pastoral da Família, Comunicação Mensal número 291, p. 1294 e Estudos da CNBB número 20, p. 5055).

OUTROS PONTOS A SEREM CONSIDERADOS
4.1. "A visão crítica sobre a família, mostrando o perigo do conservadorismo, do abafamento da personalidade da mulher, da manipulação realizada pelos meios de comunicação social, os perigos da educação funcionalista"
4.2. a visão crítica da sociedade, mostrando os conflitos, opressões, manipulações, interferências ideológicas que controlam a sociedade;
4.3. a explanação sobre a função social da sexualidade, mostrando que ela não é um mero assunto privado em função dos indivíduos, mas que tem uma função social, pela qual a pessoa está comprometida com a justiça e o amor ao próximo.
4.4. a visão da fé em Jesus Cristo, da Igreja e do Sacramento;
4.5. a visão do matrimônio, mostrando que ele atinge sua plenitude na disponibilidade de servir (Diretório dos sacramentos da arquidiocese de São Paulo p. 127);
4.6. Nas sedes paroquiais e nas Comunidades do interior onde já se conseguiram agentes de pastoral devidamente capacitados para isso, seja estabelecida como norma geral a obrigatoriedade da catequese matrimonial. A não obrigatoriedade levaria exatamente os jovens e as famílias mais precisadas a se eximirem dessa catequese... Aqueles que livremente escolhem casar na Igreja aceitam implicitamente as condições que esta exige (CNBB, Documento 12,2.10, p. 14).
4.7. Nos outros lugares onde não existem ainda os agentes de pastoral necessários para tal catequese, até que eles sejam formados - o que urge conseguir o mais rapidamente possível - será preciso contentar-se com uma preparação mais resumida antes do casamento, a qual nunca deve omitir-se.
4.8. Os padres e os agentes de pastoral assim como os demais cristãos com capacidade para propor uma catequese matrimonial eficiente, sejam incentivados a assumir tão importante ministério (CNBB, Documento 12, 2.11 e 2.12, p. 14 - 15).
4.9. Devem ser evitadas "preparações rápidas", em vista a cumprir meramente uma formalidade.
4.10. Há casos que merecem atenção pastoral especial. Em tais casos, os párocos poderão consentir na preparação particular.
4.11. Não esquecer da importância do acompanhamento dos recém-casados, sobretudo orientando-os com uma bem fundamental Pastoral Familiar, catequese essa que os capacitará a enfrentar as forças contrárias do amor, da união e da harmonia.
4.12.É preciso uma catequese bem fundamentada e ampla, para que possa ajudar aqueles que se acham afastados da vida eclesial comprometida. Não esquecer do espírito criativo, para não cair num mero mecanismo.

PROCESSO MATRIMONIAL
O Cânon 1067 deixa ao encargo da Conferência Episcopal as determinações sobre o processo da habilitação matrimonial. Para tanto é bom ter em mãos o "Decreto de promulgação da legislação complementação ao código de direito canônico", que, em seis parágrafos, considera:
- Colóquio com os nubentes
- Documentos exigidos
- Proclamas
- Residência
- Impedimentos
- Preparação doutrinal
01. O processo matrimonial deverá ser feito ao menos dois meses antes da data do casamento. A Cúria fornecerá formulário próprio, com seus respectivos requisitos e comprovantes.
02. Só ao próprio Pároco ou a outro sacerdote especialmente autorizado, compete o preenchimento da parte processual que envolve o juramento (cf. Cân.1 112). Além do aspecto burocrático, haja um contato pastoral, na dimensão da fé, antes da entrada formal do processo.
03. O processo matrimonial será feito na paróquia ou da noiva ou do noivo, ficando livre a opção.
04. Quando os nubentes são de diferentes paróquias numa mesma cidade, o processo deverá ser feito numa das duas paróquias de domicílio, pedindo à outra publicação de proclamas.
05. Quando os nubentes têm domicílio ou quase - domicílio na mesma paróquia e querem casar-se numa outra paróquia da mesma diocese, o pároco enviará a documentação juntamente com a ata de transferência à paróquia onde será celebrado o matrimônio. Ficará aí arquivada a documentação e anotada no livro de casamento. Esta mesma paróquia fará a notificação às respectivas paróquias.
06. No caso de Paróquias diferentes dentro da mesma Diocese, o procedimento é igual ao item 5 (quando os nubentes têm domicílio ou quase-domicílio na mesma Paróquia e querem casar-se numa outra da mesma Diocese).
07. Quando os nubentes forem de Dioceses diferentes e querem casar- se numa terceira Diocese, as Paróquias providenciarão os respectivos documentos de transferência (Antigo Instrumento Canônico). O processo do envio do documento de transferência segue o item 5 acima referido.
08. Uma vez feito o processo, deverão ser feitos os proclamas, anunciados ou afixados em local de fácil acesso, durante duas semanas. Os proclamas correrão nas Paróquias da residência dos noivos.
09. Caso os noivos peçam transferência de Paróquia para celebração do casamento, esta não poderá ser negada.
10. Quanto às taxas do processo matrimonial e da celebração: a) os noivos pagam a taxa onde o processo é feito; b) pagam a taxa da Celebração onde o casamento é realizado.

