"Poderíamos aqui meditar sobre como seria saudável também para a nossa sociedade atual se num dia as famílias permanecessem juntas, tornassem o lar como casa e como realização da comunhão no repouso de Deus" (Papa Bento XVI, Citação do livro Jesus de Nazaré, Trad. José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ, São Paulo: Ed. Planeta, 2007, p. 106)

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Aborto: estatísticas corretas permitem definir políticas em defesa da vida






Desde os anos 60, têm sido divulgados números hoje sabidamente falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.
Quando o Brasil contava com apenas 80 milhões de habitantes, a revista "Realidade" (maio de 1966) publicava que se realizavam no Brasil um milhão e quinhentos mil abortos por ano. Em setembro do mesmo ano, a mesma revista descia aos detalhes: seriam exatamente 1.488.000 de abortos por ano.
Na mesma época, quando os Estados Unidos contavam com 200 milhões de habitantes, o médico que coordenou a campanha pela legalização do aborto em Nova York divulgava que se realizavam ali 1 milhão e meio de abortos por ano. Mais tarde, após o aborto ter sido legalizado, ele declarou publicamente que sabia que não passavam de 100 mil e que ele havia mentido, mas afirmou também que ninguém lhe havia perguntado as razões do número apresentado.
Em 2003, o atual vice-ministro da saúde do Uruguai declarou em audiência pública no Senado que se realizavam no país 150.000 abortos por ano. No ano seguinte, o número foi corrigido para 33.000 abortos por ano, mas em 2006 já se falava em 52.000 abortos por ano. Próximo à legalização do aborto, passou-se novamente a insistir na cifra de 33.000 abortos por ano. Mas, após a prática ter sido aprovada pelo Congresso e quando o governo já declarava que não mais se faziam abortos clandestinos no país, verificou-se que se realizavam apenas seis mil abortos por ano no Uruguai.
Esse modo de tentar comprovar a necessidade de aprovar o aborto tem sido recorrente quando da discussão sobre o aborto. Os promotores do aborto sempre multiplicaram os verdadeiros números por 10 ou 20 vezes. O ardil sempre funcionou porque ninguém foi conferir as razões dos números.
Ao tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADPF 442, que pretende declarar o aborto como um direito fundamental, repete-se a mesma tática. Não podemos assistir o mesmo filme e repetir os mesmos erros. É importante desmascarar uma impostura já conhecida e estudada, mas principalmente afirmar que os verdadeiros números apontam para a necessidade de políticas públicas com as quais as mulheres não precisam do aborto para serem socorridas.
No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que "consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto".
No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que "consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto".
A notícia assegura que, no Brasil, se provocam 1 milhão e 200 mil abortos por ano. Sustenta, com base nestes números, que, em uma década, o SUS gastou R$ 486 milhões com internações para tratar as complicações do aborto, sendo 75% deles provocados. De 2008 a 2017, 2,1 milhões de mulheres teriam sido internadas por este motivo. Este número inclui as internações por abortos naturais e provocados, o que daria cerca de 200.000 internações por ano por causa de abortos. É deste total que o Ministério da Saúde afirma que 75% são de abortos provocados, o que representaria, por ano, 150.000 internações por aborto provocado e apenas 50.000 por aborto natural.
Mas, como pode ser isto, se no Brasil nascem 2 milhões e 800 mil crianças por ano? Ora, os tratados de medicina afirmam que o número de abortos naturais, que ocorrem, em sua maioria, na segunda parte do primeiro trimestre, representa, em média, 10% do número das gestações. Neste caso, como a grande maioria dos abortos naturais passa por internações hospitalares, somos obrigados a afirmar que a grande maioria das 200.000 internações por aborto no Brasil se devem a abortos naturais, e não a abortos provocados. Ademais, confirma este número qualquer médico com experiência em pronto atendimento obstétrico, que dirá que os abortos provocados representam, no máximo, e possivelmente com exagero, 25% das internações por aborto. Assim, teríamos, no máximo, 50 mil internações por ano de mulheres que provocaram abortos.
No Brasil, em 2010 e 2016, foram realizadas duas pesquisas nacionais sobre o aborto, patrocinadas pelo Ministério da Saúde e premiadas pela Organização Pan-americana de Saúde. Estes estudos, intitulados "Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna", encontraram que, de cada 2 mulheres que praticam o aborto, uma tem de ser internada.
Ora, no Brasil, temos 200.000 internações por aborto a cada ano, incluídos aí os abortos provocados e os abortos espontâneos. Este número está em diminuição há alguns anos, cerca de 10% ao ano, segundo o DATA SUS.
Os obstetras que trabalham em atenção emergencial nos hospitais dizem, conforme já exposto, que a maioria dessas internações são de abortos naturais. No máximo 25% seriam de abortos provocados.
Portanto, haveria, por ano, 50.000 internações por abortos provocados, no Brasil. Então, como para cada dois abortos uma mulher é internada, teríamos um total 100 mil abortos provocados por ano no Brasil.
Este número é coerente com os dados dos livros de ginecologia e patologia, que dizem que cerca de 10% das gestações terminam em aborto espontâneo entre o segundo e o terceiro mês. Vejamos: como no Brasil temos 200 milhões de habitantes e 2.800.000 nascimentos por ano, o número de abortos naturais deveria ser de aproximadamente 280.000. Sabe-se que a maioria destes casos são atendidos em hospitais, para curetagem ou outros procedimentos. Este número é coerente com as 200.000 internações por aborto no sistema de saúde.
