sexta-feira, 2 de abril de 2010
Socorro! Queremos um Filho!
"Por favor, socorra-me! Há algo estranho acontecendo comigo e com meu marido: queremos um filho! Sei que não é nada comum alguém querer um filho hoje em dia, por isso estou pedindo socorro. Ocorre que queremos um filho. Queremos dar a vida, dar à luz, pôr no mundo, como você quiser chamar, mas queremos um filho.
O mais espantoso é que queremos um filho não para nós mesmos, nem para nossa realização nem para nos sentirmos bem ou curtirmos a experiência de sermos pais. Queremos um filho por ele mesmo! Não é incrível?!? Não o queremos para ter uma experiência gratificante. Queremos um filho como uma pessoa única, por quem ele é, seja ele como for.
Não me entendo, devo estar ficando maluca, mas queremos um filho seja ele feio ou bonito, inteligente ou burro, alto ou baixo, verde, azul, marrom, branco, vermelho, amarelo, não importa. Queremos por ele mesmo, não por nós, entende? Isso me deixa preocupada. Sou diferente de todas. Acho que influenciei meu marido. Por favor, ajude-me!
A coisa é tão grave, que queremos um filho mesmo que seja anencéfalo, mesmo que seja fruto de um estupro, mesmo que seja Down, mesmo que não ouça, não veja, não ande, não fale... Sim, sei que é grave, mas queremos um filho por ele mesmo!!!
Do mais profundo de nós mesmos, sobe um grito: queremos um filho para amá-lo, para nos entregarmos a ele, para servi-lo em sua dependência e fragilidade, em sua vulnerabilidade inicial. Queremos, em Deus, dar a vida para que ele tenha vida, você entende? Sei que é insano, mas queremos seguir seu crescimento, seu desenvolvimento vida afora, queremos gerá-lo para Deus e para a humanidade, ainda que isso nos custe a saúde, a beleza, a vida. Estranho, mas queremos um filho não por nós, mas por ele mesmo, não para nosso prazer, mas para que ele seja quem Deus quer que ele seja e queremos colaborar para isso com todas as nossas forças, em meio a alegrias e dores.
Está vendo como é grave? A imagem de Deus segundo a qual fomos criados nos empurra a fazer a oferta de nós mesmos a um filho, me empurra a ser mãe de um filho por ele mesmo. É mais forte do que eu! Ajude-me, o que faço?
Não sei explicar direito, mas é como se a fecundidade que Deus pôs em nós fosse mais que biológica, semelhante à dos animais. É como se fosse... deixe-me ver... ahn... uma participação do poder criador de Deus que é Pai e não somente continuador ... preservador de espécie, entende? Que horror! Estou tão doente que só de falar em ter filho para preservar a espécie, para continuar a família, me sinto mal! Ajude-me! Sou chamada a ser mãe como Deus é Pai e não como uma gata é mãe! É grave, já lhe disse! Não me negue sua ajuda!
Para agravar mais ainda meu caso, queremos um filho de nossas entranhas, gerado em um ato conjugal, um belo presente-surpresa de Deus que não só participa, mas governa nosso matrimônio! É, ainda tem essa: meu marido e eu casamos virgens. Sou casada sempre com o mesmo homem, e casada na Igreja, como se diz.
Por favor, não se espante demais! Tenho medo de que me abandone, de que desista de me ajudar, mas preciso ser verdadeira: minhas entranhas são raham, como dizem os hebreus. São entranhas para dar a vida... Não me olhe assim, por favor. Acho que errei quando mencionei os hebreus, mas é que eles são meus irmãos mais velhos... Perdão se tenho que mencionar João Paulo II, sei que lhe desagrado. Posso continuar?
Queremos um filho que não seja programado em um consultório médico. Queremos um filho home made, que não seja manipulado em laboratório. Não queremos escolher a cor de seus olhos, de sua pele, de seus cabelinhos. Não queremos programar ou aprimorar seu DNA, queremo-lo como Deus o quiser, queremos estender as mãos para o céu e recebê-lo como um presente de Deus colocado por meu marido em minhas entranhas. As entranhas raham têm de participar, entende?