COMPROVANTE DE REQUISITOS
1. Dados pessoais
1.1. A apresentação do documento civil é necessária para comprovação (RG, Título de Eleitor ou Carteira Profissional).
1.2. Caso os noivos sejam menores de dezoito anos e se a maioridade não tiver sido declarada em juízo, deverão se fazer acompanhar pelos pais ou seus responsáveis. A idade mínima para o casamento é de dezesseis anos para o homem e 14 anos para a mulher (isto para a validade cf. Cân. 1083). Observando as prescrições do Cân. 1083,2 a CNBB estabeleceu a idade mínima para o homem 18 anos e para a mulher 16 anos (isto para liceidade cf. Cân. 1072).
2. Estado livre (este requisito é para demonstrar que os noivos não têm vínculo anterior que impeça o matrimônio).
2.1. Certidão autêntica de batismo expedida expressamente para o casamento e com data não anterior a seis meses de apresentação da mesma, incluindo eventuais anotações marginais do livro de batizados;
2.2. Atestado de óbito do cônjuge anterior, quando se trata de nubente viúvo;
2.3. Comprovante de habilitação para o casamento civil;
2.4. Outros documentos eventualmente necessários, ou requeridos pelo bispo diocesano (cf. Legislação complementares ao CIC, CNBB, nº. 16).
3. Batismo
É condição FUNDAMENTAL para o sacramento do matrimônio. A certidão será pedida quando os nubentes forem batizados em outro local diferente onde farão o processo matrimonial (compete à secretária paroquial pedir a certidão pelo correio). Caso os noivos façam o processo na Paróquia onde foram batizados, basta anotar no processo o número do livro do batismo, folha e número do termo.
Nota: Quando não se encontrar o termo do batismo, providencia-se uma certidão negativa. Neste caso, pede-se o testemunho de pessoas de confiança que conheçam o(a) nubente, pede-se o juramento do(a) persistir a dúvida quanto ao batismo, o(a) nubente deverá ser batizado(a) sob condição.
4. Eucaristia - Crisma
Batismo, Confirmação e Eucaristia, chamados sacramentos de iniciação, levam à plenitude cristã. Os noivos, antes do matrimônio, sejam motivados para receberem o sacramento da Crisma, caso não o tenham recebido e a participarem da Eucaristia. Se preciso for, providencie-se uma catequese especial para os dois sacramentos, evitando, porém, que seja apressada ou simplista (cf. Cân. 1065). Não seria bom, neste caso, o pároco solicitar a faculdade ao Ordinário para administrar o Sacramento da Confirmação? (cf. Cân. 882).

