"Poderíamos aqui meditar sobre como seria saudável também para a nossa sociedade atual se num dia as famílias permanecessem juntas, tornassem o lar como casa e como realização da comunhão no repouso de Deus" (Papa Bento XVI, Citação do livro Jesus de Nazaré, Trad. José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ, São Paulo: Ed. Planeta, 2007, p. 106)
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma família com sete vocações religiosas: Irmã Maria Stella,ocd, conta sobre uma família dedicada ao Sagrado Coração de Jesus!

Entrevista com Ir. Maria Stella, ocd - Carmelo Cristo Redentor 

Carmelita celebrou 60 anos de Vida Consagrada

            Na Comunidade das Irmãs Carmelitas do Carmelo Cristo Redentor, de Picadas do Sul, São José... uma das fundadoras do Carmelo e por vários anos sua Madre Superiora, comemorou, em 2010, os 60 anos de Vida Consagrada...
            Natural de Arroio do Meio, RS, Irmã Maria Stella teve a sua vocação despertada em tenra idade. Dos seus sete irmãos, todos tiveram iniciação à vida religiosa. Apenas um deles, embora sentisse forte o desejo de seguir a vida religiosa, foi orientado por seu formador a seguir outro caminho. Casou-se e teve dois filhos.
Três irmãos foram ordenados sacerdotes: dois Diocesanos e um Jesuíta. Outro, de nome Aloysio se tornou Religioso Jesuíta e reside na Casa de Retiros, no Morro das Pedras. Suas duas irmãs entraram na Congregação das Irmãs da Divina Providência. Em 1960, faleceu o Pai. Um ano depois, sua mãe também ficou Religiosa, tendo a filha mais velha como mestra.
Na entrevista que segue, Irmã Maria Stella conta como foi despertada a sua vocação, a da sua família, do que é preciso fazer para aumentar o número de vocações e de como é a vida no Carmelo.

Jornal da Arquidiocese - Como foi despertada a sua vocação para a vida religiosa?

Irmã Maria Stella –
Desde criança desejei ser religiosa. Creio que a vocação me foi infundida no Batismo.

JA - Por que escolheu a Ordem das Irmãs Carmelitas?

Irmã Maria Stella –
A leitura da vida de Santa Teresinha do Menino Jesus me empolgou, sua espiritualidade suscitou em meu coração o desejo de trilhar o seu Pequeno Caminho da confiança e do abandono, no silêncio da clausura, buscando a Face de Deus, consagrando todo o meu ser ao serviço da S. Mãe Igreja, pela oração e renúncia contínua, pelo aumento e santificação dos Sacerdotes, religiosos e religiosas.
  
JA - A senhora é de uma família de oito irmãos e todos foram chamados a vida consagrada. Como se deu essa bênção?

