"Poderíamos aqui meditar sobre como seria saudável também para a nossa sociedade atual se num dia as famílias permanecessem juntas, tornassem o lar como casa e como realização da comunhão no repouso de Deus" (Papa Bento XVI, Citação do livro Jesus de Nazaré, Trad. José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ, São Paulo: Ed. Planeta, 2007, p. 106)

quarta-feira, 31 de julho de 2019



Rezemos pelo nosso Congresso de Casais que se aproxima!

Jesus, Maria e José, a nossa família vossa é!

terça-feira, 7 de maio de 2019


3° Congresso de Casais da OCDS - Província São José.


De: 30/08 a 01/09
Local: Centro Teresiano de Espiritualidade – São Roque / SP

Tema: “Matrimônio, caminho de santidade.”
Lema: “Sede santos, porque Eu sou Santo.” (Lv. 11,44).

PÚBLICO ALVO:
- Casais das comunidade e grupos da OCDS;
- Casais de outros movimentos ou pastorais que vivem a espiritualidade carmelitana;
- Casais da Igreja em geral e que queiram conhecer mais de perto a OCDS.

VALOR DA TAXA DE INSCRIÇÃO PARA O CASAL: R$ 500,00 – Inclui: Inscrição; Hospedagem; Alimentação; Material de apoio.

DADOS PARA DEPÓSITO:
BANCO: Itaú
AGÊNCIA: 0156
CONTA CORRENTE: 06234-1
TITULAR: Associação das Comunidades da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares no Brasil da Província São José.

ENVIAR O COMPROVANTE PARA O E-MAIL: comissaodecasaisocds@gmail.com (assunto do e-mail: Comprovante do Congresso 2019)

Inscrições on-line através do link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeVklb_KL4LAvlcMKHUmq_jaALXvXOUaD7NE9OrKP0xhkDr5Q/viewform?usp=sf_link


PROGRAMAÇÃO:

1° Dia:
16:00h – Acolhida;
17:30h – Santa Missa;
18:30h – Jantar;
19:30h – Abertura oficial do Congresso;
20:00h – Adoração ao Santíssimo Sacramento e Completas;
21:00h – Descanso.

2° Dia:
07:30h – Santa Missa com Laudes;
08:30h – Desjejum;
09:30h – Palestra: Exortação do Santo Padre sobre o chamado à santidade no mundo atual - Fr. Maycon, OCD;
10:30h – Coffee Break;
11:00h – Terço Mariano;
12:00h – Almoço;
14:00h – Palestra: O exemplo de São Luiz e Santa Zélia na educação dos filhos - Renato e Alessandra - Casal da Comunidade Sagrada Família de São Paulo;
15:00h – Coffee Break;
15:30h – Deserto/ vivência e oração a três;
17:00h – Vésperas;
18:30h - Jantar
20:00h – Sessão pipoca - exibição do filme: Diário de uma paixão

3° Dia:
07:30h – Santa Missa com Laudes;
08:30h – Desjejum;
09:30h – Palestra: Família de Nazaré: Espelho para o casal - Wilson e Neide, OCDS - Casal da Comunidade S. José de Sete Lagoas/MG;
10:30h – Coffee Break;
11:00h – Avaliação e encerramento oficial do Congresso;
12:00h – Almoço.

Fraterno abraço,
Comissão de Casais da OCDS

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

ORAÇÃO DO CASAL SECULAR







Senhor,
faz com que compartilhemos a vida
como verdadeiro casal,  ( ... ) a exemplo do casal Martin.

Que saibamos ofertar um ao outro
o que temos de melhor em nós,
no corpo com respeito e carinho e no espírito orando um ao outro.

Que nos aceitemos
e nos amemos como somos,
com as riquezas e limitações que temos.

Encontremos um no outro
a melhor companhia.

Cresçamos juntos,
sendo caminho um para o outro;
saibamos carregar o fardo um do outro,
encorajando-nos a crescer sempre no mútuo amor.

Sejamos tudo um para o outro:
os nossos melhores pensamentos,
as nossas melhores ações,
o nosso melhor tempo e as nossas melhores atenções.

Senhor,
o amor que vivemos seja a grande experiência do Teu amor.

Que ofertemos rosas um ao outro ao invés de espinhos,
Que diante das agitações saibamos silenciar e contemplemos a Providencia do Divino.
E deixemos a Chama do Espírito Santo avivar nossas vidas.
E que nossa morada seja templo de paz, harmonia interior.

Cresça Senhor, em nós
a mútua admiração e afeto,
a ponto de nos tornarmos um só:
no pensar, no agir e no conviver.

Para que isto aconteça,
estejas Tu entre nós.
Seremos, então, eternos enamorados.
Que assim seja!
Amém.

Por Sebastião Aparecido Dias de Lima,ocds. 21/11/2018

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A EXPERIÊNCIA DE PARTICIPAR DO RETIRO PARA CASAIS: PERMANECER NO AMOR







Por Fábio e Juliana, Casal OCDS da Comissão de Casais

Nos dias 24 e 25 de novembro de 2018 tivemos a graça de participar desse Retiro a pedido do nosso Presidente Provincial Luciano Dídimo, OCDS. A Comunidade Católica Sagrada Família possui sua sede em São Paulo, capital, onde foi realizado o Retiro. Tivemos contato com o fundador durante o Fórum de Santa Teresinha e queremos partilhar as bênçãos que foi participar desse Retiro que trazia algo de muito especial: A santidade do casal Martin.