NOÇÃO SOBRE IMPEDIMENTOS
A - Em Geral
Tanto o código de 17 como o de 83 afirmam que o matrimônio tem como causa eficiente o consentimento dos nubentes, mas que este deve ser manifestado publicamente entre pessoas hábeis segundo o direito (cf. Cân. 1057). Hábil para contrair matrimônio é aquele que não possui algum impedimento, por outro lado, todos podem contrair matrimônio, desde que não sejam proibidos pelo direito (cf. Cân. 1058). Logo, qualquer limitação neste campo constitui uma exceção.
Com o impedimento matrimonial a pessoa, por força de uma determinada circunstância, é constituída objeto proibido do contrato.
O impedimento pode ser:
1. de direito divino - natural (positivo), isto é, pela própria natureza do matrimônio, como acontece nos casos de impotência ou de vínculo (diz respeito a todos os homens e não podem ser dispensados);
2. de direito eclesiástico, isto é, cabe à Igreja declará-lo com suas leis. No caso de disparidade de culto, de crime, se existir uma justa causa, podem ser dispensados. Foram praticamente suprimidos os impedimentos proibitivos (proibenti): voto público temporário, castidade perfeita, parentesco legal.
O Código afirma o princípio: não se dispensa jamais nem o impedimento de consaguinidade em linha reta, nem aquele de segundo grau de linha colateral.
Os impedimentos reservados à Santa Sé:
- Ordem Sagrada
- Voto público perpétuo de castidade emitido num Instituto Religioso de Direito Pontifício.
- Crime.
Colocados estes dois princípios, isto é, de não dispensabilidade (consanguinidade) e de reserva (:Santa Sé), o Código da faculdade geral ao Ordinário do lugar de dispensar de todos os outros impedimentos de direito eclesiástico dos seus súditos e daqueles que atualmente habitam no próprio território (cf. Cân. 1078 e 87).
Em caso de morte o Ordinário do lugar pode dispensar dos impedimentos de direito eclesiástico seja públicos ou ocultos (cf. Cân.1079) exceto aquele proveniente da Sagrada Ordem do presbiterato.
Goza da mesma faculdade de dispensar o impedimento eclesiástico o Pároco e o ministro sagrado (sacerdote ou diácono) legitimamente delegado.
Esta faculdade é ampliada no Cân. 1080, ao surgir um impedimento próximo à realização das núpcias na impossibilidade de se recorrer ao Ordinário do lugar (excetuando os impedimentos reservados à Santa Sé).
O Cân. 1081 se refere à comunicação ao Ordinário do Lugar da dispensada. O Pároco ou diácono que em conformidade com o Cân. 1079 e parág. 2 tenha dispensado o impedimento deve, sem atraso, referi-lo àquele que tenha autoridade de dispensa.
B - Em espécie
1. Direito divino - natural:
- Impotência "coeundi" Cân. 1084 (A esterilidade não é impedimento, a não ser em caso de dolo (cf. Cân. 1098)).
- Vínculo - Cân. 1085.
- Consanguinidade no primeiro grau da linha reta - Cân.1091.
2. Direito Eclesiástico:
2.1. Idade - Cân. 1083
a) 16 anos para o homem; 14 anos para a mulher.
b) Sem licença do Bispo diocesano, fora do caso de urgente e estrita necessidade, os Párocos ou seus delegados não assistam aos matrimônios de homens menores de dezoito (18) anos ou de mulheres menores de dezesseis (16) anos completos (cf. Complementação legislativa ao CIC CNBB número 27).
2.2. Disparidade de culto - Cân. 1086
Lembramos a diferença entre casamento misto e disparidade de culto. O casamento misto é a celebração do matrimônio entre dois batizados válidos, católico e acatólico. A disparidade de culto é a celebração do matrimônio entre um batizado na Igreja católica e um outro não batizado. Sobre a disposição normativa de matrimônio misto (cf. 2.11).
2.3. Ordem sagrada - Cân. 1087
2.4. Voto religioso - Cân. 1088
2.5. Rapto (ou sequestro) - Cân. 1089. Normalmente não se dá dispensa deste impedimento.
2.6. Crime - Cân. 1090.
2.7. Consanguinidade - Cân. 1091. Para a dispensa considerar até o quarto grau da linha colateral (entre primos irmãos). Para a dispensa contar as pessoas e não a geração.
Exemplo: 3º grau 4º grau (tio-sobrinho) (primos irmãos)
2.8. Afinidade - Cân. 1092. Trata-se da afinidade em linha reta em qualquer grau. Foi suprimido na linha colateral.
2.9. Pública honestidade - Cân. 1093. O âmbito deste impedimento é unicamente o primeiro grau da linha reta entre o homem e as consanguíneas da mulher e vice-versa.
2.10. Parentesco legal - Cân. 1094. O impedimento é em linha reta de forma indeterminada e em segundo grau da linha colateral. O teor do impedimento se regula pela legislação de cada nação.
2.11. Matrimônios mistos
São aqueles realizados entre duas pessoas batizadas, uma católica e outra acatólica (cânones 1124-1125- 1126 e 1086). A celebração é proibida sem a licença expressa da autoridade competente ou do Ordinário do lugar. Neste assunto a CNBB promulga: "Ao preparar o processo de habilitação de matrimônios mistos, o Pároco pedirá e receberá as declarações e compromissos, preferivelmente por escrito e assinados pelo nubente católico. A Diocese adotará um formulário especial em que conste expressamente a disposição do nubente católico de afastar o perigo de vir a perder a fé, bem como a promessa de fazer o possível para que a prole seja batizada e educada na Igreja católica. Tais declarações e compromissos constarão pela anexação ao processo matrimonial do formulário especial, Pároco no mesmo processo. Ao preparar o processo de habilitação matrimonial, o Pároco cientificará, oralmente, a parte acatólica dos compromissos da parte católica e disso fará anotação no próprio processo" (cf. Legislação Complementar ao Código de Direito Canônico - CNBB referente aos cânones 1126 e 1129 - Decreto 4/86).
C - Outros casos que necessitam de dispensa
1. Casamentos "ecumênicos"
Para isto cf. Cân. 1127,3. O consentimento dos noivos é sempre solicitado e recebido pelo ministro assistente católico. O ministro não católico pode participar ativamente da celebração (oração, leituras, homilias, bênçãos).
2. Forma Canônica Ordinária: Poderá ser dispensada pelo bispo diocesano - Cân. 1127 parág.2
Promulgação da CNBB sobre o Cân. 1127 parág. 2 (Decreto 4186): "Para se obter uma atuação concorde quanto à forma canônica dos matrimônios mistos, observe o seguinte:
2.1. A celebração dos matrimônios mistos se faça na forma canônica, segundo as prescrições do Cân. 1108.
2.2. Se surgirem graves dificuldades para sua observância, pode o ordinário do lugar da parte católica, em cada caso, dispensar da forma canônica, consultado o ordinário do lugar onde se celebrará o matrimônio
2.3. Consideram-se dificuldades graves:
2.3.1. Sério conflito de consciência em algum dos nubentes; 2.3.2. Perigo próximo de grave dano material ou moral;
2.3.3. Oposição irredutível da parte não próximo.
2.4. Atenda-se também, na concessão da dispensa, à repercussão que possa ter junto à família e Comunidade da parte católica.
2.5. Em substituição da forma canônica dispensada, exigir-se- á dos nubentes, para a validade do matrimônio, alguma forma pública de celebração. 2.6. Quando a anotação dos matrimônios celebrados com dispensa da forma canônica, observe-se o procedimento prescrito no Cân. 1121 parág. 3.
3. Forma canônica extraordinária
Se, por graves razões, o ministro assistente não puder estar presente, os noivos podem casar-se validamente perante duas testemunhas, nesses dois casos:
- em perigo de morte;
- fora de perigo de morte, contanto que prudentemente se preveja que este estado de coisas vai durar por um mês - Cân. 1116 parág.1.
4. Casos que merecem atenção
Exceto em caso de necessidade, sem a licença do Ordinário local, ninguém assista:
4.1. a matrimônio de vagos: Entende-se por vagos aqueles que não têm domicílio ou quase domicílio em nenhum lugar, conforme o Cân. 100 e Cân. 102. Para estes não conta o Cân. 1066.
4.2. a matrimônio que não possa ser reconhecido ou celebrado civilmente.
É o caso de uma das partes unida civilmente em matrimônio não reconhecida pela Igreja ou porque os contraentes são contrários à transcrição por motivo de pensão que querem conservar e que perderiam com a transcrição. Neste caso, é preciso consultar antes de ter a licença do Ordinário do local;
4.3. a matrimônio de quem tem obrigações naturais para com outra para ou parte com filhos nascidos de união precedente;
4.4. a matrimônio de quem tenha abandonado notoriamente a fé católica;
4.5. a matrimônio de quem esteja sob alguma censura;
4.6. a matrimônio de menor sem o consentimento ou contra a vontade razoável de seus pais;
4.7. a matrimônio a ser contraído por procurador, mencionado no Cân. 1105 e Cân. 1071 parág. 1.
Anotação dos casamentos