Perdoe-me. Sei que não estou sendo moderna, nem emancipada, nem dona do meu próprio filho, como se faz hoje em dia. Sei que estou fora da mentalidade e fora da lei. É exatamente por isso que peço ajuda. Estou diferente demais dos outros. Devo estar doente.
Não tomo anticoncepcionais, não uso DIU, não aplico compressas hormonais, não fico como histérica preocupada a contar dias para lá e para cá, meu marido não usa preservativos. Sei que é extraordinário, mas queremos um filho que venha como fruto de sabermos que nossa fecundidade humana é apenas parcial e que a verdadeira fecundidade vem de Deus e não queremos inverter isso. Deus vem primeiro com relação ao meu filho. Eu até já digo a Ele que é o nosso filho. Não é de preocupar? Queremos um filho que não nasça da vontade da carne, que controla tudo, que pretende ter nas mãos as rédeas da criação. Queremos um filho que nasça do Espírito e no Espírito seja educado para Deus.
Será que estou com aquela doença de quem tem mania de ser Deus? Porque, na verdade, queremos um filho por ele mesmo porque, como disse João Paulo II ... ops, desculpe! Mencionei outra vez... Bem, como ele disse, Deus nos quis por nós mesmos, únicos aos seus olhos, dons Dele dados ao mundo pela mediação das leis biológicas e desejo dos nossos pais. Como é mesmo o nome desta enfermidade na qual a pessoa pensa que é Deus ou um santo qualquer? Será que é ela que nos aflige, que nos faz tão diferentes das outras pessoas?
Ocorre que queremos entrar na alegria e experimentar o riso de Sara, participando da alegria de Deus ao acolher um filho por ele mesmo, sabendo que todas as criaturas de Deus são boas, como diz Timóteo. Queremos um filho para viver com ele a experiência da fecundidade que transcende a fecundidade biológica. Queremos um filho para nos darmos a ele e para recebê-lo gratuitamente e, juntos a ele, ordenarmos nossa vida para o amor.
Queremos um filho para criá-lo juntos, na mesma casa, sob o mesmo teto, sob as mesmas alegrias e dores, com um monte de outros irmãos. (É isso mesmo, esqueci de mencionar que, para tornar meu estado ainda pior, queremos muitos, muitos filhos). Não queremos uma “produção independente” ou um fruto de “gravidez assistida”. Não o queremos para entregar para que outros criem. Queremos criá-lo! Queremos vê-lo tornar-se santo e dar a nossa vida para que isso realmente aconteça! Oh meu Deus, devo estar maluca!
Você vê a que ponto cheguei? Vê a que ponto me tornei esdrúxula com relação às outras mulheres? Vê o perigo que corro de não ser aceita, de não ser compreendida, de não ser considerada normal?
Você percebe a que ponto influenciei o meu marido a pensar como eu? Percebe como sou um perigo para a sociedade, para o progresso da ciência e para a saúde financeira dos laboratórios, clínicas de fertilização e hospitais? Vê como sou uma ameaça à eugenia disfarçada que estamos a praticar? Vê como sou perigosa para algumas idéias nazistas que se vêm espalhando sorrateiramente? Percebe como me tornei fora da lei do nosso país que, na prática, permite o aborto sob vários disfarces? Entende como sou um perigo para a modernidade relativista, hedonista, individualista? Então, você tem ou não como ajudar-me a não ser tão perigosa?
Você me acusa de irônica, de desrespeitosa, de insolente... seu olhar enche-se de ódio... Ei! ... O que está fazendo? Por que esta seringa? Por que este vidro de veneno? ... Vai injetá-lo em mim!... É a solução que encontrou?!? Sim, entendo. É preciso matar-me para eu não atrapalhar, não ameaçar, não estragar tudo planejado e gotejado nas consciências há tantas décadas. Sei que não tenho como correr daqui. As portas estão fechadas. Não há janelas. Só você, grande e forte, com a seringa mortífera na mão, nesta sala minúscula.