A primeira pregação falou sobre A construção humana e espiritual da família, proferida por Ítalo, fundador da Comunidade. Ele destacou que Luís e Zélia foram um casal aberto a modelagem que Deus queria fazer em suas vidas. Eles santificaram suas atividades ordinárias como esposos, pais e trabalhadores, em tudo colocando amor. E seu exemplo de santidade sempre nos aponta para a Sagrada Família, modelo central de família cristã.

A segunda pregação falou sobre Deus o primeiro a ser servido, proferida pelo casal Renato e Alessandra, consagrados da Comunidade. Esta bela e profunda frase é de autoria de Santa Joana D’arc, padroeira da França e eles traziam como um lema para toda a família. E os princípios espirituais que guiavam o casal era: Soberania de Deus – olhavam primeiro para Deus antes de fazer qualquer coisa. Confiança em Sua Providência – viviam na Providência e nela se apoiavam. Eram profundamente resignados aos desígnios de Deus. Abandono à Sua Vontade – Tudo eles entregavam a Deus. Tudo para Sua glória. 
Para refletir: Esses princípios são fortes em nossas vidas?

Ao final do primeiro dia, tivemos um belo momento de oração diante do Santíssimo, cada casal pôde estar junto a Jesus, e pedir a graça da santidade pela intercessão de São Luís e Santa Zélia.


O segundo dia começou com a Santa Missa e depois tivemos a pregação sobre A santidade no cotidiano proferida pelo casal Bruno e Regina, consagrados da Comunidade. E foram muito marcantes as colocações.





A santidade no cotidiano precisa nascer do desejo de ser santo, e o sacramento do matrimônio é o nosso caminho de santidade, não é uma vocação que escolhemos porque não havia outra forma. O matrimônio é um caminho especial para ser e ajudar o outro a ser santo. A base do matrimônio para a santidade é: Dom de si para o outro, dom para os filhos e dom da família para o mundo. O que São Luís e Santa Zélia tinham mais em comum era o desejo da santidade para eles e seus filhos, por isso os educavam para o céu. 
Para refletir: Essa também é a nossa meta? Queremos mais as coisas do alto ou as coisas do mundo?

Em seguida tivemos um momento de louvor e um delicioso almoço preparado com muito carinho pelos irmãos da Comunidade.

Iniciamos a tarde com um momento maravilhoso em que escrevemos uma carta para o nosso cônjuge e depois escolhemos um lugar para ler para ele e ouvir o que também nos escreveu. Foi um momento de indescritível beleza, amor, carinho e perdão.

A última palestra que pudemos participar foi com o tema Pais incomparáveis, proferida pelo casal Mauro e Sandra, consagrados da Comunidade. E a reflexão que nos  propuseram foi que mais importante que gerar para dar continuidade, é cultivar a vida divina nos filhos. Também a importância de analisarmos nossas atitudes diante dos filhos, pois eles vão refleti-las. Pelo exemplo podemos duplicar o valor da autoridade. Como estamos agindo? Procuremos ensinar os filhos a obedecer por amor, por uma confiança conquistada. Afinal, Deus não faz assim conosco? Olhemos para o Grande Pedagogo da Vida, e para São Luís e Santa Zélia que tão atentos foram aos ensinamentos do Senhor para santificar sua vocação e educar seus filhos para o céu.

Queremos agradecer ao nosso presidente provincial Luciano Dídimo e toda a Província S. José que nos proporcionaram a graça de participar e poder partilhar das bênçãos desse Retiro e também à Comunidade Católica Sagrada Família que nos acolheram com tanto carinho. Deus os abençoe e São Luís e Santa Zélia sempre interceda por todos.

Que essas belas reflexões inspirem nossos casais, nossos Congressos de Casais e tantos sonhos que temos para ajudar as famílias na nossa Província São José.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


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"O casamento nunca começaria se não houvesse sonho de felicidade. Quando finalmente o sonho se torna realidade, não haverá progresso na alegria a não ser que se esteja preparado para morrer ao sonho antigo e começar a sonhar novos sonhos." 

(Dom Fulton Sheen - Livro Três para casar) 

terça-feira, 20 de novembro de 2018

CONSAGRAÇÃO DA FAMÍLIA A SAGRADA FAMÍLIA






Sagrada Família, Jesus, Maria e José, consagro minha vida e minha família a Vós, para vivermos como autêntica Igreja doméstica, verdadeira comunidade de amor, onde Deus é o primeiro a ser servido, fazendo tudo para sua maior glória, amando-nos e amando ao próximo como a nós mesmos.

Nos comprometemos a viver a santidade no cotidiano, assim como viveram os santos Luís e Zélia Martin, pais de santa Teresinha do Menino Jesus, na humildade, na alegria, no acolhimento da vida, no trabalho honesto, no cultivo das virtudes evangélicas, na promoção das vocações, no apostolado, com fé viva, confiante esperança e ardente caridade.

Queremos, como eles, confiar na Divina Providência e nos abandonar à Vontade de Deus, pois seguiram vosso modelo, na simplicidade da Família de Nazaré.

Jesus, Maria e José, nossa família vossa é!
Santos Luís e Zélia Martin, roguem por nossas famílias!