ARQUIVO DE LIVROS E DOCUMENTOS (Cân. 1121 - 1122)
1. Todos os casamentos realizados em território paroquial deverão ser logo transcritos em dois livros rubricados pela Cúria. Um dos livros permanecerá no arquivo da Cúria após seu encerramento.
2. A anotação da Ata do casamento faz-se somente na Paróquia onde foi celebrado o casamento.
3. A notificação do casamento é enviada às Paróquias onde os noivos foram batizados, para devido assentamento no livro de batismo.
Celebração do matrimônio
1. Assistência
- Por direito próprio compete ao Ordinário do lugar e ao Pároco assistir aos matrimônios. Inclui-se também sob o conceito de Pároco o quase-pároco (Cân. 516); o administrador paroquial (Cân. 540) e o vigário paroquial (Cân. 549).
- Ainda, no caso da Paróquia estar confiada a um grupo de padres, cabe a qualquer um dos membros dessa equipe (cf. Cân. 517 e 543).
- Quanto à jurisdição para assistir ao matrimônio, deve ser dada por escrito ou pela Cúria na provisão ou pelo Pároco.
- Por delegação, compete aos outros sacerdotes que não sejam párocos do local onde se realiza o matrimônio, assim também aos diáconos. Essa delegação pode ser especial, isto é, para determinado casamento, ou geral para qualquer casamento. A licença sempre por escrito (cf. Cân. 1111). - Onde faltam presbíteros ou diáconos, pode o Bispo diocesano, conforme parecer da Conferência dos Bispos e licença da Santa Sé, delegar a leigos idôneos a faculdade de assistir aos matrimônios (cf. Cân. 1112).
2. Local
A celebração seja feita normalmente na Igreja paroquial de um dos noivos.
Se razões pastorais aconselharem, a celebração poderá ser feita noutro local (cf. Cân. 1115-1118).
Valorize-se a participação ativa dos presentes à celebração, a saber: disposição da assembléia, folhetos, equipe de celebração, etc.
3. Horários
Sejam oferecidos horários de acordo com a realidade de cada comunidade.
4. Padrinhos
Para padrinhos, sejam escolhidas pessoas idôneas que possam testemunhar conscientemente a união sacramental.
5. Local da celebração
Evitem-se o luxo e a exibição. Qualquer forma de ostentação e desperdício é contrária ao espírito cristão de simplicidade. Flores e enfeites sejam muito simples e retirados somente depois de realizados todos os casamentos do dia.
6. Músicas
Sejam executadas músicas religiosas, sacras e adaptadas (clássicas) à celebração litúrgica do Sacramento do matrimônio.
7. Iluminação
Usar somente a iluminação existente no Templo. Proíba-se o emprego de holofotes, jatos de luz, afastando-se qualquer moldura teatral contrária ao espírito litúrgico da celebração.
8. Celebração propriamente dita:
- Idealmente a celebração do matrimônio deveria ser durante a Missa, mas tendo o cuidado que esta não se torne enfeite. Aos domingos e solenidades celebra-se a missa do dia, acrescida da bênção nupcial. Pode-se substituir uma leitura do dia por outra apropriada e dar bênção final da celebração do matrimônio (Introdução ao ritual número 6 e 11.)
- O Ritual romano e o CIC permitem uma grande liberdade de adaptação, complementação e acréscimos à liturgia do matrimônio. Cabe aos ministros assistentes, movidos pelo zelo pastoral e senso de oportunidade avaliar o que fazer em cada caso (Introdução ao ritual, nos 12 e 16; cf. Cân. 1120).
- Os ministros assistentes tenham especial atenção com os que vêm participar da celebração. Muitos, normalmente, não participam da vida da Igreja. Especial cuidado se deve à liturgia da Palavra (Introdução ao ritual, Nos 6 e 9).
Casos especiais
1. Tempos penitenciais
Quando o matrimônio for celebrado no tempo do advento e da quaresma ou em outros dias de penitência, o pároco previna os noivos do caráter penitencial desses tempos litúrgicos (Introdução ao ritual, nº. 11; cf. também Diretório litúrgico).
2. Falta de fé dos noivos
Quando as pessoas batizadas pedem a celebração do matrimônio, mas se revelam indiferentes ou declaram a sua não crença, há necessidade de que sejam evangelizadas. Nestes casos, deve-se evitar tanto a recusa imediata, quanto a fácil aceitação da celebração. Uma atitude pastoral justa e equilibrada exige que não se sacrifique nem a verdade, nem a caridade. Se, depois de todo o esforço, se chegar à negação do Sacramento, esta recusa terá sido um gesto de respeito à própria personalidade de quem, pedindo o sacramento, reconhece que não tem fé (cf. Orientações pastorais sobre o matrimônio. CNBB, Doc. 12, p. 16-19).
3. Legitimação
Ocorre quando o casal já vive unido civilmente ou não. Por nenhum título se pode obrigar o casamento. Uma evangelização bem feita poderá ajudar a descobrir o sentido do sacramento e assumi-lo livremente. A celebração seja mais simples e digna.
4. Casamento religioso de casados no civil e separados
Uma vez que a separação seja de todo irrecuperável, seguir as seguintes indicações:
4.1. "Não se consagre uma facilitação total que poderia incentivar pessoas mal intencionadas a procurarem o contrato civil, com a alternativa de tentar uma segunda união através do casamento religioso.
4.2. Haja certeza que não houve casamento religioso ou que o casamento civil anterior não tenha validade canônica (cf. Cân. 1105).
4.3. Haja sinais satisfatórios de fé, com desejo sincero de constituir uma família fundada na vida cristã.
4.4. Haja participação na vida comunitária da Igreja.
4.5. O tempo de separação do outro cônjuge seja razoável.
4.6. Haja garantia de assistência ao outro cônjuge e aos filhos.
4.7. As causas da separação sejam esclarecidas.
4.8. Faça-se declaração formal, por escrito, da aceitação da indissolubilidade do sacramento do matrimônio.
4.9. Que se cumpram as exigências civis com o novo casamento (sendo possível).
4.10. As celebrações sejam simples de forma que evitem constrangimento e escândalos.
4.11. Cumpridas todas as exigências e com o testemunho de sacerdotes ou pessoas responsáveis, cabe ao Bispo diocesano autorizar a celebração matrimonial (CNBB, Documento 12, p. 28 - 29).
5. Separados
Sabemos que a separação é sempre um drama. A Igreja procurará ter sempre, para com as pessoas nessa situação, a maior compreensão e o espírito de toda ajuda possível. Portanto, não se deixará levar apenas pelos aspectos jurídicos da questão.
Cabe aos sacerdotes fazer conhecidos os Tribunais Eclesiásticos e orientar as pessoas para que recorram a eles em busca de solução (FC 83).
6. Divorciados com nova família
Especialmente diante daqueles que apesar desta situação procuram a Igreja e manifestam desejo de manter com ela relacionamento mais profundo, deve-se ter atitude de autêntica misericórdia. A atitude pastoral levará a examinar, com justiça e amor, cada caso concreto, evitando-se preconceitos e generalizações. O divorciado não pode ser reduzido ao seu divórcio. A pessoa é mais que a situação. Embora a Igreja não admita o casamento religioso dos divorciados (que se casaram legitimamente), não pode deixar de ajudá-los. Permanece o impedimento à comunhão eucarística. A pastoral dos divorciados é realidade nova e desafiadora. Um caminho difícil. É preciso muito discernimento para ver como se pode trabalhar neste campo sem trair a fé e o amor. Lembra-se aos sacerdotes e ministros assistentes que bênçãos que possam simular sacramentos são proibidas (CNBB, Documento 12, p. 31 - 33 e FC 84).