Você me segura com muita força. Estou imóvel. Sei que você vai me matar. Esta é a solução encontrada: matar. Matar sempre, matar de várias formas, matar sob vários disfarces. Sei que vai me matar. Deus perdoe. Mas, preciso dizer-lhe, esta doença que trago é tão perigosa, é tão poderosa que, quando se mata um portador, ela se espalha, misteriosamente, em milhares de outros. É o vírus que inocula os que se sabem amados por Deus. É bom você catalogá-lo e especificar sua ação antes de acabar comigo, pois não há como constatar sua presença através de exames. Guarde bem o nome em sua memória e digite-o assim que meu corpo cair sem o que você chama de vida. É o perigoso vírus do martírio."
Maria Emmir Oquendo Nogueira
Artigo baseado em texto de Georgette Blaquière
Em “Femmes sélon le Coeur de Dieu”, ed. Fayard
Fonte: Comunidade Shalom - http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=660
domingo, 28 de março de 2010
Aniversário de Santa Teresa de Jesus
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sábado, 27 de março de 2010
Família: central para vida da sociedade, indica Papa
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de março de 2010 (ZENIT.org).
quarta-feira, 24 de março de 2010
O papel da família no terceiro milenio
Em foco

O papel da família no terceiro milênio
Fala o cardeal Ouellet, arcebispo de Quebec e primado do Canadá
Por Carmen Elena Villa
ROMA, sexta-feira, 19 de março de 2010 (ZENIT.org). – A primeira década do século XXI tem sido marcada por uma “confusão de valores e uma perda de referências”, realidade que atingiu muitas famílias. Foi o que afirmou na última quarta-feira o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Quebec e primaz do Canadá.
O purpurado discursou sobre o tema “O papel da família no terceiro milênio”, no congresso “Oriente e ocidente: em diálogo sobre o amor e a família”, realizado nesta semana no Instituto João Paulo II para Estudos sobre a Família e o Matrimônio da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma.
“A humanidade vive hoje uma crise sem precedentes”, afirmou o cardeal Quellet, sublinhando alguns aspectos como a crise dos recursos naturais, o colapso financeiro, o terrorismo internacional e o relativismo moral – fenômenos, segundo ele, ligados à crise da fé. “No último século, modificou-se a imagem que o homem tem de si mesmo”, afirmou.
A crise cria também uma “confusão alimentada por uma linguagem ambígua”. Por isso, observa o purpurado, a crise atual “não é tão somente uma crise moral ou espiritual, mas principalmente antropológica, pois questiona a própria humanidade”.
Magistério e família
O purpurado lembrou como o Concílio Vaticano II foi capaz de abordar os desafios que se vislumbrava às portas do terceiro milênio. Destacou também como a Constituição Pastoral Gaudium et Spes tratou da questão da família, que deve viver “segundo a graça da semelhança trinitária”.
Da mesma forma, enfatizou a importância da família como “igreja doméstica”, afirmando que esta deve ser “recolocada no coração da Igreja”.
“A união introduz a família na relação entre Cristo e a Igreja, inaugurando uma nova dinâmica. Os cônjuges devem estar empenhados em amarem-se com Deus e em Deus”, acrescentou o purpurado.
Nutrir-se de Deus para projetar-se no mundo
O cardeal Oullet destacou como a Exortação Apostólica Familiaris Consortio de João Paulo II, publicada em 1981, constitui fruto das reflexões conduzidas durante o Concílio Vaticano II sobre a vocação e o papel da família, em especial sobre a necessidade de aprofundar o tema do homem e da mulher como seres criados à imagem e semelhança de Deus.
Recordou ainda que a vocação da família é ser “igreja doméstica”, com base nas palavras de São João Crisóstomo, que dizia “Faz de tua casa uma Igreja”, enfatizando que “há ainda muito a se descobrir neste sentido”, visto que a família não é apenas “uma imagem da Igreja, mas também uma realidade eclesial”.
No matrimônio, acrescentou o purpurado, verifica-se “a unidade do ‘nós’ não de maneira simbólica, mas real”, e os esposos “se doam e recebem a Cristo também no cotidiano”, como resultado de um “carisma de unidade, fidelidade e fecundidade”.