Fonte: Comunidade Católica Sagrada Família.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

FAMÍLIA, FONTE DE VALORES SOCIAIS



Pe. José Carlos Pereira


"A família, como instituição social, é determinante para o tipo de sociedade que se tem."



Todos os valores sociais são pautados pela família e nelas são, ou deveriam ser, moldados. Numa sociedade em que a família perdeu, ou está perdendo, seus referenciais na formação de pessoas de boa índole, ou seja, com valores morais e éticos, vamos ter uma sociedade carente desses valores. É o que comumente vemos em boa parte daqueles que ocupam ou querem ocupar cargos públicos nas várias instâncias da sociedade, sobretudo na política, seja nos municípios, nos Estados ou no governo federal. 
A clássica questão da sociologia, com base no pensamento de Jean-Jacques Rousseau, é se a pessoa já nasce corrupta ou é a sociedade que a corrompe. Rousseau diz que ninguém nasce mau, é a sociedade que o corrompe. Augusto Cury afirma que a pessoa nasce neutra, nem boa nem má, mas é o sistema social que educa ou realça instintos. Tudo indica que ninguém nasce predestinado a ser uma pessoa má, um ser corrupto, ou uma pessoa boa e idônea, mas é o meio em que se vive que vai moldando e determinando seus caráter.
Esse meio primordial é a família. A família é a primeira comunidade e a primeira sociedade em que uma pessoa vive. É na família que se aprendem valores que nortearão a vida. Vemos, assim, o tamanho da responsabilidade da família. Quando ela se esquiva de ensinar os principais valores da vida social, como os já supracitados (éticos e morais), e também os valores religiosos, ou a educação no sentido estrito do termo, entre outros, vamos ter pessoas que não saberão viver em sociedade e dificilmente respeitarão os demais. Por exemplo, uma família, ou pessoa, que confia a responsabilidade da educação dos filhos à escola ou a qualquer outra instituição não entendeu o papel da família. Vale lembrar que a escola instrui, mas é a família que educa.
Por essa razão, a Igreja tem tanta preocupação com a família. Se a família se desmantela, teremos consequentemente, uma sociedade desmantelada. Já disse isso noutro artigo, mas repito a título de reforçar esse axioma, pois ele é determinante para uma sociedade de justiça e paz.
Acredito que todos nós queremos um mundo melhor, justo e fraterno, e nos preocupamos com o tipo de sociedade que vamos deixar para nossos filhos. Mas será que alguém tem se preocupado com que tipo de filho vai deixar para a sociedade? Se a família negligencia a educação dos filhos em casa, ela vai deixar para a sociedade filhos pouco educados e aí só poderemos ter uma sociedade mal educada, porque quem faz a sociedade somos nós, pessoas. Quanto mais pessoas de bem existirem na sociedade , mais de bem será ela. Isso parece óbvio, mas na prática não vem acontecendo e parece que não é visto por esse lado. Se nós vemos tanto desrespeito com o semelhante e com as demais obras da criação é sinal de que não temos pessoas devidamente educadas na sociedade. De quem é a culpa? Posso afirmar categoricamente que a maior parcela de responsabilidade recai sobre a família. Outra parte, bem menor, é responsabilidade de outras instituições, como a escola, a Igreja e o Estado. Por essa razão afirmo que a família é a norteadora de valores de uma sociedade. Vale a pena pensar nisso e dar mais atenção à família.


Fonte: Revista Ave Maria - outubro de 2018.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Dia a Dia com Santa Teresinha: o Calendário de uma Família

Apresentamos para as famílias cristãs um livro sobre a família de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Dia a Dia com Santa Teresinha: o Calendário de uma Família”, do Carmelita Secular Carlos Vargas com prefácio do Frei Patrício Sciadini (OCD). 

"Espera-se que as famílias brasileiras encontrem aqui um livro de cabeceira, consultando os fatos de cada dia e rezando a partir desses acontecimentos. Hoje em dia, esse livro adquire mais importância ainda, como suporte para aqueles que trabalham nos meios de comunicação, divulgando a vida de Santa Teresinha e o carisma carmelita.
Um dos temas mais importantes do mundo contemporâneo é a família. São João Paulo II já havia alertado: “o futuro da humanidade passa pela família”. E o Carmelo também tem muito a nos ensinar para a espiritualidade dos leigos que querem construir uma família de acordo com a aquela Rocha verdadeira que é Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 7,21-27). Quando o Papa Francisco canonizou recentemente os pais de Santa Teresinha, foi dado um grande incentivo para a importância da vivência da santidade naos casais e nas famílias do mundo inteiro. Aqui está um livro de referência para preparar a divulgação da espiritualidade dessa santa família, incluindo informações sobre São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresinha.
O Santo Evangelho é sempre novo e atual, especialmente nesse ano do Laicato proclamado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Brasil precisa do nosso testemunho leigo, que começa na família. Aquilo que aconteceu na vida da família de Santa Teresinha nos chama atenção pela semelhança com nossa realidade contemporânea. O objetivo desse calendário de Santa Teresinha é apresentar fatos relacionados com a sua vida e a sua família. Dentre esses fatos está a cura que ela obteve pela intercessão de Nossa Senhora do Sorriso. No final deste livro, encontra-se um roteiro de novena ou celebração para aqueles que mais precisam da intercessão da Santa que tem distribuído rosas do Céu.
Que esse livro de Carlos Vargas ajude a despertar a chama do Amor Divino que somente o Espírito Santo pode acender em cada coração. Afinal, “o Espírito sopra onde quer” (Jo 3, 8).
Acompanhar a família de Santa Teresinha é mais do que um estudo histórico, é um questionamento para as famílias cristãs de nosso tempo. Sua família precisa de ajuda? Confie em Deus, siga o exemplo da Sagrada Família de Nazaré." (Prefácio do Frei Patrício Sciadini, OCD). 