Assim, quando se estima que a maioria das internações por aborto se deve ao aborto espontâneo, além do testemunho dos médicos, temos uma fundamentação estatística para isso. A estimativa de, no máximo, 25% de abortos provocados nas internações por aborto, portanto, é provavelmente um número já superestimado.
Além disso, temos os números do IBGE, em cuja Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 se encontra a relação entre o número estimado de abortos espontâneos e de abortos provocados de 7,6 vezes mais abortos espontâneos que abortos provocados. Não há indicação de como estes dados foram calculados, mas é uma proporção de quase a metade do que supõem as estimativas aqui trabalhadas.
Portanto, já com possíveis superestimações, o número de abortos provocados deve ser estimado em metade das internações totais por aborto, ou seja, 100 mil abortos provocados por ano, já provavelmente superestimados.
Contudo, o IPAS, uma organização que promove o aborto internacionalmente, e o Instituto Allan Guttmacher, que pertence à IPPF, uma organização que é proprietária da maior rede de clínicas de abortos do mundo, dizem o contrário: que se deve multiplicar este número de internações por 5 ou por 6. Com isso, obtém-se as cifras de aborto para o Brasil entre 1 milhão e 1 milhão e meio de abortos por ano.
Este multiplicador é semelhante ao que o Dr. Bernard Nathanson, o articulador da legalização do aborto em Nova York em 1970, utilizou pela primeira vez, quando sabia que os abortos provocados nos Estados Unidos eram, no máximo, 100 mil, e disse para a imprensa, com a intenção de promover a legalização do aborto, que eram 1 milhão e meio, sem dar justificativas, cifras que, aliás, ninguém questionou. Naquela época a população americana era de 200 milhões, igual à do Brasil de hoje.
Mas no Brasil, desde os anos 60, quando nossa população era de 80 milhões, já se afirmava que se faziam 1 milhão e meio de abortos por ano. Quem divulgava estes números era a filial da IPPF no Brasil, chamada Benfam. O número nunca foi justificado.
Este número continuou a ser apresentado inalteravelmente até hoje, porém, as instituições que realizaram em 2010 o estudo "Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna", ao repetirem seu estudo em 2016, diante do fato que os movimentos em favor da vida já estavam apresentando os dados corretos, encontraram um modo de calcular este número não mais em 1 milhão e meio, mas em 412 mil por ano.
O argumento utilizado para fundamentar este número, que agora seria de 412 mil abortos, foi que, em 2016, teriam sido entrevistadas um total de 2002 mulheres entre 18 e 39 anos, das quais 251 teriam dito ter feito um aborto e, entre estas 252 mulheres, 27 teriam dito ter feito aborto em 2015, ou seja, 1,35% do número total das 2002 mulheres. Portanto, como há cerca de 37 milhões de mulheres com idade entre 18 e 39 anos no Brasil, multiplicando este número por 1,35%, obteríamos um total, segundo o estudo, entre 400.000 a 500.000 abortos provocados por ano.
Porém, o que não se consegue explicar é: por que se dizia que este número era de 1 milhão e meio até a pouco tempo? E por que agora o Ministério da Saúde, que patrocinou estas duas pesquisas, volta aos mais de um milhão de abortos por ano, segundo as tabelas oferecidas ao STF, que a Folha de São Paulo afirma ter copiado em primeira mão?
Mas, mesmo se um número de 400.000 fosse verdadeiro, então, neste caso, como as duas pesquisas constataram que, de cada duas mulheres que provocam aborto, uma é internada, teríamos de ter 200.000 internações por ano somente por aborto provocado no sistema de saúde. Se o número de abortos naturais é bastante maior que o de abortos provocados, consequentemente, teríamos que ter um número total de internações por aborto em torno de 800.000 ao ano, um número que não se verifica. Além disso, se no Brasil tivéssemos 800.000 de internações por aborto por ano, deveríamos ter cerca de 7 ou 8 milhões de nascimentos por ano, o que também não se verifica.
Segundo os próprios dados oferecidos pelas pesquisas dos defensores do aborto, esses números são flagrantemente insuflados e não podem corresponder à realidade. Se o Ministério da Saúde ofereceu este relatório ao STF e ao Jornal, isso já não sabemos.
Contudo, poderia restar, ainda, uma dúvida. E se estes números apresentados pela Folha ou pelos movimentos a favor do aborto fossem verdadeiros, não deveríamos legalizar o aborto para solucionar o problema?
Ora, uma eventual pergunta como esta nos parece apenas fruto da incapacidade de entender a realidade das coisas e da própria obstinação em se legalizar o aborto. Números não são apenas números, números sempre são sintomas de alguma realidade que seria a sua causa. A própria pergunta mostraria a incapacidade do autor em compreender a irrealidade que estaria por detrás destes números. Se, de fato, as mulheres brasileiras praticassem estes milhões de abortos clandestinos por ano, mais do que um problema de saúde, isso seria sinal de uma desintegração social sem proporções, uma situação que exigiria reformas estruturais imediatas e profundas, semelhantes às que ocorreriam em uma situação de pós-guerra. Ninguém, a não ser um ativista que pensa apenas na causa e, por causa disso, sua paixão não lhe permite captar a realidade, pensaria em oferecer a legalização do aborto como solução para reconstruir um país socialmente desestruturado por uma calamidade. Ademais, dadas as consequências psiquiátricas traumáticas reconhecidamente causadas pelo aborto, a magnitude de um número como este, aumentando entre 10 a 20 vezes a realidade do país, significaria a existência uma realidade social tão nitidamente desumanizada e aterradora, que não haveria sentido em nos indagarmos sobre a legalização do aborto, e sim, ao contrário, em como deveríamos reconstruir positivamente o tecido social.