“O amor é o caminho da perfeição humana em Cristo”, assinalou o cardeal, mostrando como o amor conjugal representa a união de Eros e ágape. “Um amor plenamente humano, sensível, espiritual, fiel, exclusivo até a morte, que não se exaure e que continua a suscitar novas vidas”.
Um amor que, à semelhança da Trindade, “comporta em si uma abertura ao Filho, e, de maneira ainda mais profunda: o Filho e o Espírito que se doam aos esposos como fruto do amor”, uma comunhão que envolve “não apenas uma abertura ao Espírito e ao Filho, mas também à sociedade”.
Deste modo, indicou o arcebispo de Quebec, a família “participa da missão salvadora da Igreja”, de modo que tantos os esposos quanto os filhos se tornam “Focolares da comunhão interpessoal habitada por Cristo e escola de liberdade”, e assim podem “responder à confusão de valores da cultura de morte, da cultura da posse e do efêmero”.
sábado, 6 de março de 2010
Como escolher uma esposa
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Santa Teresa e a economia
Teófanes Egidio in Introducción a la lectura de Santa Teresa, pp.88-103
Realmente extranha o peso quantitativo que o elemento econômico tem nos escritos de Teresa...
É muito significativo que o primeiro escrito seu conservado sej
a uma peça que reproduz, nem mais nem menos, a forma habitual de extender ordens de pagamento em seu tempo, e que sua última carta datada encara a inconveniência de fundar em Pamplona !se não é com alguma renda", dado que as esmolas daquele 1582 não eram já tão esperançadoras como das épocas passadas. Por fim morreu com o amargor de disgostos que parentes lhe ocasionaram por questões econômicas de herança.
No entreato movido de sua atividade, Madre Teresa teve que ver-se com pleitos inumeráveis, com angústias pecuniárias ou com fundações asseguradas por rendas generosas. TProntamente encontrou dinheiro inesperado (que chegam das míticas Índias) como soube da angústia reiterada de achar-se sem nada. Passou do sistema fundacional em pobreza (ao arbítrio da Providência) à convicção de não dar vida a nenhum mosteiro novo sem ter bem assegurados os recursos materiais. Não se consou de aconselhar sobre mil procedimentos, sobre inversões rentáveis, de conjurar apuros, de suscitar a assistência interconventual, de olhar com esperança para Sevilha, à espera de remessas que obssessionavam a todo castelhano daqueles tempos sobre os que, segundo Pierre Vilar, pesa a maldição do ouro.
1. Os metais preciosos como modelo da dinâmica espiritual
A sensibilidade para o fato econômico se manifesta em que, para fazer mais compreensíveis a seus leitores os fenômenos espirituais, não duvida em acudir aos sistemas monetários, aos metais preciosos, como modelo socorrido e corrente do mundo material, porém que vale para explorar os cristérios de valoração das dimensões sobrenaturais. Não esqueçamos as relações que ascendência de Teresa teve com este mundo do dinheiro...
É muito frequente a assimilação do oro a Deus e a suas obras, em recursos tão cordiais então àqueles castelhanos, tão parcos a maior parte das vezes no metal precioso como desejosos de possuí-lo. Entre estas obras de Deus sobressai, naturalmente, a da alma, para cuja descrição não encontra melhor recurso que compará-la com um castelo medieval, todo feito em diamante, como sucede nas Moradas, realizado pelo lapidador divino e ouro dos mais subidos quilates (1M 1,1 e carta ao P. Gaspar - 7.12.1577). Ouro, jóias, todo um conjunto de pedras preciosas fervem em sua pluma quando debate por tornar inteligíveis coisas divinas operadas na alma à medida em que entra na dinâmica da união, o grande presente que não pode provir do esforço humano, e "nele mesmo se vê não ser de nosso metal, senão daquele puríssimo ouro da sabedoria divina" (4M 2,6).