Irmã Maria Stella –
Como se deu, não sei. Isto só Deus sabe. O que posso dizer é o seguinte: Quando meus pais tinham três filhos, o mais velho com quatro anos e meio, um sacerdote consagrou oficialmente a família ao Sagrado Coração de Jesus (SCJ). Mamãe sempre nos dizia que consagrou também todos os que ainda viriam, assim que os 5 que vieram depois, já antes de existirem, estavam consagrados ao Coração de Jesus. Desde 1922, na primeira sexta-feira do mês, Mamãe e os filhos a cavalo ou a pé, íamos participar da Santa Missa e fazer a Comunhão Reparadora. À noite, todos nos reunimos, tendo à frente Papai, que renovava a consagração ao SCJ. Lembro muito bem com que unção Papai rezava e como tomou a sério a consagração da família ao S. Coração de Jesus. Aos domingos e festas era sagrado para nós a participação da Santa Missa. Confessávamos regularmente e sempre que podíamos ir à Santa Missa, comungávamos. Todas as noites rezávamos o terço e outras orações a Nossa Senhora, a São José, ao Anjo da Guarda. Antes e depois das refeições, todos juntos rezávamos as orações da bênção e de ação de graças. Mamãe tinha muito empenho para nós estudarmos bem o catecismo e prestássemos muita atenção ao sermão na Missa e em casa, nos fazia repetir o que guardamos. Ensinava-nos a não conversar na Igreja, que é a Casa de Deus. Ali Jesus está presente no Sacrário para nós conversarmos com Ele. Dizia-nos para, no momento da Elevação da Hóstia e do Cálice consagrados, pedir a Jesus que nos fizesse conhecer e seguir a vocação para a qual nos criou. Nosso querido Pároco, Monsenhor Jacó Seger, nos visitava frequentemente, conversando sobre a grande graça de os pais darem um filho para o altar, como sacerdote, etc. Era grande amigo da família. E assim, um após outro, sentiram-se motivados para se consagrarem a Deus. Os pais sempre deixaram liberdade para escolher o estado de vida e diziam: "Se querem, podem seguir. Deus vai cuidar de nós!" (dos pais). Certo dia, estando toda a família reunida, Papai falou com muita unção e emoção o seguinte: "Não penseis que estas graças vem de nós. Já nossos antepassados com sua profunda fé, orações e vida exemplar influíram poderosamente para que Deus agisse assim em nossa família. Tudo é dom de Deus. A nós convém agradecer-Lhe, louvá-Lo e servi-Lo de todo o coração! Observação: Papai faleceu em 1960. Um ano após, Mamãe ingressou na Congregação das Irmãs da Divina Providência, tendo por Mestra a própria filha. Viveu 18 anos como Religiosa e dizia que não trocaria sua sorte por nenhuma outra. Faleceu com 86 anos na paz do Senhor.

JA - Percebe-se que cada vez é menor o número de vocações femininas. O que é preciso fazer para despertar nos jovens o interesse pela vida consagrada?

Irmã Maria Stella –
O exemplo cristão dos pais: Esclarecê-los desde criança sobre os verdadeiros valores, que permanecem para a vida eterna. Ensiná-los a viver de fé e indicar-lhes o caminho certo para a vida eterna. Conduzi-los a Jesus, o verdadeiro Amigo e Mestre, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Fazê-los descobrir na sua consciência, quanto é feliz quem procura observar os mandamentos de Deus e quanto é infeliz quem segue os seus caprichos. Conduzi-los a Maria. Como Mãe, ela os orienta e conduz.

JA - O Carmelo, pela sua característica de clausura, é relativamente pouco conhecido. Fale-nos como é o carisma das Irmãs Carmelitas?

Irmã Maria Stella –
Somos uma família religiosa consagrada à Mãe de Jesus, sob o título de Nossa Senhora do Carmo. Buscamos viver na presença de Deus. Nossa vocação é um dom do Espírito Santo, que nos convida a viver em amizade com Cristo. Com Maria, nossa Mãe, procuramos aprender como fazer de Jesus o centro de nossa vida. Vivemos em uma família que busca a comunhão fraterna. Valorizamos o silêncio, porque queremos escutar a voz de Deus. Damos um espaço privilegiado á oração em benefício de toda a humanidade: Lá onde não chegam nossos pés, chega nossa oração. A Santa Missa é o Centro de nossa vida. Trabalhamos para nosso sustento em pintura, bordado, costura. Cultivamos hortaliças e flores. Com simplicidade e alegria nos comunicamos nas duas horas de recreação. Nosso objetivo é alcançar uma comunhão de vida com Jesus. Nossa Santa Madre, Teresa de Jesus, diz que o Carmelo é um céu, para quem se contenta de contentar a Deus só".

Fonte: http://www.carmelocristoredentor.com.br /  - entrevista concedida para o Jornal da Arquidiocese de Florianópolis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Superar problemas de controle e confiança no casamento

Entrevista com o psiquiatra católico Richard Fitzgibbons

Por Genevieve Pollock

WEST CONSHOHOCKEN, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).