À venda pelo site da Editora LTR.
http://www.ltreditora.com.br/lancamentos/dia-a-dia-com-santa-teresinha.html
Fonte: Portal A12 (Aparecida)
http://www.a12.com/academia/noticias/lancamento-dia-a-dia-com-santa-teresinha-o-calendario-de-uma-familia

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Aborto: estatísticas corretas permitem definir políticas em defesa da vida






Desde os anos 60, têm sido divulgados números hoje sabidamente falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.
Quando o Brasil contava com apenas 80 milhões de habitantes, a revista "Realidade" (maio de 1966) publicava que se realizavam no Brasil um milhão e quinhentos mil abortos por ano. Em setembro do mesmo ano, a mesma revista descia aos detalhes: seriam exatamente 1.488.000 de abortos por ano.
Na mesma época, quando os Estados Unidos contavam com 200 milhões de habitantes, o médico que coordenou a campanha pela legalização do aborto em Nova York divulgava que se realizavam ali 1 milhão e meio de abortos por ano. Mais tarde, após o aborto ter sido legalizado, ele declarou publicamente que sabia que não passavam de 100 mil e que ele havia mentido, mas afirmou também que ninguém lhe havia perguntado as razões do número apresentado.
Em 2003, o atual vice-ministro da saúde do Uruguai declarou em audiência pública no Senado que se realizavam no país 150.000 abortos por ano. No ano seguinte, o número foi corrigido para 33.000 abortos por ano, mas em 2006 já se falava em 52.000 abortos por ano. Próximo à legalização do aborto, passou-se novamente a insistir na cifra de 33.000 abortos por ano. Mas, após a prática ter sido aprovada pelo Congresso e quando o governo já declarava que não mais se faziam abortos clandestinos no país, verificou-se que se realizavam apenas seis mil abortos por ano no Uruguai.
Esse modo de tentar comprovar a necessidade de aprovar o aborto tem sido recorrente quando da discussão sobre o aborto. Os promotores do aborto sempre multiplicaram os verdadeiros números por 10 ou 20 vezes. O ardil sempre funcionou porque ninguém foi conferir as razões dos números.
Ao tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADPF 442, que pretende declarar o aborto como um direito fundamental, repete-se a mesma tática. Não podemos assistir o mesmo filme e repetir os mesmos erros. É importante desmascarar uma impostura já conhecida e estudada, mas principalmente afirmar que os verdadeiros números apontam para a necessidade de políticas públicas com as quais as mulheres não precisam do aborto para serem socorridas.
No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que "consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto".
No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que "consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto".
A notícia assegura que, no Brasil, se provocam 1 milhão e 200 mil abortos por ano. Sustenta, com base nestes números, que, em uma década, o SUS gastou R$ 486 milhões com internações para tratar as complicações do aborto, sendo 75% deles provocados. De 2008 a 2017, 2,1 milhões de mulheres teriam sido internadas por este motivo. Este número inclui as internações por abortos naturais e provocados, o que daria cerca de 200.000 internações por ano por causa de abortos. É deste total que o Ministério da Saúde afirma que 75% são de abortos provocados, o que representaria, por ano, 150.000 internações por aborto provocado e apenas 50.000 por aborto natural.
Mas, como pode ser isto, se no Brasil nascem 2 milhões e 800 mil crianças por ano? Ora, os tratados de medicina afirmam que o número de abortos naturais, que ocorrem, em sua maioria, na segunda parte do primeiro trimestre, representa, em média, 10% do número das gestações. Neste caso, como a grande maioria dos abortos naturais passa por internações hospitalares, somos obrigados a afirmar que a grande maioria das 200.000 internações por aborto no Brasil se devem a abortos naturais, e não a abortos provocados. Ademais, confirma este número qualquer médico com experiência em pronto atendimento obstétrico, que dirá que os abortos provocados representam, no máximo, e possivelmente com exagero, 25% das internações por aborto. Assim, teríamos, no máximo, 50 mil internações por ano de mulheres que provocaram abortos.
No Brasil, em 2010 e 2016, foram realizadas duas pesquisas nacionais sobre o aborto, patrocinadas pelo Ministério da Saúde e premiadas pela Organização Pan-americana de Saúde. Estes estudos, intitulados "Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna", encontraram que, de cada 2 mulheres que praticam o aborto, uma tem de ser internada.
Ora, no Brasil, temos 200.000 internações por aborto a cada ano, incluídos aí os abortos provocados e os abortos espontâneos. Este número está em diminuição há alguns anos, cerca de 10% ao ano, segundo o DATA SUS.
Os obstetras que trabalham em atenção emergencial nos hospitais dizem, conforme já exposto, que a maioria dessas internações são de abortos naturais. No máximo 25% seriam de abortos provocados.
Portanto, haveria, por ano, 50.000 internações por abortos provocados, no Brasil. Então, como para cada dois abortos uma mulher é internada, teríamos um total 100 mil abortos provocados por ano no Brasil.
Este número é coerente com os dados dos livros de ginecologia e patologia, que dizem que cerca de 10% das gestações terminam em aborto espontâneo entre o segundo e o terceiro mês. Vejamos: como no Brasil temos 200 milhões de habitantes e 2.800.000 nascimentos por ano, o número de abortos naturais deveria ser de aproximadamente 280.000. Sabe-se que a maioria destes casos são atendidos em hospitais, para curetagem ou outros procedimentos. Este número é coerente com as 200.000 internações por aborto no sistema de saúde.