Pelo contrário, quando se trata de obras humanas, em especial se são da pobre Madre Teresa, acode-se à metáfora da moeda mais ínfima. Não às brancas, das que em tantas oc asiões da vida real se viu ameaçada, senão à moeda de cobre, quiçá fora do curso legal, como se de moeda velha e sem valor se tratasse. "Aqui ajudaremos com nosso vintém (cornadilho)", disse a d. Francisco de Salcedo, aludindo às orações com que compensá-lo pela sua generosidade (Carta 6.07.1568).
2. Gastos e ingressos de todos os dias
As fontes clássicas e as pessoas diretas não dão possibilidade para muito na intenão de captar a angustiosa e diária preocupação pela sobrevivência; não obstante cremos merece a pena insistir em um aspecto tão vital como este da vida de todos os dias, ainda mais quando um dos cuidados fundamentais da Fundadora concentrou-se em que nunca faltasse a suas filhas e filhos de comer, suficiente e bem, ainda que fosse às custas de sacrificar a abstinência, por exemplo (Carta 28.06.1568).
Segundo os livros de entradas e saídas do convento de Medina, onde Santa Madre foi priora - forçadamente - entre agosto e setembro de 1571, o capítulo fundamental de gastos é o constituído pela dieta de pão, ovos e azeite, completada geralmente com fruta e peixe, arroz e verdura. Pedro, o criado, os trabalhadores eventuais, as enfermas têm asse3gurada sua ração de boa carne, qinda que seja sexta-feira; o menu se enriquece em ocasiões com as mais variadas iguarias. À margem da comida, qualquer gasto extraordinário pode desequilibrar o pressuposto: uma viagem das superioras, o da própria fundadora, o envio de mensageiros especiais, alguma reparação no telhado ou na nora, etc, ultrapassam em muito os custos normais de alimentação e sacristia.
Quanto aos ingressos é simples: o produto do trabalho das monjas e a esmola do exterior. "Ajudem-se do labor de suas mãos" (Constituições 2), dedicação que preconiza contra os hábitos de sua época e que matiza até ao extremo para que não se converta em esgotante trabalho, mas que seja sossegado...
Com tais condicionantes a economia da casa ficava neste particular ao risco do encargo. O fato de ter-se conservado os livros de contas de fundações em centros industriais como Segóvia e Toledo, poderia-se medir o peso das comunidades como auxiliares de alguma fase da elaboração têxtil. Na verdade a esmola tem nestes centros uma importância muito maior, suporte autêntico da economia diária carmelitana.
Mas havia problemas. Em Ávila, por exemplo, as esmolas nunca foram muitas. Quando os abulenses ficaram sabendo de que o maior esmoleiro do convento, Francisco de Salcedo, deu uma minguada ajuda ao convento de São José ("que é tão pouco para comer, que ainda para jantar não se tem"), a cidade "retirou logo as esmolas que lhes davam (carta de 15.12.1581). Como último recurso as monjas correram para eleger Santa Teresa como priora. A observação da santa está cheia de humor e realismo: "me fizeram priora por pura fome" (carta de 8.11.1581).
3. O problema dos dotes e das rendas
De todas as formas as esmolas normais e o trabalho serviram para sair do apuro diário, mas nunca foram suficientes para afrontar os gastos consequentes à ereção das casas, aos extraordinários surgidos por causa do acondicionamento posterior, nem para enxugar dívidas de certa envergadura. Em tais circunstâncias a verdade é que abundaram os benfeitores generosos. Porém o aporte principal e permanente foi o dos dotes das professas.
Neste particular, como em todo o relacionado com o dinheiro, a mentalidade teresiana sofreu uma profunda, para não dizer radical, transformação à medida que seu programa original de reforma se foi matizando no contato com as realidades.
No princípio, traumatizada pela experi~encia da Encarnação, empenhou-se em eliminar tudo aquilo que pudesse constituir um atentado contra a mais estrita igaualdade comnitária.
Não obstante, deve-se encarar o risco de que, ao sonho da igualdade, a que entra "não entre só para remediar-se" (C 21,1; 14,1). Para obviar este outro perigo, porque nem o trabalho e a esmola bastavam, para conjurar a fome que se passa em São José ou em Beas, e ainda que siga pregando que se "as monjas são muito para nós que não temos de olhar tanto no dote", estabelecerá o princípio; "deixar de dar algum dote não convém" (carta 21,01.1577).