Dom João Bosco B. Sousa, OFM,
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Bispo Diocesano de Osasco - SP

Fonte: http://www.cnpf.org.br/noticias/1302-aborto-estatisticas-corretas-permitem-definir-politicas-em-defesa-da-vida

terça-feira, 10 de julho de 2018

ORAÇÃO DOS CASAIS







Senhor Jesus peço que abençoe o meu coração e o coração de (nome do marido ou esposa). Abençoe nossa vida íntima para que haja amor, respeito, harmonia, satisfação e felicidade. Eu quero ser melhor a cada dia, ajuda-nos em nossas fraquezas, para não cairmos em tentação e livra-nos do mal. Derrame vossa graça sobre nossa família, nossa casa, nosso quarto e ponha teus olhos em nosso favor, para que nosso projeto de vida se realize, pois seremos fiéis a Ti. Queremos que o Senhor participe da nossa união e more em nossa casa. Conserva-nos no amor puro e verdadeiro e que todas as bençãos referentes ao matrimônio, estejam sobre nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

CARTA DE SANTA GIANNA BERETTA MOLLA A SEU ESPOSO PIETRO




30 de abril de 1959
quinta-feira à tarde


Meu caríssimo Pietro,

Recebi esta manhã sua carta de segunda-feira, escrita sempre "no céu", como diz o nosso Giggetto. Conseguiu finalmente dormir bem? Fiquei muito feliz por saber que segunda-feira você acordou como o sol alto. Aqui, ao contrário, ficamos sabendo pelo rádio que você havia passado por uma tempestade de chuva e vento e, enquanto não soubemos pela TWA que a aeronave havia chegado a Boston, ficamos todos preocupados. Gigetto está todo feliz por ter recebido a carta do papai e cuidadosamente a guardou na gaveta junto com o cartão-postal do avião.
Está sempre muito esperto, como também Mariolina. Esta noite não dormiram; tinham medo do vento e do temporal: trovões, água torrencial, vento, parecia o fim do mundo.
Também hoje não pudemos sair porque o mau tempo continua; paciência.
Ontem à noite e hoje tive um pouco de trabalho, pois substituí Nando. Agora, porém, voltou com Rita, infelizmente com sarampo. Isolamento, como é normal, das nossas crianças e esperamos... o melhor.
Meu querido Pietro, penso em você com muito, muito amor sempre, dia e noite, porque o amo muito; você sabe.
Gostaríamos de estar sempre juntos e abraçados, mas... ofereçamos ao Senhor esse sacrifício, para que olhe por nossa querida e bela família e a ajude.
Ainda ontem, no consultório, um representante de laboratório, observando as fotos de nossos tesouros, ficou admirado e não terminava nunca de dar-me parabéns, perguntando-me qual o meu segredo para fazê-los crescer tão bonitos assim.
Nenhum segredo, disse-lhe eu. Deus no-los deu sadios e esperamos que continuem sempre assim; não é verdade paizinho de ouro?
Tchau, papai, mil beijos do seu Gigetto e da sua menina querida. (trecho escrito pelos filhos)
Pierluigi não me deixava sossegada; queria escrever ao papai.
Até a próxima, belo Pedrin; passe bem e não trabalhe demais.
Muitas saudações de Zita, Cecco e Liberata, e beijos muitos amorosos de sua

Gianna


Fonte: Livro Cartas de Amor de uma Santa - de Gianna Beretta Molla para seu Marido. Organizado por Elio Guerriero. Ed. Santuário (2017).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A SANTIDADE QUE SURGE NA FAMÍLIA: SANTA ELISABETH DA TRINDADE


Carlos Eduardo da Eucaristia[1], OCDS

Santa Elisabeth da Trindade foi canonizada pelo Papa Francisco em 2016, mas tudo começou em uma família, a partir do amor de um casal. O nascimento de Santa Elisabeth foi o fruto do amor de José Francisco Catez e Maria Rolland. Nesse artigo iremos contar um pouco sobre a história de amor desse casal, que se dedicou tanto para criar suas duas filhas, frutificando para o bem do povo de Deus. Também iremos partilhar um pouco do ambiente familiar de Santa Elisabeth da Trindade, especialmente nos seus relacionamentos com sua mãe e sua irmã. No final, rezaremos juntos pelas famílias.

Quem foi José Francisco Catez, pai de Santa Elisabeth da Trindade?
O pai de Santa Elisabeth nasceu em 1832, em um município no norte da França. José Francisco Catez era filho de um senhor muito simples, religioso e trabalhador. Infelizmente, o menino, que viria a ser o pai de Santa Elisabeth, ficou órfão aos 8 anos de idade. A criação de José Catez ficou sob responsabilidade da sua mãe, senhora Fideline, que dependia do apoio econômico dos seus filhos mais velhos. Neste período do século XIX, a França passava por uma dura crise econômica e a família Catez sofreu bastante.
Com 20 anos, em 1853, o jovem José mudou-se para a cidade de Arrás para se alistar no exército imperial da França. Ele precisou se esforçar muito e passar por diversas dificuldades para poder progredir na carreira militar. Ele serviu na Argélia e lutou na Guerra Franco-Prussiana. Lamentavelmente, o jovem militar, que viria a ser o pai de Santa Elisabeth, foi preso pelos prussianos durante sete meses. Na sequência, José Catez recebeu promoções, chegando ao cargo de capitão aos 43 anos de idade, contando mais de 20 de anos de serviço militar à França, que já havia se tornado, novamente, uma república. 
O capitão Catez comandava um esquadrão, de maneira ativa e enérgica. Sua situação sócio-econômica atingiu uma condição que lhe permitia pensar em formar uma família. Ele foi transferido para o sul da França, o que foi providencial para que ele conhecesse sua futura esposa, a jovem Maria Emília, que vivia nesta mesma região.