Assim, quando se estima que a maioria das internações por aborto se deve ao aborto espontâneo, além do testemunho dos médicos, temos uma fundamentação estatística para isso. A estimativa de, no máximo, 25% de abortos provocados nas internações por aborto, portanto, é provavelmente um número já superestimado.
Além disso, temos os números do IBGE, em cuja Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 se encontra a relação entre o número estimado de abortos espontâneos e de abortos provocados de 7,6 vezes mais abortos espontâneos que abortos provocados. Não há indicação de como estes dados foram calculados, mas é uma proporção de quase a metade do que supõem as estimativas aqui trabalhadas.
Portanto, já com possíveis superestimações, o número de abortos provocados deve ser estimado em metade das internações totais por aborto, ou seja, 100 mil abortos provocados por ano, já provavelmente superestimados.
Contudo, o IPAS, uma organização que promove o aborto internacionalmente, e o Instituto Allan Guttmacher, que pertence à IPPF, uma organização que é proprietária da maior rede de clínicas de abortos do mundo, dizem o contrário: que se deve multiplicar este número de internações por 5 ou por 6. Com isso, obtém-se as cifras de aborto para o Brasil entre 1 milhão e 1 milhão e meio de abortos por ano.
Este multiplicador é semelhante ao que o Dr. Bernard Nathanson, o articulador da legalização do aborto em Nova York em 1970, utilizou pela primeira vez, quando sabia que os abortos provocados nos Estados Unidos eram, no máximo, 100 mil, e disse para a imprensa, com a intenção de promover a legalização do aborto, que eram 1 milhão e meio, sem dar justificativas, cifras que, aliás, ninguém questionou. Naquela época a população americana era de 200 milhões, igual à do Brasil de hoje.
Mas no Brasil, desde os anos 60, quando nossa população era de 80 milhões, já se afirmava que se faziam 1 milhão e meio de abortos por ano. Quem divulgava estes números era a filial da IPPF no Brasil, chamada Benfam. O número nunca foi justificado.
Este número continuou a ser apresentado inalteravelmente até hoje, porém, as instituições que realizaram em 2010 o estudo "Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna", ao repetirem seu estudo em 2016, diante do fato que os movimentos em favor da vida já estavam apresentando os dados corretos, encontraram um modo de calcular este número não mais em 1 milhão e meio, mas em 412 mil por ano.
O argumento utilizado para fundamentar este número, que agora seria de 412 mil abortos, foi que, em 2016, teriam sido entrevistadas um total de 2002 mulheres entre 18 e 39 anos, das quais 251 teriam dito ter feito um aborto e, entre estas 252 mulheres, 27 teriam dito ter feito aborto em 2015, ou seja, 1,35% do número total das 2002 mulheres. Portanto, como há cerca de 37 milhões de mulheres com idade entre 18 e 39 anos no Brasil, multiplicando este número por 1,35%, obteríamos um total, segundo o estudo, entre 400.000 a 500.000 abortos provocados por ano.
Porém, o que não se consegue explicar é: por que se dizia que este número era de 1 milhão e meio até a pouco tempo? E por que agora o Ministério da Saúde, que patrocinou estas duas pesquisas, volta aos mais de um milhão de abortos por ano, segundo as tabelas oferecidas ao STF, que a Folha de São Paulo afirma ter copiado em primeira mão?
Mas, mesmo se um número de 400.000 fosse verdadeiro, então, neste caso, como as duas pesquisas constataram que, de cada duas mulheres que provocam aborto, uma é internada, teríamos de ter 200.000 internações por ano somente por aborto provocado no sistema de saúde. Se o número de abortos naturais é bastante maior que o de abortos provocados, consequentemente, teríamos que ter um número total de internações por aborto em torno de 800.000 ao ano, um número que não se verifica. Além disso, se no Brasil tivéssemos 800.000 de internações por aborto por ano, deveríamos ter cerca de 7 ou 8 milhões de nascimentos por ano, o que também não se verifica.
Segundo os próprios dados oferecidos pelas pesquisas dos defensores do aborto, esses números são flagrantemente insuflados e não podem corresponder à realidade. Se o Ministério da Saúde ofereceu este relatório ao STF e ao Jornal, isso já não sabemos.
Contudo, poderia restar, ainda, uma dúvida. E se estes números apresentados pela Folha ou pelos movimentos a favor do aborto fossem verdadeiros, não deveríamos legalizar o aborto para solucionar o problema?
Ora, uma eventual pergunta como esta nos parece apenas fruto da incapacidade de entender a realidade das coisas e da própria obstinação em se legalizar o aborto. Números não são apenas números, números sempre são sintomas de alguma realidade que seria a sua causa. A própria pergunta mostraria a incapacidade do autor em compreender a irrealidade que estaria por detrás destes números. Se, de fato, as mulheres brasileiras praticassem estes milhões de abortos clandestinos por ano, mais do que um problema de saúde, isso seria sinal de uma desintegração social sem proporções, uma situação que exigiria reformas estruturais imediatas e profundas, semelhantes às que ocorreriam em uma situação de pós-guerra. Ninguém, a não ser um ativista que pensa apenas na causa e, por causa disso, sua paixão não lhe permite captar a realidade, pensaria em oferecer a legalização do aborto como solução para reconstruir um país socialmente desestruturado por uma calamidade. Ademais, dadas as consequências psiquiátricas traumáticas reconhecidamente causadas pelo aborto, a magnitude de um número como este, aumentando entre 10 a 20 vezes a realidade do país, significaria a existência uma realidade social tão nitidamente desumanizada e aterradora, que não haveria sentido em nos indagarmos sobre a legalização do aborto, e sim, ao contrário, em como deveríamos reconstruir positivamente o tecido social.