Uma história paralela se registra no que se refere às rendas. Ter rendas era o sonho do castelhano do século XVI. Santa Teresa não participou desta tendência inveterada. De ascendência judeu-conversa, convenvencida das exigências da pobreza, deparou-se com os hábitos correntes e, contra o costume de outros mosteiros, traçou a idéia dos seus sobre as bases econômicas do trabalho e da esmola, com escândalo e medo de muitos, com a complacência dos "espirituais", caminho que não foi tão fácil.
Não tardou, com a decisão de fundar os mosteiros sem renda alguma, a ver surgir dificuldades. Elas surgem quando sua previsão de fundar em núcleos urbanos bem dotados chocou-se ante a contingência de fundar em lugares sem tantos recursos econômicos, com risco para a esmola e com escassa esperança de colocar o produto do trabalho das monjas. Tal sucedeu com a fundação de Malagón, a terceira da série. Santa Teresa tinha que decidir diante de dois problemas. Um secundário: a dificuldade observar a abstinência da Regra; outro de mais transcendência: a necessidade de contar com uma renda. Santa Teresa resistiu à importunação de dona Luisa de la Cerda; porém nesta ocasião a tenaz senhora encontrou grandes aliados que acabaram por convencer a Santa e Malagón torna-se o primeiro mosteiro erigido sobre a plataforma econômica de ingressos fixos e seguros, levando, depois Santa Teresa a definir seu pensamento sobre o assunto. Superada a fase de vacilações, sua norma se esclarece:
"Sempre pretendi que os mosteiros com renda que fundava a tivessem de tal maneira que as monjas não precisassem dos parentes nem de ninguém, e que houvesse o bastante para o sustento e o vestuário, bem como um bom tratamento para as enfermas, porque da falta do necessário decorrem um sem-número de inconvenientes. E para trazer muitos mosteiros de pobreza sem renda nunca me falta coragem e confiança e por certo Deus não permitirá que me faltem; mas, para fazê-lops com renda, embora pouca, falta-me tudo e prefiro não fundar." Portanto, fica claro como as fundações sobre renda foram sempre uma excessão, justificada só pela penúria econômica do lugar...
4. O crédito e a inversão
Ainda que durante o curto tempo de sua vida de fundadora os conventos teresianos tivessem escassas possibilidades para a acumulação de capital invertível, em 1582 já se configura uma realidade: que junto a mosteiros que vivem de rendas coexistem outros endividados até a extremos preocupantes, como o de Ávila e de Sevilha. Uns recorrem a formas correntes de crédito para saldar sua economia deficitária, para afrontar gastos crescidos de edificação ou translado; outros aproveitam sistemas do momento para colocar suas sobras em inversões rentáveis. De tudo isso teve que estar a par a Santa Madre, preocupada ou tranquila, porém sempre imersa na maré de papelório, de operações financeiras de menor ou maior alcance, de contratos complicados cujas cláusulas tinha que ler e reler em todos seus pormenores para que não se repetisse o que aconteceu em Sevilha, quando por boa fé, o fiador, d. Lourenço de Cepeda, teve que correr para evitar a prisão por um imposto sobre vendas mal feitas (Fundações 25,9).
Estas operações a obssessionaram a tal ponto que aparecem como paradigmas em fenômenos espirituais. Tal sucede no Caminhho de Perfeição, quando para ressaltar o valor autêntico, perdurável da humildade e da obediência, diante de discutíveis gostos, mercês e arroubamentos, não tem outra ocorrência que estabelecer a seguinte comparação: " ...a moeda corrente, a renda segura, os juros perpétuos, em vez de censos remíveis, que se tiram e põem, são a grande virtude da humildade e da mortificação, da grande obedi~encia em não se popor em nada ao que ordena o prelado" (Caminho 19, 7).
Sua norma constante era de não acumular-se de juros e obter e gastar dentro das estreitas possibilidades. Se o recurso se faz inevitável, é imprescindível redimí-los o quanto antes, pela simples razão de que "seria muito bom ir quitando a carga" (carta 7.09.1574).