Quem foi Maria Emília Rolland, mãe de Santa Elisabeth da Trindade?
Maria Emília Rolland nasceu em uma família abastada e não precisou sofrer as dificuldades e necessidades que marcaram o início da vida de seu marido. Ela era filha de Raimundo Rolland e Josefina Klein. Este outro avô de Santa Elisabeth, senhor Raimundo, também era um militar, mas era nascido no sul da França. Ele começou a sua carreira no exército aos 20 anos e, em 1851, conseguiu chegar ao cargo de capitão, como o senhor José Catez conseguiria décadas depois. A esposa do capitão Raimundo era uma filha única, de temperamento enérgico.
Os jovens Raimundo e Josefina casaram-se na cidade de Lunéville, no nordeste da França. Foi justamente em Lunéville, em 1846, que nasceu a mãe da Santa Elisabeth da Trindade. A pequena Maria Emília sentia a falta do seu pai, capitão Rolland, quando ele se ausentava para períodos mais intensos do serviço militar, especialmente no período do conflito na Argélia e na campanha da Itália. A jovem Maria também sofreu muito ao ser mordida por uma cobra, o que afetou sua saúde, deixando-a com uma aparência mais envelhecida.  
Antes de conhecer José Catez, a jovem Maria Rolland apaixonou-se por um outro jovem militar e chegou a tornar-se noiva. Contudo, este seu primeiro noivo morreu na Guerra Franco-Prussiana, em 1870. Maria ficou muito abalada com a perda do seu primeiro grande amor. Questionou até mesmo a sua vocação: por que será que sofreu essa perda? Será que não deveria se casar? Seria melhor tornar-se religiosa?
Francisco Sancho Fermín e Rómulo Cuartas Lodoño comentaram sobre a importância de um livro de Santa Teresa de Jesus na formação espiritual de Maria Rolland. Esta jovem conheceu a obra Caminho de Perfeição e gostava de copiar alguns trechos mais marcantes. Este amor à espiritualidade carmelita seria transmitido para sua filha, Santa Elisabeth da Trindade.

A Família aumentou: os nascimentos de Santa Elisabeth da Trindade e sua irmã
O tempo passou e a jovem Maria conheceu José Catez, que era quase 14 anos mais velho. Eles se apaixonaram e, finalmente, se casaram numa cerimônia presidida pelo padre Angles, na cidade de Santo Hilário, na região onde o capitão trabalhava e na qual o casal se conheceu. Mesmo depois da viuvez, Maria, assumindo o sobrenome Catez, continuou tendo um carinho especial com esse local e viajaria outras vezes para essa região com suas duas filhas. O padre Angles permaneceu amigo da família, mantendo uma afinidade espiritual profunda com Santa Elisabeth da Trindade.
A primeira filha do casal José e Maria Catez foi justamente Santa Elisabeth, que nasceu no dia 18 de julho de 1880, em um acampamento militar onde seu pai estava trabalhando. No ano seguinte, o capitão Catez mudou-se com a família para Auxone, onde nasceria a segunda filha, Margarida, em 1882. A última transferência do capitão José Catez foi direcionada para a cidade de Dijon. O pai de Santa Elisabeth pôde manter um bom padrão de vida para sua família, em Dijon. O capitão finalmente se aposentou, em 1885, contando com a estima de seus colegas militares, em virtude da sua retidão, lealdade e bom coração.

Santa Elisabeth da Trindade, órfã de pai
No ano em que nasceu a segunda filha do casal, Margarida, morreu a dona Josefina, mãe de Maria e avó daquelas crianças. O viúvo, senhor Raimundo, foi morar com a filha, o genro e as netas. As crianças, Elisabeth e Margarida, conviveram com seu avô até o seu falecimento, em 1887. No mesmo ano, a família teve outra grande tristeza, com a morte do papai de Santa Elisabeth da Trindade. Como foi o impacto de perder o pai aos 7 anos de idade? Dez anos depois, a adolescente reviu esse fato doloroso escrevendo uma poesia que expressou a profundidade do sentimento:
“Ó pai, há dez anos,
Feria-te a cruel morte!
Deixavas tua viúva desolada,
Tuas filhas tão jovens ainda;
E tua alma deixava a terra,
Lugar de exílio e de misérias,
Para voltar ao seio de Deus,
Na bela cidade dos Céus”
(Santa Elisabeth da Trindade, poesia 37).