- Muitos casais e famílias de hoje sofrem problemas de controle e confiança, afirma o psiquiatra Richard Fitzgibbons. Mas, graças aos sacramentos e à prática da virtude, estes problemas podem ser superados.
Este foi o tema de um recente encontro virtual de uma série patrocinada pelo Institute for Marital Healing, que oferece recursos para casais, conselheiros e clero sobre temas referentes à paternidade, idade adulta, vida familiar e casamento.
Fitzgibbons, diretor do instituto, trabalhou com milhares de casais e escreveu extensamente sobre estes temas. Em 2008, foi nomeado também como consultor da Congregação para o Clero, da Santa Sé.
Nesta entrevista com Zenit, Fitzgibbons fala sobre as causas modernas dos problemas de confiança, a diferença entre ser forte e controlador e as virtudes particulares que oferecem um antídoto para este problema.
- Você menciona que a seção mais popular do seu site é a dedicada ao cônjuge ou familiar controlador. Por que você acha que há tanto interesse neste tema?
Fitzgibbons: De fato, nós nos surpreendemos com a resposta das pessoas na seção do esposo ou esposa controlador.
Após pensar e rezar sobre este assunto, cheguei a uma compreensão mais profunda dos graves fatores pessoais e culturais que estão contribuindo para uma tendência a dominar ou a não confiar nos demais, algo que dá como resultado a necessidade de controlar.
- Você poderia descrever brevemente as características de uma pessoa controladora?
Fitzgibbons: A pior fraqueza de caráter em uma pessoa que cai na tendência a controlar – e todos nós podemos cair às vezes – é tratar o cônjuge (que é um grande dom de Deus) com falta de respeito.
A pessoa controladora se volta totalmente para si mesma, de tal forma que não consegue ver a bondade do seu cônjuge.
A outra grande fraqueza é deixar-se levar com rapidez e em excesso pela cólera. Os cônjuges e familiares controladores são também irritáveis e costumam estar tristes porque, de fato, não é possível controlar ninguém, dado que temos uma dignidade e um vigor como filhos de Deus.
Finalmente, as tendências controladoras afetam a entrega sadia e carinhosa no casamento e reforçam o egoísmo, uma das principais causas dos comportamentos controladores.
- Que danos podem ser causados por cônjuges ou familiares controladores?
Fitzgibbons: Os comportamentos controladores causam dano na amizade do casal, no amor romântico e no amor prometido, três áreas essenciais da entrega matrimonial que João Paulo II descreve em “Amor e Responsabilidade”.
A falta de respeito leva o outro cônjuge a sentir-se triste, bravo, desconfiado e inseguro. A não ser que esse conflito seja tratado de forma adequada e correta, podem desenvolver-se graves problemas, incluindo a depressão, ansiedade, abusos graves, infidelidade, separação e divórcio.
- Em nossa rápida sociedade, em que se exige das pessoas que controlem e dominem tantos aspectos da sua vida – economia, saúde, trabalho, família etc. –, uma natureza controladora não seria mais uma vantagem, inclusive uma necessidade para sobreviver? Você vê algo positivo neste tipo de personalidade?
Fitzgibbons: Sim, a confiança e o vigor são características saudáveis na personalidade, que nos permitem responder a muitos desafios no grande sacramento do matrimônio e na vida familiar.
No entanto, é necessário o crescimento diário nas virtudes, de maneira que um marido não pode cruzar a linha porque possui estas qualidades e converter-se assim em controlador.
As virtudes que são essenciais para equilibrar o dom da fortaleza são a amabilidade, a humildade, a mansidão, o autocontrole e a fé.
Uma das metas do casamento é a fortaleza e a confiança, mas não o controle. Convido muitos maridos fortes a rezarem a São Pedro para que os proteja e assim não sejam líderes controladores do seu lar.
- Você indica que, no coração de uma personalidade controladora, costuma haver problemas de confiança. Poderia ampliar isso?
Fitzgibbons: Uma importante causa da tendência a controlar ou dominar é o fato de ter prejudicado, na infância, a capacidade de uma pessoa de confiar ou sentir-se segura.
Depois, os cônjuges podem deixar-se levar de maneira inconsciente pelo medo, até uma forma de agir controladora, isto é, só se sentem seguros quando têm o controle, algo que certamente nunca terão. No passado, os conflitos comuns da infância eram o alcoolismo, os enfrentamentos entre os pais e a experiência de um progenitor controlador.
Os motivos mais recentes de graves danos à confiança durante a infância são a cultura do divórcio, a creche e a epidemia de egoísmo nos pais, causados em grande parte pela uma mentalidade anticonceptiva. Além disso, os homens inseguros assumem comportamentos controladores em uma tentativa de estimular sua confiança masculina. Nos adultos jovens, a cultura das relações diversas também danifica gravemente sua capacidade de confiar sem que eles percebam.
Finalmente, no Catecismo da Igreja Católica, descreve-se um fator espiritual importante que não deveria ser deixado de lado: “Todo o homem faz a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência faz-se também sentir nas relações entre o homem e a mulher. Desde sempre, a união de ambos foi ameaçada pela discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, o ciúme e conflitos capazes de ir até ao ódio e à ruptura” (n. 1606).
- Como uma pessoa pode começar a enfrentar estes temas e mudar seu jeito controlador? Como uma pessoa pode ajudar alguém a quem ama e que pode ser controlador?
Fitzgibbons: O primeiro passo é a necessidade de descobrir esta grave fraqueza matrimonial.
Se os esposos confiassem mais em Deus dentro dos seus casamentos, não temeriam enfrentar esta dificuldade e buscar superá-la.
A mudança necessária pode acontecer por um compromisso de crescer em confiança em Deus e no próprio cônjuge, por um processo de perdão àqueles que, na infância, prejudicaram a confiança, por uma decisão de deter os repetidos comportamentos controladores de um pai, pela meditação regular sobre o fato de que Deus tem o controle e pelo crescimento em numerosas virtudes, entre as quais estão incluídos o respeito, a fé, a amabilidade, a humildade, a magnanimidade e o amor.
O papel da fé pode ser muito eficaz para enfrentar esta grave fraqueza de caráter. Vimos notáveis melhorias na luta contra isso através da graça no sacramento da reconciliação. Animamos os casais católicos controladores a buscarem a cura neste poderoso sacramento.
Além disso, as esposas controladoras podem se beneficiar do aprofundamento em sua relação com Nossa Senhora, vendo-a como modelo e adquirindo suas virtudes, descritas por São Luis Maria Grignion de Monfort no “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”.