Dom João Bosco B. Sousa, OFM,
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Bispo Diocesano de Osasco - SP

Fonte: http://www.cnpf.org.br/noticias/1302-aborto-estatisticas-corretas-permitem-definir-politicas-em-defesa-da-vida

terça-feira, 10 de julho de 2018

ORAÇÃO DOS CASAIS







Senhor Jesus peço que abençoe o meu coração e o coração de (nome do marido ou esposa). Abençoe nossa vida íntima para que haja amor, respeito, harmonia, satisfação e felicidade. Eu quero ser melhor a cada dia, ajuda-nos em nossas fraquezas, para não cairmos em tentação e livra-nos do mal. Derrame vossa graça sobre nossa família, nossa casa, nosso quarto e ponha teus olhos em nosso favor, para que nosso projeto de vida se realize, pois seremos fiéis a Ti. Queremos que o Senhor participe da nossa união e more em nossa casa. Conserva-nos no amor puro e verdadeiro e que todas as bençãos referentes ao matrimônio, estejam sobre nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

CARTA DE SANTA GIANNA BERETTA MOLLA A SEU ESPOSO PIETRO




30 de abril de 1959
quinta-feira à tarde


Meu caríssimo Pietro,

Recebi esta manhã sua carta de segunda-feira, escrita sempre "no céu", como diz o nosso Giggetto. Conseguiu finalmente dormir bem? Fiquei muito feliz por saber que segunda-feira você acordou como o sol alto. Aqui, ao contrário, ficamos sabendo pelo rádio que você havia passado por uma tempestade de chuva e vento e, enquanto não soubemos pela TWA que a aeronave havia chegado a Boston, ficamos todos preocupados. Gigetto está todo feliz por ter recebido a carta do papai e cuidadosamente a guardou na gaveta junto com o cartão-postal do avião.
Está sempre muito esperto, como também Mariolina. Esta noite não dormiram; tinham medo do vento e do temporal: trovões, água torrencial, vento, parecia o fim do mundo.
Também hoje não pudemos sair porque o mau tempo continua; paciência.
Ontem à noite e hoje tive um pouco de trabalho, pois substituí Nando. Agora, porém, voltou com Rita, infelizmente com sarampo. Isolamento, como é normal, das nossas crianças e esperamos... o melhor.
Meu querido Pietro, penso em você com muito, muito amor sempre, dia e noite, porque o amo muito; você sabe.
Gostaríamos de estar sempre juntos e abraçados, mas... ofereçamos ao Senhor esse sacrifício, para que olhe por nossa querida e bela família e a ajude.
Ainda ontem, no consultório, um representante de laboratório, observando as fotos de nossos tesouros, ficou admirado e não terminava nunca de dar-me parabéns, perguntando-me qual o meu segredo para fazê-los crescer tão bonitos assim.
Nenhum segredo, disse-lhe eu. Deus no-los deu sadios e esperamos que continuem sempre assim; não é verdade paizinho de ouro?
Tchau, papai, mil beijos do seu Gigetto e da sua menina querida. (trecho escrito pelos filhos)
Pierluigi não me deixava sossegada; queria escrever ao papai.
Até a próxima, belo Pedrin; passe bem e não trabalhe demais.
Muitas saudações de Zita, Cecco e Liberata, e beijos muitos amorosos de sua

Gianna


Fonte: Livro Cartas de Amor de uma Santa - de Gianna Beretta Molla para seu Marido. Organizado por Elio Guerriero. Ed. Santuário (2017).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A SANTIDADE QUE SURGE NA FAMÍLIA: SANTA ELISABETH DA TRINDADE


Carlos Eduardo da Eucaristia[1], OCDS

Santa Elisabeth da Trindade foi canonizada pelo Papa Francisco em 2016, mas tudo começou em uma família, a partir do amor de um casal. O nascimento de Santa Elisabeth foi o fruto do amor de José Francisco Catez e Maria Rolland. Nesse artigo iremos contar um pouco sobre a história de amor desse casal, que se dedicou tanto para criar suas duas filhas, frutificando para o bem do povo de Deus. Também iremos partilhar um pouco do ambiente familiar de Santa Elisabeth da Trindade, especialmente nos seus relacionamentos com sua mãe e sua irmã. No final, rezaremos juntos pelas famílias.