Sobre a Convivência de Santa Elisabeth da Trindade com a sua Família
As duas irmãs, Elisabeth e Margarida, possuíam temperamentos diferentes, mas eram amigas e companheiras nos estudos, na música e nas brincadeiras. Se Margarida mostrava um temperamento sereno e calmo, Elisabeth era o oposto, chegando a ser comparada com um  “diabinho”, pois mostrava um comportamento até violento, às vezes. Como é que Elizabeth mudou suas atitudes? Pelo Amor a Deus e à sua mãe. Um fato muito marcante nessa “conversão” de Santa Elisabeth da Trindade foi a sua Primeira Eucaristia, em 1891, quando recebeu uma Graça que a marcou durante toda a sua vida. A partir daí, ela foi se entregando cada vez mais Jesus, com generosidade e humildade.
A senhora Maria Catez manteve-se muito ligada espiritualmente com as filhas, especialmente com Santa Elisabeth da Trindade. Apesar do sofrimento de ver a filha entrar no Carmelo, soube oferecer esse sacrifício a Deus, espelhando-se em outra viúva, a Santíssima Virgem, aos pés da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 19, 25-27). Assim como a Virgem Maria ofereceu seu filho crucificado, a senhora Catez ofereceu sua filha que ingressava na clausura carmelita, em 1901.
No ano seguinte, a senhora Catez teve a alegria de ver o casamento de sua filha mais nova, Margarida, com o senhor Jorge Chevignard. Margarida teve nove filhos, sendo que as duas primeiras crianças receberam carinhos e orações especiais de Santa Elisabeth da Trindade: Odete, nascida em 1905, e a primogênita, que recebeu o nome Elisabeth em homenagem à sua tia carmelita. Observe-se que, dos nove sobrinhos de Santa Elisabeth, um foi sacerdote e quatro mulheres se consagraram a Deus, incluindo a primogênita.
Santa Elisabeth sentia uma amizade muito grande com sua irmã Margarida, o que foi se transformando em uma espécie de comunhão espiritual, que se manifestou no escrito “Céu na Fé”, escrito durante a doença final daquela jovem irmã carmelita, em 1906, alguns meses antes de morrer. A monja carmelita queria fazer uma “surpresa” para sua irmã, que apenas ficou sabendo disso em 1907. Santa Elisabeth sentia-se a “mãezinha” espiritual de sua irmã Margarida e deixou esses escritos como uma espécie de alimento para a caminhada dela, beneficiando, posteriormente, todo o povo de Deus.
Também era grande o amor de Santa Elisabeth da Trindade pela sua mãe. A senhora Catez sofria com a clausura da filha, que morava na mesma cidade. Mesmo assim, mãe e filhas se amavam de coração. A irmã Elisabeth da Trindade acompanhava, do Carmelo, cada sofrimento de sua mãe, até mesmo as doenças de estômago. A senhora Catez sofreu muito com a doença e a morte de Santa Elisabeth. A passagem da filha abalou profundamente a mãe, que modificou bastante a sua vida interior. Oito anos depois, em 1914, a senhora Catez também iria falecer, por causa de uma parada cardíaca. Por sua vez, a senhora Margarida, irmã de Santa Elisabeth, faleceu, já viúva, aos 71 anos de idade, em 1954.

Oração final pelas Famílias
Como é bonito ver uma família que se ama, produzindo frutos de fé esperança. Santa Elisabeth da Trindade não nasceu do acaso, mas nasceu do amor de um casal unido pelo sacramento do matrimônio. Vamos terminar esse artigo pedindo a intercessão dessa santa carmelita em favor de todas as famílias. Que Deus olhe com Misericórdia infinita para os lares, curando feridas e distribuindo bênçãos: Santa Elisabeth da Trindade, rogai por nós!

Referências
CARMEL DE DIJON. Elisabeth de la Trinité: Vie. Dijon: Carmel de Flavignerot, 2016c. Disponível em: http://elisabeth-dijon.org/vie.html. Acesso em: 14 dez. 2016.
ELISABETE DA TRINDADE, Irmã Carmelita Descalça. Obras Completas. Tradução autêntica dos escritos originais por Attílio Cancin. Petrópolis: Vozes, 1993.
FERMÍN, Francisco J. Sancho; LODOÑO, Rómulo Cuartas. 100 fichas sobre “Elisabete da Trindade”: para aprender e ensinar. Burgos: Editorial Monte Carmelo, 2006.
SCIADINI, Frei Patrício. Memórias da Beata Elisabeth da Trindade. São Paulo: LTr Editora, 2006, 216p.
VARGAS, Carlos Eduardo de C. A Misericórdia na Espiritualidade de Santa Elisabeth da Trindade. Prefácio de Frei Patrício Sciadini. São Paulo: LTr Editora, 2017.









[1]     Carlos Vargas é presidente da Comunidade Santa Teresa de Jesus (Curitiba – Paraná) e conselheiro da Província Nossa Senhora do Carmo. Escreveu o livro “A Misericórdia na Espiritualidade de Santa Elisabeth da Trindade” (LTr, São Paulo, 2017).

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PARA REFLETIR...



"Hoje as pessoas, infelizmente, têm dado o pior delas para o outro. Todos aqueles que são chamados para essa vocação, que é linda, precisam de muito discernimento. É um desafio dar o melhor. Você que deseja viver a vocação do Matrimônio se prepare para dar o melhor, não deixe que o mundo machuque seu coração a ponto de você dar o pior para o outro."

Adriana Arydes, cantora católica, esposa e mãe

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O CASTELO INTERIOR NA VIDA MATRIMONIAL





            O Castelo Interior para Santa Teresa é “entrar dentro de si mesmo” em busca do “aposento do Rei”, no mais profundo da alma, onde está Cristo. A graça de Deus nos impulsiona em direção ao centro. Deus deseja comunicar-se com a pessoa profundamente e para que isto ocorra existe a necessidade da resposta humana, uma abertura ao chamado de Deus.

            “No caminho que vai da entrada do Castelo Interior até os aposentos do Rei, a graça vai transformando a pessoa profundamente, até o encontro com Deus e a comunhão pessoal com Cristo no matrimônio espiritual, inaugurando concomitantemente uma humanidade transformada.”                                                                                     Lúcia Pedrosa-Pádua

            Então através de uma linguagem simbólica, Santa Teresa vai nos ensinar, todo esse percurso, essa caminhada para dentro de nós mesmos, e com um único objetivo. Encontrar o Senhor no mais profundo de nós mesmos. A porta para se entrar neste castelo, que somos nós mesmos, é a oração, que como nos ensina Santa Teresa é o trato de amizade com aquele que sabemos que nos ama.
            Se cada pessoa tem o seu próprio castelo interior para adentrar, iniciando pelo autoconhecimento até chegar ao encontro com o Rei, então como perceber o castelo interior na vida matrimonial? Os cônjuges são chamados à santificação não apesar do casamento, mas no e pelo casamento. Não há necessidade para as pessoas casadas de procurar outro caminho para a santificação, que não o seu amor penetrado e transfigurado pelo amor divino. Este amor não os fecha sobre si mesmos, fortalece para a missão que é especificamente sua unidos pelo Sacramento do Matrimônio, que os torna uma só carne e com uma só vocação. O desejo de seguir a Cristo os une e então juntos vão trilhar este caminho.
Entra-se em si mesmo, cada um buscando conhecer-se com intuito de melhorar como pessoa, sempre com os olhos fixos no Amado, mas também se entra no castelo formado por estas duas almas desejosas de juntas, unidas pelo matrimônio, chegar à união com Deus.