Os maridos controladores serão beneficiados pela meditação sobre São José, na qual podem pedir-lhe que os ajude a ser amáveis, sensíveis, líderes entregados e alegres em seus casamentos e famílias.
- Como psiquiatra, quando você acha que deveria ser sugerido que se busque ajuda externa, de um sacerdote ou conselheiro, para curar as feridas emocionais de uma pessoa?
Fitzgibbons: Recomendo ir a um sacerdote antes de ir a um conselheiro, porque muitos profissionais da saúde mental apoiam a atual cultura do egoísmo.
Brad Wilcox, um jovem sociólogo católico da Universidade de Virgínia, escreveu sobre a influência do campo da saúde mental no casamento: “A revolução psicológica, ao centrar-se na realização individual e no crescimento pessoal, deu como resultado que o casamento acaba sendo visto como um veículo para uma ética orientada à própria pessoa, uma ética do romance, da intimidade e da realização”.
“Nesta nova postura psicológica dentro da vida matrimonial, a obrigação primária da pessoa não é a própria família, mas ela mesma; daí que o êxito matrimonial tenha sido definido não como o cumprimento exitoso das obrigações com relação ao cônjuge e aos filhos, mas como uma sensação forte de alegria subjetiva no casamento – que se encontraria em e através de uma relação intensa e emocional com o cônjuge.”
Acreditamos que um compromisso sincero de cada um dos cônjuges por crescer no conhecimento de si mesmo e nas virtudes pode resolver o conflito de um esposo controlador sem a necessidade de uma terapia de casal. Não obstante, estão disponíveis novas fontes de referência matrimonial, fiéis aos ensinamentos de Cristo, nos sites de Catholic Therapist e Catholic Psychotherapy.
A intercessão de Nossa Senhora em Caná conduziu ao primeiro milagre do Senhor, levando mais alegria a um jovem casal. Convidamos os casais católicos a lutarem contra os conflitos de controle e egoísmo dirigindo-se a Ela, para outro milagre em seus casamentos.
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Na internet:
Institute for Marital Healing: http://www.maritalhealing.com/