Quem foi José Francisco Catez, pai de Santa Elisabeth da Trindade?
O pai de Santa Elisabeth nasceu em 1832, em um município no norte da França. José Francisco Catez era filho de um senhor muito simples, religioso e trabalhador. Infelizmente, o menino, que viria a ser o pai de Santa Elisabeth, ficou órfão aos 8 anos de idade. A criação de José Catez ficou sob responsabilidade da sua mãe, senhora Fideline, que dependia do apoio econômico dos seus filhos mais velhos. Neste período do século XIX, a França passava por uma dura crise econômica e a família Catez sofreu bastante.
Com 20 anos, em 1853, o jovem José mudou-se para a cidade de Arrás para se alistar no exército imperial da França. Ele precisou se esforçar muito e passar por diversas dificuldades para poder progredir na carreira militar. Ele serviu na Argélia e lutou na Guerra Franco-Prussiana. Lamentavelmente, o jovem militar, que viria a ser o pai de Santa Elisabeth, foi preso pelos prussianos durante sete meses. Na sequência, José Catez recebeu promoções, chegando ao cargo de capitão aos 43 anos de idade, contando mais de 20 de anos de serviço militar à França, que já havia se tornado, novamente, uma república. 
O capitão Catez comandava um esquadrão, de maneira ativa e enérgica. Sua situação sócio-econômica atingiu uma condição que lhe permitia pensar em formar uma família. Ele foi transferido para o sul da França, o que foi providencial para que ele conhecesse sua futura esposa, a jovem Maria Emília, que vivia nesta mesma região.

Quem foi Maria Emília Rolland, mãe de Santa Elisabeth da Trindade?
Maria Emília Rolland nasceu em uma família abastada e não precisou sofrer as dificuldades e necessidades que marcaram o início da vida de seu marido. Ela era filha de Raimundo Rolland e Josefina Klein. Este outro avô de Santa Elisabeth, senhor Raimundo, também era um militar, mas era nascido no sul da França. Ele começou a sua carreira no exército aos 20 anos e, em 1851, conseguiu chegar ao cargo de capitão, como o senhor José Catez conseguiria décadas depois. A esposa do capitão Raimundo era uma filha única, de temperamento enérgico.
Os jovens Raimundo e Josefina casaram-se na cidade de Lunéville, no nordeste da França. Foi justamente em Lunéville, em 1846, que nasceu a mãe da Santa Elisabeth da Trindade. A pequena Maria Emília sentia a falta do seu pai, capitão Rolland, quando ele se ausentava para períodos mais intensos do serviço militar, especialmente no período do conflito na Argélia e na campanha da Itália. A jovem Maria também sofreu muito ao ser mordida por uma cobra, o que afetou sua saúde, deixando-a com uma aparência mais envelhecida.  
Antes de conhecer José Catez, a jovem Maria Rolland apaixonou-se por um outro jovem militar e chegou a tornar-se noiva. Contudo, este seu primeiro noivo morreu na Guerra Franco-Prussiana, em 1870. Maria ficou muito abalada com a perda do seu primeiro grande amor. Questionou até mesmo a sua vocação: por que será que sofreu essa perda? Será que não deveria se casar? Seria melhor tornar-se religiosa?
Francisco Sancho Fermín e Rómulo Cuartas Lodoño comentaram sobre a importância de um livro de Santa Teresa de Jesus na formação espiritual de Maria Rolland. Esta jovem conheceu a obra Caminho de Perfeição e gostava de copiar alguns trechos mais marcantes. Este amor à espiritualidade carmelita seria transmitido para sua filha, Santa Elisabeth da Trindade.

A Família aumentou: os nascimentos de Santa Elisabeth da Trindade e sua irmã
O tempo passou e a jovem Maria conheceu José Catez, que era quase 14 anos mais velho. Eles se apaixonaram e, finalmente, se casaram numa cerimônia presidida pelo padre Angles, na cidade de Santo Hilário, na região onde o capitão trabalhava e na qual o casal se conheceu. Mesmo depois da viuvez, Maria, assumindo o sobrenome Catez, continuou tendo um carinho especial com esse local e viajaria outras vezes para essa região com suas duas filhas. O padre Angles permaneceu amigo da família, mantendo uma afinidade espiritual profunda com Santa Elisabeth da Trindade.
A primeira filha do casal José e Maria Catez foi justamente Santa Elisabeth, que nasceu no dia 18 de julho de 1880, em um acampamento militar onde seu pai estava trabalhando. No ano seguinte, o capitão Catez mudou-se com a família para Auxone, onde nasceria a segunda filha, Margarida, em 1882. A última transferência do capitão José Catez foi direcionada para a cidade de Dijon. O pai de Santa Elisabeth pôde manter um bom padrão de vida para sua família, em Dijon. O capitão finalmente se aposentou, em 1885, contando com a estima de seus colegas militares, em virtude da sua retidão, lealdade e bom coração.

Santa Elisabeth da Trindade, órfã de pai
No ano em que nasceu a segunda filha do casal, Margarida, morreu a dona Josefina, mãe de Maria e avó daquelas crianças. O viúvo, senhor Raimundo, foi morar com a filha, o genro e as netas. As crianças, Elisabeth e Margarida, conviveram com seu avô até o seu falecimento, em 1887. No mesmo ano, a família teve outra grande tristeza, com a morte do papai de Santa Elisabeth da Trindade. Como foi o impacto de perder o pai aos 7 anos de idade? Dez anos depois, a adolescente reviu esse fato doloroso escrevendo uma poesia que expressou a profundidade do sentimento:
“Ó pai, há dez anos,
Feria-te a cruel morte!
Deixavas tua viúva desolada,
Tuas filhas tão jovens ainda;
E tua alma deixava a terra,
Lugar de exílio e de misérias,
Para voltar ao seio de Deus,
Na bela cidade dos Céus”
(Santa Elisabeth da Trindade, poesia 37).