Outras considerações sobre o matrimônio
Casamento - Sacramento Indissolúvel?
Por que a Igreja católica proclama o matrimônio como sacramento indissolúvel? Os outros crentes adotam simplesmente a lei civil sobre o casamento e o divórcio. Qual é o ensinamento da Bíblia? A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito da indissolubilidade do matrimônio, como consta de Mt. 19,3 - 9. Nesta disputa com os fariseus, acostumados a repudiar facilmente as suas mulheres, Jesus lhe responde: "Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: - Por isso deixa o homem pai e mãe e une-se com sua mulher e os dois formam uma só carne?... Não separe, pois, o homem o que Deus uniu". - Acrescentaram eles: - "Então, por que Moisés mandou dar-lhes libelo de repúdio e despedi-la? Respondeu-lhes Jesus: - "Por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos Moisés repudiar as vossas mulheres, mas no princípio não era assim". - E agora, com a autoridade do divino Legislador, Jesus restabelece a ordem primitiva, declarando: "Ora, Eu vos digo: - Todo o que despedir a própria mulher, salvo o caso de concubinato, (e não de adultério, como traduzia-se erradamente), e casar-se com outra, comete adultério, e quem casar-se com uma repudiada, comete adultério".
Em 1 Cor. 7,10 - 11 são Paulo reafirma a indissolubilidade do matrimônio, escrevendo: "Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem casar, ou se reconcilie com seu marido. Igualmente o marido não repudie sua mulher". Portanto, segundo as expressas declarações da Bíblia, não há mais lugar para o divórcio e o novo casamento, entre cristãos casados.
Sacramento. Na carta aos Efésios (Ef. 5,25 - 33), S. Paulo recomenda aos maridos amarem suas esposas,"como Cristo amou sua Igreja e se entregou a si mesmo por ela, a fim de a santificar... para que seja santa e irrepreensível", - e acrescenta: - "Esse mistério (= sacramento) é grande, quero dizer, com referência a Cristo e a Igreja".
Por esse mistério (sacramento) o contrato natural do matrimônio, e a convivência cotidiana do casal cristão, representando e encarnando o amor fecundo de Cristo à sua Igreja, é levado a uma nova dignidade e realidade transcedental, ou ao plano sacramental.
É verdade que nos primeiros séculos, nos tempos da perseguição, o sacramento do matrimônio não tinha ainda fórmulas prescritas, e era contraído no ambiente familiar; mas a Igreja católica nunca o entregou às autoridades civis do Estado, (como fazem muitos "crentes"), e depois prescreveu em pormenores as exigências para sua válida celebração na Igreja.
Mesmo que a Igreja Católica nunca aprove o divórcio, em alguns casos o Tribunal eclesiástico do Matrimônio pode declarar a nulidade de um "matrimônio", quando depois de séria investigação fica provado que, na celebração de tal "casamento"na igreja, faltaram condições essenciais para sua validade, exigidas pela lei da Igreja, (idade, liberdade etc.). Isso não é concessão do divórcio, mas apenas uma declaração de que - apesar da cerimônia religiosa, - o tal "matrimônio" não era validamente contraído, isto é, nunca se realizou.
Para todos os casados vale a exortação bíblica da carta aos Hebreus: "Seja por todos honrado o matrimônio. e o leito conjugal sem mácula; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros" (Hb. 13,4).

Fonte: Padre Félix
http://www.padrefelix.com.br/sacr_matrimonio01.htm

Família, principal via de se transmitir a fé


No final de novembro/10 realizou-se em Roma o Congresso Internacional sobre família, discutindo o tema "A família cristã, sujeito de evangelização". "A família cristã desde sempre foi a principal via de transmissão da fé e ainda hoje tem grandes possibilidades de evangelização", lembrou o Cardeal Ennio Antonelli, presidente do Pontifício Conselho para a Família.