A prática de Santa Teresa é bem clara: quando é possível a opção, prefere o dinheiro constante e sonante aos títulos sobre a dívida pública ou privada. Ao menos para com estes últimos sente uma confessada aversão, pis nem todos os afetados tinham as mesmas condições que ela para tornar efetivos os juros. É o que diz a seu irmão: "Pensa que em cobrar os censos não há trabalho? Andar sempre em execuções. Olhe que é uma tentação" (carta 2.01.1577).
É compreensível que o fenômeno sobrenatural de uma personalidade extraordinária como a de Teresa tenha deslumbrado e drenado as preocupações dos teresianismas para ângulos menos mundanos que os da economia. Porém, é como ela mesma lamenta, mas faz parte de sua vida e missão: "faz tempo que tinha abandonado dinheiros e negócios, e agora quer o Senhor que não trate de outra coisa".
do blog:http://provsjose.blogspot.com/2009_08_01_archive.html
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Superar problemas de controle e confiança no casamento
Por Genevieve Pollock
WEST CONSHOHOCKEN, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).
- Muitos casais e famílias de hoje sofrem problemas de controle e confiança, afirma o psiquiatra Richard Fitzgibbons. Mas, graças aos sacramentos e à prática da virtude, estes problemas podem ser superados.domingo, 7 de fevereiro de 2010
DOMINGO, 7 DE FEVEREIRO DE 2010 Se quiser ser santo, entre num Carmelo

Instaurado processo de canonização de religiosa que viveu no interior de São Paulo
Por Alexandre Ribeiro
TREMEMBÉ, domingo, 7 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- “O Carmelo é um vergel de santos. Se quiser ser santo, entre num Carmelo”. Com alegria e bom humor, as carmelitas de Tremembé (135 km de São Paulo) anunciaram a introdução da Causa de Canonização de Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade.
Neste domingo, 7 de fevereiro, o bispo de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden, preside à cerimônia de introdução da Causa de Madre Maria do Carmo, conhecida como Carminha de Tremembé, fundadora do Carmelo Santa Face e Pio XII, onde hoje vivem 19 carmelitas, nessa cidade do Vale do Paraíba, interior do Estado de São Paulo.
Ao descrever o Carmelo como um “vergel de santos”, Madre Thereza Maria, uma das responsáveis pelo processo de canonização, não exagera. Santa Teresa d’Ávila, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus, para recordar três, são santos carmelitas doutores da Igreja.
Mas qual é a alegria de viver num Carmelo? “É viver para Ele, viver para Jesus”, respondem com sorrisos nos lábios, quase em coro, as cinco religiosas que receberam ZENIT na semana passada para conversar sobre sua Madre fundadora.
Madre Maria do Carmo (Carmen Catarina Bueno) nasceu em Itu, interior de São Paulo, a 25 de dezembro de 1898. Aos 18 anos, foi noiva. Mas, ao ingressar em um renomado colégio religioso em São Paulo, que o noivo, de família rica, indicara para que aprimorasse seus conhecimentos e se preparasse para o matrimônio, deu seu sim à vocação religiosa.
No colégio em São Paulo, em meio aos estudos humanísticos e ao amor pela literatura e poesia, depara a “História de uma Alma”, da futura Santa Teresinha. Então decide ser como a jovem de Lisieux, carmelita.
Em 1926, aos 27 anos, Carminha ingressa no Carmelo São José, no Rio de Janeiro. Ali exerce o papel de mestra de noviças, sub-priora e priora. Em 1955 deixa o Rio para ir fundar o Carmelo da Santa Face e Pio XII, em Tremembé.
Sob sua liderança e determinação, em dois anos, uma ala e meia do mosteiro estava construída. Em mais alguns anos toda área já estaria estruturada, com capela, refeitório, jardins e chácara.
Ali desenvolve sua vida em oração e humildade, virtude destacada pelas religiosas que conviveram com ela. Dedicou grande atenção à formação do noviciado e ao cuidado das irmãs de comunidade.
Em letra firme e bela, exprimiu em poemas, durante toda vida, a sofisticação de seu espírito e a total entrega ao amor de Deus.