Sobre a Convivência de Santa Elisabeth da Trindade com a sua Família
As duas irmãs, Elisabeth e Margarida, possuíam temperamentos diferentes, mas eram amigas e companheiras nos estudos, na música e nas brincadeiras. Se Margarida mostrava um temperamento sereno e calmo, Elisabeth era o oposto, chegando a ser comparada com um  “diabinho”, pois mostrava um comportamento até violento, às vezes. Como é que Elizabeth mudou suas atitudes? Pelo Amor a Deus e à sua mãe. Um fato muito marcante nessa “conversão” de Santa Elisabeth da Trindade foi a sua Primeira Eucaristia, em 1891, quando recebeu uma Graça que a marcou durante toda a sua vida. A partir daí, ela foi se entregando cada vez mais Jesus, com generosidade e humildade.
A senhora Maria Catez manteve-se muito ligada espiritualmente com as filhas, especialmente com Santa Elisabeth da Trindade. Apesar do sofrimento de ver a filha entrar no Carmelo, soube oferecer esse sacrifício a Deus, espelhando-se em outra viúva, a Santíssima Virgem, aos pés da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 19, 25-27). Assim como a Virgem Maria ofereceu seu filho crucificado, a senhora Catez ofereceu sua filha que ingressava na clausura carmelita, em 1901.
No ano seguinte, a senhora Catez teve a alegria de ver o casamento de sua filha mais nova, Margarida, com o senhor Jorge Chevignard. Margarida teve nove filhos, sendo que as duas primeiras crianças receberam carinhos e orações especiais de Santa Elisabeth da Trindade: Odete, nascida em 1905, e a primogênita, que recebeu o nome Elisabeth em homenagem à sua tia carmelita. Observe-se que, dos nove sobrinhos de Santa Elisabeth, um foi sacerdote e quatro mulheres se consagraram a Deus, incluindo a primogênita.
Santa Elisabeth sentia uma amizade muito grande com sua irmã Margarida, o que foi se transformando em uma espécie de comunhão espiritual, que se manifestou no escrito “Céu na Fé”, escrito durante a doença final daquela jovem irmã carmelita, em 1906, alguns meses antes de morrer. A monja carmelita queria fazer uma “surpresa” para sua irmã, que apenas ficou sabendo disso em 1907. Santa Elisabeth sentia-se a “mãezinha” espiritual de sua irmã Margarida e deixou esses escritos como uma espécie de alimento para a caminhada dela, beneficiando, posteriormente, todo o povo de Deus.
Também era grande o amor de Santa Elisabeth da Trindade pela sua mãe. A senhora Catez sofria com a clausura da filha, que morava na mesma cidade. Mesmo assim, mãe e filhas se amavam de coração. A irmã Elisabeth da Trindade acompanhava, do Carmelo, cada sofrimento de sua mãe, até mesmo as doenças de estômago. A senhora Catez sofreu muito com a doença e a morte de Santa Elisabeth. A passagem da filha abalou profundamente a mãe, que modificou bastante a sua vida interior. Oito anos depois, em 1914, a senhora Catez também iria falecer, por causa de uma parada cardíaca. Por sua vez, a senhora Margarida, irmã de Santa Elisabeth, faleceu, já viúva, aos 71 anos de idade, em 1954.

Oração final pelas Famílias
Como é bonito ver uma família que se ama, produzindo frutos de fé esperança. Santa Elisabeth da Trindade não nasceu do acaso, mas nasceu do amor de um casal unido pelo sacramento do matrimônio. Vamos terminar esse artigo pedindo a intercessão dessa santa carmelita em favor de todas as famílias. Que Deus olhe com Misericórdia infinita para os lares, curando feridas e distribuindo bênçãos: Santa Elisabeth da Trindade, rogai por nós!

Referências
CARMEL DE DIJON. Elisabeth de la Trinité: Vie. Dijon: Carmel de Flavignerot, 2016c. Disponível em: http://elisabeth-dijon.org/vie.html. Acesso em: 14 dez. 2016.
ELISABETE DA TRINDADE, Irmã Carmelita Descalça. Obras Completas. Tradução autêntica dos escritos originais por Attílio Cancin. Petrópolis: Vozes, 1993.
FERMÍN, Francisco J. Sancho; LODOÑO, Rómulo Cuartas. 100 fichas sobre “Elisabete da Trindade”: para aprender e ensinar. Burgos: Editorial Monte Carmelo, 2006.
SCIADINI, Frei Patrício. Memórias da Beata Elisabeth da Trindade. São Paulo: LTr Editora, 2006, 216p.
VARGAS, Carlos Eduardo de C. A Misericórdia na Espiritualidade de Santa Elisabeth da Trindade. Prefácio de Frei Patrício Sciadini. São Paulo: LTr Editora, 2017.









[1]     Carlos Vargas é presidente da Comunidade Santa Teresa de Jesus (Curitiba – Paraná) e conselheiro da Província Nossa Senhora do Carmo. Escreveu o livro “A Misericórdia na Espiritualidade de Santa Elisabeth da Trindade” (LTr, São Paulo, 2017).