 “O casal esforçando-se para aprender, a exemplo de Cristo, servir a Deus por toda a sua vida e em pleno mundo...” Pe Caffarel.

“Dois sequiosos de Deus”, dois buscadores cuja inteligência e coração são ávidos de conhecer e de encontrar Deus, no mais profundo de seu ser, de sua alma, ou seja, nos aposentos reais como nos diz Santa Teresa. Dessa maneira é que se pode falar de castelo interior na vida matrimonial. Os dois buscam conhecer-se a si mesmos e adequar esse conhecimento de si ao conhecimento, amor e respeito ao outro cônjuge. Estas duas almas que caminham juntas, estreitadas pelo laço de matrimônio em direção aos aposentos do Rei, vivem todas as dificuldades, tempos ruins, tristezas, mas também, tempos bons, alegrias e tudo que faz parte da vida em comum ao casal. Na realidade cabe ao casal envolver toda a vida familiar nesta busca santa.

Primeiras Moradas
Nós somos o castelo onde Deus mora

O que devemos fazer para entrar no interior desse castelo? E como casais?
 “O castelo interior somos nós, é dentro de nós que devemos entrar, não com violência, mas com ternura e delicadeza, não pelas janelas, mas pela porta central que é a oração”.  Para esta viagem devemos nos armar de muita determinação, humildade e obediência.
Da mesma forma que a pessoa nas primeiras moradas é chamada a conhecer-se e entrar no castelo cuja porta é oração, os cônjuges são convidados a percorrer esse caminho de conhecimento deles mesmos como indivíduos e como casal. Para o casal, que deseja caminhar juntos, a porta também será a oração. Os momentos que sentam para rezar juntos, dialogar, verificar as dificuldades de cada um e como lidar com isso. Ao casar, trazemos para o relacionamento nossos próprios problemas e questões pessoais, a bagagem de cada um se junta, e necessitamos como casal, aprender a lidar com o que faz parte de cada um. É justamente neste caminho de oração, diálogo e autoconhecimento que o casal adentra no castelo.

Não é pequena lástima e confusão que, por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância filhas minhas, que se perguntasse a uma pessoa quem é e ela não se conhecesse nem soubesse quem foi seu pai, sua mãe ou a terra onde nasceu?   1M 1,2                                                                            
  “Quando duas pessoas se unem pelo casamento, a maior parte de seus problemas provém de coisas em suas bagagens que conflitam entre si. Portanto, conhecer a outra pessoa profundamente e descobrir as suas raízes é fundamental para compreender o porquê deste ou daquele comportamento. E mais: conhecer a si mesmo é igualmente essencial, pois isso lhe ajudará a desenvolver maneiras de lidar com suas próprias raízes e assim resolver as diferenças e conflitos.” Casamento Blindado
Como nos ensina Santa Teresa, muitas pessoas vivem sempre só em torno do castelo e não se interessam de entrar nele, não tem ideia do que existe nesta maravilhosa mansão e nem quem nela habita.
Então na vida matrimonial, quando nos propomos a adentrar neste castelo interior, quando buscamos nos conhecer como pessoa e como casal, através da porta que é a oração, precisamos considerar tudo com muito zelo e seguir os conselhos de santa madre: para ser oração – vida de oração é necessária a reflexão e vamos encontrar esta oportunidade na Oração Conjugal.
 Nestes primeiros aposentos ainda acabam entrando muitas coisas que não são boas e assim, ainda não se pode enxergar toda a beleza do castelo.
Mas Santa Teresa nos diz:
... muito fazem em já ter entrado.
É muito bom, é sumamente bom entrar no primeiro aposento do conhecimento próprio, antes de voar aos outros. É este o caminho.

Segundas Moradas
Grande importância da Perseverança

Teresa nos fala da grande importância que a pessoa não abandone o caminho começado e como é também de extrema importância lidar com aqueles que se empenham nas mesmas coisas, não só dos que se encontram nas mesmas moradas, como aqueles que já se aprofundaram mais. Então o casal tem um ao outro, e também podemos perceber que temos uns aos outros, casais empenhados em superar todas as dificuldades e seguir rumo aos aposentos do Rei.

“Todo o empenho de quem começa a ter oração... deve ser trabalhar, determinar-se e dispor-se, com toda a diligência possível, a amoldar sua vontade a vontade de Deus." 2M 1,8

Nestas segundas moradas santa Teresa nos fala que aqui já se encontram pessoas que já começaram a ter oração e que compreenderam o valor de caminhar sempre mais no progresso espiritual e não parando nas primeiras moradas. Mas são ainda almas que não têm a firmeza necessária para ir adiante definitivamente, ainda não abandonaram as ocasiões de pecado, mas já percebem e de vez em quando fogem, o que é grande misericórdia de Deus.
Estas almas começam a perceber melhor os chamados do Senhor, e estes podem ser através de homilias, livros, acontecimentos em nossa vida, pessoas... nosso cônjuge. Ainda muito mergulhados nas coisas do mundo, ora podem cair e ora se levantam. O Senhor não deixa de chamar. É importante não desanimar e continuar na oração. Aqui é um ponto bastante importante para nós casais que estejamos bem unidos nessa empreitada.