O Congresso, do qual participaram mais de 200 pessoas, teve como objetivo reforçar o papel da família como "destinatária e comunicadora da mensagem evangélica por meio de uma resposta onde ao mesmo tempo se aceite o anúncio, se inicie um compromisso propositivo e um forte testemunho de um estilo de vida autenticamente cristão". No evento, foram apresentadas 66 experiências de como a família é hoje e como pode ser protagonista de uma fé que muda corações e a sociedade. As experiências foram selecionadas dentre as 187 de todo o mundo, enviadas ao Pontifício Conselho para a Família. As experiências "falam com a linguagem dos fatos e são mais persuasivas do que as idéias, porque não indicam somente o que se deve fazer, mas também aquilo que, com a ajuda de Deus, é possível fazer", frisou o Cardeal Ennio.


Fonte: Padre Geraldo, Vivências 161 (7/12/2010), Aparecida das Águas.

sábado, 6 de novembro de 2010

“Santa Teresa e a família” e “Santa Teresa, mulher do século XXI, ante os desafios do mundo moderno”

Ir. Verônica do Coração de Maria OCD.

Queridos amigos e amigas aqui presentes, boa noite a todos!
Antes de mais nada, vou me apresentar àqueles que não me conhecem: sou Ir. Verônica do Coração de Maria, monja Carmelita Descalça pertencente ao convento de Santa Teresa, em Santa Teresa. Justamente o núcleo colonizatório e histórico, que deu nome ao bairro, pois o bairro de Santa Teresa nasceu em torno de nosso convento, fundado em 1750 por Madre Jacinta de São José, sob os auspícios do Conde de Bobadela, então 9º Vice-Rei de Portugal, sendo por isso, o primeiro mosteiro carmelita Descalço fundado em terras brasileiras.
Neste momento em que me apresento, gostaria de estar entre vocês, simplesmente como irmã, que puxasse a cadeira, e, se possível fosse, me sentasse ao lado de cada um, de cada uma, e de lhes falar, fitando bem nos olhos, a fim de que minhas palavras pudessem tocar-lhes o coração “com mão branda e toque suave”.
Por vocação não sou conferencista nem palestrante; sou apenas monja, mulher de oração, filha espiritual e discípula de nossa grande Santa Madre Teresa de Jesus, e como Irmã que reza pelas necessidades da Igreja, da humanidade, de cada pessoa, que acorre a nosso mosteiro com seus sofrimentos, angústias, esperanças, a partir de minha experiência vivencial conduzirei esta singela abordagem, centrada em duas temáticas básicas: “Santa Teresa e a família” e “Santa Teresa mulher do século XXI ante os desafios do mundo moderno”.
Com muito carinho e alegria, aceitei o convite de meus queridos co-Irmãos da comunidade da Basílica Santa Teresinha, por meio de Fr. Wilson, para deixar a solidão e o silêncio de minha clausura e estar esta noite com vocês, e também posso acrescentar... Aceitei este convite com “temor e com tremor”; alegria e carinho porque é sempre com júbilo que um filho, uma filha de nossa Santa Madre Teresa, deixa extravasar seu coração para falar de uma mãe genial e muito amada, “com temor e com tremor”, porque é também desafiador a uma monja enclausurada falar em público, em curto espaço de tempo para transmitir toda a riqueza e a pura seiva da espiritualidade teresiana; mas peço ao Divino Espírito Santo, especialista em se servir de instrumentos pobres e pequenos, que se sirva de meu nada como instrumento Seu, e possa operar Ele mesmo, trazendo Teresa como nossa interlocutora e transformando minhas singelas palavras em luz que ilumine o caminho, bálsamo para as feridas existenciais, bússola que possa nortear alguém, em algum momento cruciante de decisão.
Todos nós sabemos por experiência que a família é o primeiro núcleo onde somos modelados como pessoas, onde formamos nossas personalidades e educamos nossos caracteres; onde aprendemos a dar e a receber o afeto, a obedecer, a pensar nos outros, a renunciar muitas vezes à nossa vontade própria, a ser caridosos partilhando o que temos, a nos doar através da entrega abnegada de cada cotidiano .
A família é também o lugar privilegiado onde descobrimos nossas potencialidades, luzes e sombras de nosso “ego”, fraquezas, limites pessoais e a partir desta experiência vivencial, nos abrimos paulatinamente a novos horizontes de misericórdia e capacidade de perdão, para com aqueles que amamos e que nos cercam, mais de perto; gostaria agora de evocar as palavras de um grande místico moderno Thomas Merton, ao escrever: “A miséria é para nós vantagem, quando de nada precisamos a não ser de misericórdia”. É justamente o Livro da Vida, autobiografia de Teresa, da qual extraí a maior parte das citações aqui utilizadas - a obra por excelência onde ela canta as misericórdias operadas pelo Senhor em sua trajetória humana e espiritual.
Nós sabemos que este livro foi escrito a pedido de seus confessores, a fim de narrar sua vida interior e dele brotam suas reminiscências de infância e mocidade. Nele, bem como em suas cartas, Teresa, por assim dizer, desnuda o seu coração, “expondo sem respeito humano seus sentimentos, experiências, medos e desejos” .