Ao refletir sobre a morte, confessou em soneto: “Não posso mais, ó Deus meu Pai, sofrer / do céu a nostalgia que consome... / o anseio torturante de vos ver / é gozo que crucia, é dor sem nome! / Se apenas um vislumbre de prazer, / do amor que se revela e que não dorme, / o exílio transfigura e o padecer... / que então será, no Céu, saciar a fome” (...).
Madre Caminha morreu em 1966, acometida de derrame cerebral. Tinha 67 anos. Sua fama de santidade extrapolou a clausura do Carmelo em 1972. Havia o projeto de mudar o mosteiro para a cidade de Mairinque (São Paulo). Seu túmulo foi aberto e constatou-se a conservação do corpo.
“Parecia a tarde do enterro”, conta Madre Teresa Margarida, priora do Carmelo. “Até as flores estavam conservadas”, recorda a priora, que conviveu durante 10 anos com Madre Carminha.
A partir desse episódio, a fama de santidade se espalhou pelos Carmelos e comunidades. O povo de Tremembé se mobilizou e impediu que o corpo e o mosteiro completo mudassem de cidade.
Um depoimento gravado do médico que acompanhou a exumação revela sua surpresa: “Estou profundamente emocionado”, disse o Dr. Mário Degni, da Universidade de São Paulo.
No entanto, os próprios técnicos que procederam à exumação indicaram que o corpo fosse recolocado na sepultura, deixando duas aberturas, por onde ventilasse o ar, para ver se se desfazia. De fato, o corpo foi-se desfazendo, o que se constatou em exumações posteriores.
A indicação de Igreja, porém, “é não mexer”, explicou Madre Thereza Maria, que reconhece que, por desinformação, houve um erro ao fazer as aberturas no caixão.
Mas a posterior decomposição do corpo não comprometeu a devoção. O fiéis passaram a se dirigir cada vez mais à intercessão de Madre Carminha em pedidos de cura e bênçãos de Deus.
Segundo as carmelitas de Tremembé, há dois casos de milagres que já poderiam integrar o processo de canonização: o de um recém-nascido curado de uma luxação congênita no joelho (hoje uma criança de dois anos que corria pelo jardim do Carmelo um dia antes de ZENIT visitar as religiosas). E o caso de um adulto que, já desenganado pelos médicos, foi curado de peritonite aguda. Hoje é um senhor que propaga a devoção a Madre Carminha.
Deus sabe se no futuro o nome de Madre Carminha de Tremembé constará no vergel de santos do Carmelo. Mas o que a Igreja sabe é que a cada dia aumentam os fiéis que se dirigem à madre poetiza, que viveu a humildade no claustro.
De Carminha de Tremembé permanecem a fama de santidade, os belos poemas, o testemunho de vida. E também algo que, de certo modo, fica de toda religiosa de clausura, cujo testemunho fortalece a esperança e alimenta o mundo de amor.
Uma vida clarividente, refletida em versos. Escreve Carminha: “Um terno olhar de Deus em mim poisando / e do Carmelo eu vim bater à porta, / entre risos e lágrimas sonhando / ser – hóstia de Jesus, ou viva ou morta... / Custou-me o sacrifício... mas que importa, / se a dor que mora na alma vai cantando? / Se os olhos jorram pranto? A fé transporta / além e faz sorrir quem sofre amando... / Hóstia de expiação... hóstia a cantar / a loucura da cruz e o Amor supremo / que da terra meu ser desprende e arranca... / Corpo de Luz – sacrário a custodiar / na solidão, na prece e zelo extremo / minha alma – Hóstia eternamente branca!”

terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Influência da família em Santa Teresa e papel da família atual na educação dos filhos

ENCONTRO DE ORAÇÃO COM AS FAMÍLIAS CARMELITAS EM MONTES CLAROS-MG
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Congresso das Famílias 2010 em Fortaleza-CE
As famílias e a crise econômica
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Oração dos pais pelos seus filhinhos à Santa Teresinha
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Única forma de consertar o mundo é pela família