Sua Majestade pode aguardar muitos dias e até anos especialmente quando vê a perseverança e bons desejos.

     Pontos concretos de esforço dos dois:
·       Perceber o que mais necessitamos nesse caminho
·       Cuidado com a queda e a recaída
·       Dever de sentar-se para dialogar, orar juntos
·       Seja o casal vigilante na construção de sua casa

É uma etapa de luta, buscar superar a situação de divisão psicológica de querer ir pra frente, mas sofrer com a tentação de olhar para trás.
Teresa dirá que esta etapa é de luta porque o pecado ainda espreita a alma. São as moradas das provas do inimigo. Aqui persistem os dinamismos de desordem, introduzidos no castelo pela vida vivida fora dele, são as serpentes, víboras... E outros animais venenosos, que no entender de Teresa são as forças de desordens introduzidas no castelo pelo pecado. Teresa propõe três frentes de combate:
1. O interior - combater a desordem conflitiva dentro de si mesmo. Quem entra nestas segundas moradas, se encontra estranhamente incômodo no próprio castelo.
2. O exterior - quem padeceu o mal do pecado, colocando seu ser interior fora de si, agora sofre o chamado insistente de todas as coisas e pessoas que lhe dominaram. Terá de enfrentar tudo isso para readquirir a liberdade e o domínio de si.
3. O transcendente - Os demônios, dirá Teresa, como São Paulo. Ela crê que na luta que combate o cristão intervêm forças misteriosas.
Como pessoas e casais que somos, seremos muito tentados a comodidades, soluções rápidas e mais fáceis para os problemas da vida de casal e familiar. Mas necessitamos nos empenhar nesta busca como casal cristão de viver realmente o Evangelho, a vocação ao matrimônio a que fomos chamados.
Empenho do casal para aprender como, a exemplo de Cristo, servir a Deus por toda a vida e em pleno mundo. “Então olhos fixos em Jesus”.

Terceiras Moradas
Andar com Temor - Humildade é o que precisamos

As Terceiras moradas nos ajudam a pensar, a refletir sobre nossas fragilidades e nos convidam a olhar com mais intensidade o ideal que nos propomos. Santa Teresa vai nos falar sobre a insegurança nesta caminhada, nossa segurança no caminho é confiar em Deus. Somos fracos e podemos cair no meio do caminho. Ela nos convida a refletir que mesmo santos que atingiram altos graus de santidade e que recuaram, caíram. Ela nos lembra também, que já foi imensa graça chegar às terceiras moradas. E diz também que não nos deixemos perturbar.

Mas bem sabe Sua Majestade que só posso confiar em Sua misericórdia; e já que não posso deixar de ser quem tenho sido não tenho outro remédio senão apegar-me a ela e confiar nos méritos de Seu Filho e da Virgem, sua Mãe, cujo hábito indignamente envergo.    3M 1,3

Do livro As moradas do Castelo interior: Um passo a mais dentro do nosso castelo... Chegamos às terceiras moradas. Travessia que é um período de prova. Se nas segundas moradas fomos provados pelo inimigo, aqui quem nos prova é o amigo... Onde o orante é submetido a misteriosas provas de autenticidade do seu amor por Jesus... O tipo bíblico que Teresa vai recorrer aqui para mostrar quem é o homem das terceiras moradas é o jovem do Evangelho...

E este amor, filhas, não há de ser fabricado em nossa imaginação, mas provado por obras... Não penseis que o Senhor tenha necessidade de nossas obras. Ele só quer a determinação de nossa vontade.    3M 1,7

“A alma sente segurança se não retrocede no caminho começado.”
Excelente disposição é para a alma perseverar e não voltar ao contato com os parasitas dos primeiros aposentos, nem mesmo pelo desejo...
E ela nos pede para guardar bem este aviso de se considerar servo inútil !
De exercitar sempre a virtude da Humildade e nos lembra de que muitos não vão adiante por falta desta virtude.
Para nós casais: Com determinação os esposos buscam viver uma vida santa, enfrentando as dificuldades, confiando sempre na Misericórdia de Deus. Paulatinamente vão acontecendo os processos de purificação e crescimento. É um trabalho lento, perseverante e corajoso.


Quartas Moradas
Para aproveitar neste caminho e subir às moradas desejadas, o essencial não é pensar muito –  é amar muito

Como estas moradas já se encontram mais perto de onde está o Rei, é grande a sua formosura... Parece razoável pensar que, para chegarmos a estas moradas, deveremos ter vivido nas outras muito tempo.                                                                                                            4M 1,2

Nestas moradas também vai nos falar que as distrações não são impedimento para a nossa oração.
E também que nestas moradas poucas vezes entram os répteis peçonhentos e se o fazem, não causam tanto prejuízo.
A vontade está mergulhada em Deus.
Entre oração e vida não deve existir separação, mas busca de união.
Do livro As moradas do Castelo interior:
As quartas moradas equivalem à segunda água com que se rega o horto da alma... aqui escutaremos a santa falando de recolhimento e quietude, mas essas novas formas de oração que experimentamos irão transbordar em toda a nossa vida, como exemplo, através de uma conduta fraterna.
Sobre Luís e Zélia: De sua vida de oração, de sua presença sob o olhar de Deus, resulta uma evidência: a necessidade de ascese. “A alma colocada sob a luz de Deus descobre as exigências da pureza divina, diz Frei Maria Eugênio”. Sua ascese tomará a forma que lhes oferece a vida litúrgica e os acontecimentos que se apresentam ao longo da jornada... A vida dos dois se tornou um diálogo de amor com Aquele de quem se sabem filhos queridos.