A experiência familiar de Teresa - vivida em pleno século XVI, século das grandes conquistas ultramarinas, período histórico onde a Espanha era conhecida como o “Império sobre o qual o sol não se punha” - terá um denominador comum com as famílias de nossos dias, em nosso turbulento século XXI?
Seu pai D. Alonso Sanchez de Cepeda enviuvou muito cedo ficando com dois filhos; casou-se novamente com D. Beatriz de Ahumada, quando esta contava 15 anos. Teresa, nascida em 28 de março de1515, em Ávila, é filha do segundo casamento, do qual D. Alonso terá 10 filhos; uma família de 12 irmãos, onde Teresa era a mais querida de seu pai, apesar de seus defeitos.
Teresa em sua autobiografia faz clara menção à influência de seus pais em sua vida. As virtudes que possuíam e os valores que procuravam inculcar em seus filhos.
Agora, tomo a liberdade de trazer Teresa como nossa interlocutora, cedendo a ela a palavra: “Ter pais virtuosos e tementes a Deus me deveria bastar se eu não fosse tão ruim... com o que o Senhor me favoreceu para ser boa. Meu pai gostava de ler bons livros e os tinha em vernáculo para que seus filhos os lessem. E isso, ao lado do cuidado de minha mãe em fazer-nos rezar e ter devoção por Nossa Senhora e por alguns santos.
“Meu pai era homem muito caridoso para com os pobres e piedoso com os enfermos e até com os criados (...) era muito sincero. Ninguém jamais o viu praguejar ou murmurar. Era homem de extrema honestidade” (Vida 1, 1).
Teresa reconhece que tudo o que é em sua maturidade, foi moldado na infância, vendo como viviam os pais, no relacionamento e brincadeiras com os irmãos, vivenciando a partilha calorosa do afeto com os familiares.
Pais e mães queridos que aqui estão, também avós, tios e tias, que tanta influência exercem na formação dos netos e sobrinhos, hoje, em que as mães assumem o peso da administração da casa, da educação dos filhos e o tributo das fadigas da vida profissional, muito vezes deixando as crianças menores na creche ou com os demais familiares, não percam nenhuma oportunidade de lançar uma semente de Deus nos corações infantis ou jovens de seus filhos, netos e sobrinhos, procurem cultivar em seus corações o valor da amizade com Deus, da devoção a Nossa Senhora e aos Santos, o gosto pela oração, a alegria de se sentirem filhos e filhas amados e amadas de Deus, estimulando-os a frequentar sua casa, que é a Igreja.
Por maior que seja o amor que vocês lhes dedicam, vocês não serão capazes de colocar anteparos e tirar de seus caminhos as pedras inevitáveis do sofrimento. Sobretudo, em momentos em que experimentarem perdas afetivas muito profundas, seja pela morte de entes queridos, seja pela separação, feridas contundentes causadas pela batalha da vida, quando os valores lhes vão sendo tirados pela ação despojadora do tempo - e quem de nós jamais fez tal experiência?- Somente lhes restará para dar-lhes tônus moral, envergadura psicológica, consistência afetiva, o tesouro estável e duradouro da fé, do hábito da oração, da presença de Deus, no íntimo do ser, em seu Castelo Interior.
É Teresa que nos aconselha: “Espere tudo da misericórdia de Deus, sabendo que ninguém o tomou como amigo sem ser amplamente recompensado” (Vida 8,5).
Ao perder sua mãe, aos 13 anos, experimenta a eficácia da proteção materna da Virgem Maria, segundo seu testemunho: “Recordo-me de que, quando minha mãe morreu, eu tinha doze anos (...) Quando comecei a perceber o que havia perdido, fui aflita a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-lhe com muitas lágrimas que fosse minha mãe. Parece-me que, embora o fizesse com simplicidade, isso me tem valido, porque reconhecidamente tenho encontrado essa Virgem soberana sempre que me encomendo a Ela e finalmente atraiu-me a Si” (Vida 1,7)
Nas datas mais marcantes da vida de nossas crianças e jovens, aniversários, Natal, a vitória da aprovação no vestibular, em meio aos presentes desejados, roupas, calçados, vídeos games, filmadoras, um potente laptop, não deixem também de oferecer-lhes o insubstituível presente de um bom livro, presente até menos caro e sempre portador de valores morais e religiosos; como já foi citado, através do exemplo de seu pai, afeito a boas leituras, Teresa adquiriu o gosto pelos livros e seu proverbial amor pela cultura.
Todos conhecemos a importância das relações entre irmãos na formação da pessoa humana, sob o ponto de vista social constituem a primeira etapa para a inclusão de crianças e jovens no grupo de amigos, na escola e na sociedade e do ponto de vista pessoal, tais relações influenciam o desenvolvimento da personalidade, pois os irmãos tendem a se imitar. Teresa aqui também vivenciou em profundidade a dimensão do afeto fraterno e, assim nos narra “Tinha um irmão quase da minha idade (...) Juntávamo-nos a ler vidas de santos (...). Espantava-me muito dizer que pena e glória era para sempre (...) Gostávamos de dizer muitas vezes: para sempre, para sempre. Em pronunciar isto muito tempo era o Senhor servido que me ficasse impresso, na meninice, o caminho da verdade” (Vida 1,5) .
“Esta verdade, sempre buscada pelo homem de todas as épocas, o homem que guarda perenemente em seu coração a sede do sagrado” e a sede de felicidade.