 Quintas Moradas
“Senhor meu, enviai do céu luz para que eu possa esclarecer de algum modo estas Vossas servas”

A alma nas quintas morada encontra-se no campo místico. Entrou no castelo, passou pelas lutas, superou as provações e está aberta à ação gratuita de Deus. Ele mesmo sai ao encontro da alma para juntá-la e uni-la consigo em uma primeira experiência de união.  Do livro As moradas do Castelo Interior
Santa Teresa vai nos explicar nesta etapa, a impossibilidade de chegarmos à oração de união por nossas próprias forças. A união é obra exclusiva de Deus. Porém Ele quer a nossa disposição para recebê-la.
Para explicar a oração de união Santa Teresa vai se utilizar da comparação com o bicho da seda.
Sobre o casal Luís e Zélia:
“Com efeito, Deus é o primeiro em seus corações e em suas vidas. Luís e Zélia têm elevado nível de consciência da grandeza do amor divino – que é nossa origem, a única realidade verdadeira e nosso fim, o que os Martins conservam constantemente no espírito. Há um texto que Zélia sabia de cor e recita amiúde para as filhas: “Oh! Falai-me dos mistérios desse mundo que meus desejos pressentem, no seio do qual minha alma, cansada das sombras da terra, anseia por mergulhar. Falai-me daquele que o fez e o encheu de si mesmo, o único que pode preencher o imenso vazio que abriu em mim...”

Sextas Moradas
Ó Formosura que excedeis...

“Com o favor do Espírito Santo, falemos, pois, das sextas moradas, onde a alma, já ferida pelo amor do Esposo, procura mais ocasiões de estar a sós e deixar – de acordo com seu estado – tudo quanto possa atrapalhar essa solidão.”
“Na Bíblia, várias vezes vemos comparações de Deus como um fogo”. Santa Teresa está convencida de que para a alma receber as joias que lhe serão dadas na vida mística, é indispensável uma lavagem profunda do espírito, desapegando-o de todo criado.
Teresa deixa para seus leitores uma mensagem decisiva para a vida espiritual: a vida do cristão deve estar centralizada de forma radical na humanidade de Cristo.
Ainda que possam fruir de algo de bom neste mundo, Luís e Zélia situam no Céu essa felicidade em plenitude, de modo a manter o olhar incessantemente voltado para lá. A própria Teresinha confirmará isso: O Céu, para o qual tendiam todos os seus desejos e ações...” Dessa confiança na bondade de Deus e em sua Providência decorre seu abandono à divina vontade. Luís e Zélia vão progressivamente colocar suas vidas nas mãos do Senhor e deixar que ele lhes indique a direção.”

 Sétimas Moradas
Alcancemos o alvo

Centro do Castelo, centro da alma, centro de si mesmo.
O tema destes capítulos será a santidade de vida. Teresa nos apresentará a santidade como estágio final, plenitude de vida nova.
Em sua dimensão antropológica, a santidade promove a plenitude do desenvolvimento humano, a maturidade do “homem novo”.
Um dos grandes efeitos produzidos na alma que é conduzida por Deus a esta morada, é o esquecimento de si. Aqui ela só deseja contentar a Deus. Eis a finalidade deste matrimônio espiritual.

Desejemos e pratiquemos a oração não a fim de nos satisfazer, mas para termos força no serviço de Deus”.    7M 4, 12

Marta e Maria
Teresa nos diz que as duas devem andar juntas, pois contemplação e oração conduzem ao serviço que devemos prestar ao Senhor.

Crede-me: Marta e Maria sempre hão de andar juntas, a fim de hospedar o Senhor. É preciso trazê-lo a todo instante consigo e não o receber mal, deixando-o sem alimento. Como Maria lhe daria a refeição, sempre assentada a seus pés, se sua irmã não a ajudasse? O alimento para o Senhor é que, por todos os modos ao nosso alcance, ganhemos almas que se salvem e eternamente louvem a Deus.                        7M 4,12



E nos ensina Santa Teresa:
“ Só vos digo uma coisa: não queirais ajudar a todo mundo. Contentai-vos em ajudar aqueles que estão em vossa companhia. A vossa obrigação para com eles é maior. Desse modo, a vossa obra será tanto mais meritória”                                  7M 4,14

Conclusão: Qual o nosso caminho como casais cristãos OCDS
·         Ponto de Partida - A entrada no castelo interior
·         Ponto de chegada – Aposentos do Rei
·         Exigência – Perseverança e determinação na vida de oração em nosso matrimônio
·         Implicações – Nosso testemunho no mundo
·         Itinerário – O caminho ensinado por Teresa e João da Cruz, em busca do Amado

Bibliografia
·         Livro das Moradas. Leitura orante e pastoral. Edições Loyola
·         Luís e Zélia. Hélène Mongin
·         Santa Teresa de Jesus – Mística e Humanização. Lúcia Pedrosa-Pádua
·         A Missão do Casal Cristão. Henri Caffarel
·         Casamento Blindado. Renato & Cristiane Cardoso
·         As Moradas do Castelo Interior – De Ana Geórgia Bezerra de Menezes e Frei Patrício



Material preparado para o II Congresso de Casais OCDS, por Gerardo Fernandes e Mônica Dodt, membros da Comunidade Rainha do Carmelo – Fortaleza-Ceará.