“Santa Teresa mulher do século XXI ante os desafios do mundo moderno”

Nestes cinco séculos que nos separam de nossa Santa Madre Teresa, quatro correntes culturais tentaram criar uma “pedagogia da salvação” para o homem, mas não o conseguiram. O Humanismo (século XVII), o Iluminismo (século XVIII), o Racionalismo (século XIX) e o Materialismo (século XX) .
Surgiram confrarias, sociedades, clubes, seitas com o objetivo de estancar no homem moderno, solitário e deprimido – apesar da possibilidade até mesmo de ter “amigos na rede on-line”- nossos homens e mulheres, às vezes errantes, em sua sede de ser feliz. Só o amor e a liberdade respondem pela verdadeira felicidade do homem. A comunhão com a fonte da vida- Deus, Uno e Trino- o faz tomar consciência de sua filiação, de sua dignidade e grandeza e de sua responsabilidade no panorama do mundo.
“Deus é aquele que sabemos que nos ama. Não pode querer o mal... por razões de época- o Renascimento e por razões espirituais, Teresa é humana e humanista. O que transparece, por exemplo, em sua noção de santidade: “quanto mais santas mais conversáveis” (CV)” e ainda “a caridade cresce com a comunicação” (Vida 7, 22).
Assim, os escritos de Teresa e seus ensinamentos não se dirigem apenas aos homens e mulheres do século XVI, mas a colocam bem próxima de nós, por ser Teresa afetiva em suas relações, comunicativa, ardorosa em seu amor à vida e amor pela cultura, apaixonada em sua aventura espiritual, com seu espírito clarividente e aberto.
Este patrimônio não é exclusivo da Igreja e da Ordem do Carmelo, pertence a toda a cristandade e não somente aos cristãos, mas a qualquer homem e mulher em busca de maior plenitude interior; assim, Teresa é estudada não apenas por religiosos, cristãos e intelectuais, mas até por agnósticos e marxistas, como o filósofo Roger Garaudy, que afirmou em uma conferência em Salzburg: “Para nós, marxistas, os maiores representantes do amor humano são os místicos espanhóis Santa Teresa e São João da Cruz”.
A atualidade de sua doutrina deve-se ao fato de que por ela as angústias existenciais tão características de nossa época são superadas por uma realidade maior e mais fecunda: o absoluto de Deus, um valor que não se deteriora ante a transição dos séculos. Teresa ensina ao homem e à mulher de todos os tempos a atingir o centro de seu ser, o seu Castelo Interior, através do encontro íntimo com o verdadeiro Deus, pela da oração. E para Teresa, tão humana e afetiva, o que é fazer oração, o que é rezar? “Não é outra coisa a oração mental... senão um trato de amizade, estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida, 8,5) e ainda:” O amor é todo o bem da oração fundada na humildade” (Vida 10,5).
Sua confiança em seu Senhor, que ela de maneira tão fidalga, não hesitava em chamar de “Sua Majestade”, não deixava em detrimento sua intimidade filial e amorosa para com São José, do qual foi a precursora de seu culto, na Igreja. A este respeito escreve: “A outros Santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso S. José tenho experiência de que socorre em todas’ (V. 6,6); “Só peço por amor de Deus, que o prove quem não me crer, e verá por experiência o grande bem que é encomendar-se a este excelso Patriarca e lhe ter amor” (Ibdem); “Ainda que tenha muitos santos por advogados, tenha sempre particular devoção a São José, que muito alcança de Deus” (Aviso nº 65).
Teresa é mulher de carne e osso encarnada em nosso tempo, nada faltaria mais à verdade de seu ser que imaginá-la aureolada, sobre os altares e somente arrebatada em elevados êxtases, bem ao contrário Teresa é pragmática e realista. Enquanto gestava a Reforma e escrevia suas Constituições, esmerava-se também em fazer com bom tempero a refeição de suas monjas.
Citarei aqui um excerto de um dos artigos da profª Lúcia Pedrosa de Pádua, sem dúvida a maior teresianista de nosso Brasil: “Teresa é escritora e mestra de espirituais- um reconhecimento raro às mulheres e que não lhe custou barato, haja vista as censuras, as críticas, as desconfianças, o ódio levantado contra ela em sua ação de registrar sua experiência e exercer o magistério teológico-espiritual. Chegou até nós, através do testemunho do teólogo dominicano Domingo Bañez, a informação sobre o preconceito que o teólogo Bartolomé de Medina tinha sobre Teresa, antes de conhecê-la e tornar-se seu amigo.
Para ele não era próprio de “mulheres irem de um lado para outro e que ela faria muito melhor em permanecer em casa e ali rezar e fiar.
E no entanto, Teresa torna-se mulher da palavra escrita”.
Vivemos num mundo e numa sociedade repleta de contradições. Por todo lado, sobretudo, numa grande cidade como a nossa, envolve-nos a violência e a insegurança.
Os meios de comunicação ajudam a divulgar imagens do mundo da criminalidade e da morte, a questão do aborto e outras tantas.
Em meio a uma cultura de morte, sejamos nós cristãos convictos, construtores da civilização do amor, obreiros do Reino de Deus; não sejamos tíbios em dar nosso testemunho de crença no Senhor da Vida.
Que nossas famílias sejam, sempre e cada vez mais, promotoras da verdadeira dignidade da pessoa humana, portadoras de valores cristãos, Igreja doméstica.
A todos aqui presentes, que procurem aproximar suas crianças e jovens de Deus, através do exemplo de suas próprias vidas. O exemplo forja, convence, arrasta em seu seguimento mais do que meramente as palavras.
Em meio à fadiga e à pressão do mundo moderno, temos muitas vezes a tentação de guardar Deus em alguma gaveta da casa e tirá-lo somente para a Ele recorrer nos momentos prementes de angústia e de dor.
Que Ele seja o Amigo de caminhada, como nos ensina Teresa em seu magistério “que mais queremos além de um Amigo tão bom ao nosso lado, que não nos deixa passar sozinhos por sofrimentos e tribulações? (...) Bem-aventurado quem o amar de verdade e sempre o tiver junto a si” (Vida 22,7)
Que Teresa de Jesus nos ensine a ser “amigos fortes de Deus”, audazes em construir pontes ao invés de abismos, incansáveis em buscar a intimidade divina em nosso Castelo Interior.
Que Ela seja enfim, no difícil momento histórico em que vivemos, profetisa de uma “esperança que não decepciona”.

Bibliografia:
Obras Completas de Santa Teresa, Ed. Loyola, 1995
Châtelet, François in História da Filosofia, Idéias, Doutrinas- Zahar Editores, 1974
Blayney, Geoffrey in “Uma breve História do mundo”, Editora Fundamento, 2009
Pedrosa, Lúcia de Pádua in Relações de gênero e desafios da vida afetiva
Atualidade da espiritualidade de Santa Teresa de Ávila- PUC- Rio
Garcia, Júlia Villa in Influência da família em Santa Teresa e papel da família atual na educação dos filhos- Universidade Pontifícia de Salamanca